Quarta-feira, 23 de Outubro, 2019
Media

Os jornais devem apostar mais em meios humanos do que em produtos

“Tendo crescido no antigo modelo do jornalismo como fábrica de notícias, eu desenvolvi competência nos processos de produção, respeitar os prazos, fazer sair o produto. 
A prioridade era isso: produzir uma quantidade suficiente de conteúdos com um nível de qualidade profissional consistente com as limitações de tempo, dinheiro e espaço disponível (as páginas de noticiário).”

O autor desta reflexão inicial, James Breiner, especializado em direcção de jornalismo digital, descobriu com os anos que vivia num paradoxo:

“Pôr as pessoas em primeiro lugar gera mais proveito.”  Se um gestor de recursos humanos pensar primeiro em desenvolver as pessoas e ajudá-las a atingirem os seus objectivos pessoais e profissionais, o ganho vem a seguir.”

“Quando se cria uma organização onde as pessoas sentem que estão a crescer, a aprender e a participar numa missão maior do que elas mesmas, tornam-se muitíssimo criativas e produtivas.”

O texto que citamos encontra-se na IJNet – International Journalists’ Network.

Esta descoberta, como conta o autor, foi gradual: 

Durante o colapso económico do princípio deste milénio, “quando muitas empresas de media tiveram de fazer cortes de pessoal para manter a rentabilidade, o presidente da nossa enviou uma mensagem forte aos editores dos 40 semanários do grupo: não há despedimentos”: 

“Vamos continuar a ter a bordo as pessoas experientes e, quando a economia recuperar, estaremos em melhor posição para tirar partido disso.” 

O mesmo presidente, que tinha sido um repórter e editor teimoso, sabia que a rentabilidade “dependia de dirigentes que dominassem os chamados soft-skills, competências em capacidades pessoais, mais do que apenas de contabilistas”: 

“Ele mandou os directores e editores para uma formação em leadership que implicava uma análise dos seus talentos. Nós víamos os nossos 12 ou 15 talentos de liderança representados num gráfico [formato de queijo], em que as maiores fatias eram os nossos pontos fortes e as pequenas os pontos fracos.” 

E a mensagem era clara: “concentrem-se nos pontos fortes, desenvolvam ainda mais essas três ou quatro áreas de talento, e rodeiem-se de pessoas que preencham os espaços vazios”. 

“No meu caso, as áreas fortes identificadas foram o desenvolvimento das pessoas, a consolidação de equipas e a responsabilidade profissional. Aquilo em que eu não era bom de todo  - disseram-me eles -  eram os processos administrativos e de organização. O tempo provou que esta avaliação estava correcta.” (...) 

Por sugestão do executive coach [responsável de aconselhamento], James Breiner passou a reunir-se regularmente com cada um dos chefes dos cinco departamentos sob sua tutela. 

“Reservei uma hora por semana para cada um deles, para rever os objectivos, que acções estavam a empreender para os atingir, que obstáculos encontravam, e que soluções eram possíveis. (...) Quando contei a alguns dos meus colegas  - éramos 40 editores -  que estava a encontrar-me durante uma hora, todas as semanas, com cada um dos cinco, eles acharam que eu era maluco. ‘Onde é que arranjas tempo?’  - perguntaram.” 

“Na verdade, essas sessões confidenciais, essas cinco horas por semana, acabaram por me poupar muito tempo. (...) À medida que cada um deles aprendeu a resolver os problemas por si mesmo, os meus problemas foram reduzidos. Fiquei com mais tempo para me focar na melhoria do perfil do jornal na comunidade. Esse foco fortaleceu a marca e resultou em crescimento da receita de publicidade, de recrutamento e retenção de funcionários, presenças nos eventos da empresa, e rentabilidade.” (...)

 

O artigo aqui citado, na íntegra na International Journalists’ Network

Connosco
Jornalistas deverão estar prevenidos para identificar e corrigir notícias falsas... Ver galeria

Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

É importante reconhecer que as fake news existem, que estamos expostos a essas falsas informações, mas, se quisermos combatê-las, é indispensável procurar a sua origem, a sua forma de disseminação e analisar as consequências sociais e políticas.

É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

Suspensão de acordo do “Brexit” dividiu a imprensa britânica Ver galeria

Suspensa a aprovação do acordo no Parlamento britânico até que haja a regulamentação apropriada, a imprensa londrina apresentou-se dividida em relação ao Brexit.

Por um lado, a esperança de evitar um “não acordo” e uma saída abrupta, por outro a exaltação em relação à votação. 

Os media ingleses evidenciaram posições antagónicas em relação aos últimos acontecimentos e isso foi claro pela forma como abordaram a situação. 

Enquanto que o Sunday Express assumiu uma postura pró-Brexit e foi mais hostil com os deputados, acusando-os de atrasarem o processo, o Independent preferiu focar-se nas ruas, onde perto de um milhão de cidadãos se manifestaram para exigir que lhes seja dada a palavra final. Por sua vez, o Observer realçou a derrota do primeiro ministro, que se viu forçado a suspender a aprovação do acordo.

Le Monde publicou, entretanto, um texto no qual é feita uma análise dos media britânicos neste contexto.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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Fotojornalismo e Direitos de Autor
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1º Congresso Internacional de Rádios Lusófonas
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Nov
Connections Europe
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Nov