Sábado, 20 de Abril, 2019
Opinião

Uma esperança sueca

por Francisco Sarsfield Cabral

Através do “Financial Times” tomei conhecimento de que, na Suécia, o mais importante jornal do país, depois de ter atravessado uma crise semelhante à de tantos outros jornais por todo o mundo, logrou uma recuperação espetacular e provavelmente sustentável.
O “Dagens Nyheter”, um diário, passou pelos problemas e aflições comuns à generalidade da imprensa escrita. Os seus leitores envelheciam e a publicidade caía, até porque o Google e o Facebook captavam grande parte dessa publicidade “on line”. 

A conjuntura do sector jornalístico na Suécia também não ajudava. A percentagem de adultos suecos leitores diários de jornais era de 75% em 2009; quatro anos depois tinha baixado para 56%. A tiragem do “Dagens Nyheter” em papel passou de quase 370 mil em 2000 para apenas 270 mil em 2015. Nesse ano a edição eletrónica contava só dois mil assinantes.

Agora, passados menos de cinco anos e várias equipas de gestão, este jornal obtém lucros e vendas como nunca antes. Os assinantes da edição digital chegam aos 160 mil (170 mil se contarmos, também, com as assinaturas da edição em papel). 

Esta evolução aconteceu com o preço do jornal a subir e alguma redução de custos, com menos jornais impressos (a tendência de queda aí não se inverteu), a eliminação de ofertas e uma distribuição mais racional.

 Qual foi o segredo desta invulgar recuperação? Parece ter sido a conjugação de dois factores: a valorização dos conteúdos informativos, por um lado, e o aproveitamento do acesso ao jornal pelos “smartphones”, 24 horas por dia.

 A valorização dos conteúdos implicou prioridade às notícias que os outros “media” não publicam. Notícias originais, portanto, mas que os jornalistas do “Dagens Nyheter” frequentemente investigam a partir do que aparece nas redes sociais, que são uma importante fonte de temas e ideias. Por exemplo, colocar perguntas difíceis a políticos, autoridades policiais, dirigentes empresariais, etc.

Outro fator da recuperação deste jornal foi a preocupação de fortalecer as ligações com os seus assinantes. Seguir as redes sociais também permite ao jornal perceber o eco que os seus textos têm nas comunidades digitais. Por outro lado, o “Dagens Nyheter” facilitou o acesso aos seus conteúdos através de pagamentos electrónicos. 

Em suma, esperançosas notícias vindas da Suécia. Um exemplo mostrando que o jornalismo e os jornais não são espécies em vias de extinção. Boa sorte para o “Dagens Nyheter”!

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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