null, 27 de Setembro, 2020
Media

Os jornais devem apostar mais em meios humanos do que em produtos

“Tendo crescido no antigo modelo do jornalismo como fábrica de notícias, eu desenvolvi competência nos processos de produção, respeitar os prazos, fazer sair o produto. 
A prioridade era isso: produzir uma quantidade suficiente de conteúdos com um nível de qualidade profissional consistente com as limitações de tempo, dinheiro e espaço disponível (as páginas de noticiário).”

O autor desta reflexão inicial, James Breiner, especializado em direcção de jornalismo digital, descobriu com os anos que vivia num paradoxo:

“Pôr as pessoas em primeiro lugar gera mais proveito.”  Se um gestor de recursos humanos pensar primeiro em desenvolver as pessoas e ajudá-las a atingirem os seus objectivos pessoais e profissionais, o ganho vem a seguir.”

“Quando se cria uma organização onde as pessoas sentem que estão a crescer, a aprender e a participar numa missão maior do que elas mesmas, tornam-se muitíssimo criativas e produtivas.”

O texto que citamos encontra-se na IJNet – International Journalists’ Network.

Esta descoberta, como conta o autor, foi gradual: 

Durante o colapso económico do princípio deste milénio, “quando muitas empresas de media tiveram de fazer cortes de pessoal para manter a rentabilidade, o presidente da nossa enviou uma mensagem forte aos editores dos 40 semanários do grupo: não há despedimentos”: 

“Vamos continuar a ter a bordo as pessoas experientes e, quando a economia recuperar, estaremos em melhor posição para tirar partido disso.” 

O mesmo presidente, que tinha sido um repórter e editor teimoso, sabia que a rentabilidade “dependia de dirigentes que dominassem os chamados soft-skills, competências em capacidades pessoais, mais do que apenas de contabilistas”: 

“Ele mandou os directores e editores para uma formação em leadership que implicava uma análise dos seus talentos. Nós víamos os nossos 12 ou 15 talentos de liderança representados num gráfico [formato de queijo], em que as maiores fatias eram os nossos pontos fortes e as pequenas os pontos fracos.” 

E a mensagem era clara: “concentrem-se nos pontos fortes, desenvolvam ainda mais essas três ou quatro áreas de talento, e rodeiem-se de pessoas que preencham os espaços vazios”. 

“No meu caso, as áreas fortes identificadas foram o desenvolvimento das pessoas, a consolidação de equipas e a responsabilidade profissional. Aquilo em que eu não era bom de todo  - disseram-me eles -  eram os processos administrativos e de organização. O tempo provou que esta avaliação estava correcta.” (...) 

Por sugestão do executive coach [responsável de aconselhamento], James Breiner passou a reunir-se regularmente com cada um dos chefes dos cinco departamentos sob sua tutela. 

“Reservei uma hora por semana para cada um deles, para rever os objectivos, que acções estavam a empreender para os atingir, que obstáculos encontravam, e que soluções eram possíveis. (...) Quando contei a alguns dos meus colegas  - éramos 40 editores -  que estava a encontrar-me durante uma hora, todas as semanas, com cada um dos cinco, eles acharam que eu era maluco. ‘Onde é que arranjas tempo?’  - perguntaram.” 

“Na verdade, essas sessões confidenciais, essas cinco horas por semana, acabaram por me poupar muito tempo. (...) À medida que cada um deles aprendeu a resolver os problemas por si mesmo, os meus problemas foram reduzidos. Fiquei com mais tempo para me focar na melhoria do perfil do jornal na comunidade. Esse foco fortaleceu a marca e resultou em crescimento da receita de publicidade, de recrutamento e retenção de funcionários, presenças nos eventos da empresa, e rentabilidade.” (...)

 

O artigo aqui citado, na íntegra na International Journalists’ Network

Connosco
“Media” franceses publicam carta de apoio ao “Charlie Hebdo” Ver galeria

Cerca de uma centena de “media” franceses publicaram uma carta aberta de apoio à revista “Charlie Hebdo”, em resposta a um apelo do director da publicação, Riss. Aliás, as antigas instalações da revista voltaram a testemunhar a violência: em 25 de Setembro, quatro pessoas ficaram feridas, naquele local, noutro ataque desta vez com arma branca.

Em declarações à agência de notícias France-Presse, Riss afirmou que a revista satírica francesa tinha sido “mais uma vez ameaçada por organizações terroristas”, em pleno julgamento dos atentados de Janeiro de 2015, visando, igualmente, “todos os meios de comunicação e, mesmo, o Presidente”.

“Achámos necessário sugerir aos ‘media’ que pensassem na resposta colectiva que merecia ser dada a esta situação”, explicou.

Na carta aberta, intitulada “Juntos, vamos defender a liberdade”, os órgãos de comunicação social apelaram, então,  à defesa da imprensa.  “Hoje, em 2020, alguns de vós estão a receber ameaças de morte nas redes sociais quando expõem opiniões. Os meios de comunicação social são, abertamente, visados por organizações terroristas internacionais. Os Estados exercem pressões sobre os jornalistas franceses [considerados] ‘culpados’ de publicarem artigos críticos”, pode ler-se no documento.


Liberdade de imprensa em Hong Kong continua a deteriorar-se Ver galeria

As autoridades de Hong Kong estão a apertar  as restrições à liberdade de imprensa, tendo anunciado que vão deixar de aceitar determinadas acreditações jornalísticas.

Assim, só serão aceites acreditações fornecidas por organizações noticiosas registadas no sistema de informação governamental. Desta forma, as centenas de  jornalistas membros daHong Kong Journalists Association (HKJA) e da Hong Kong Press Photographers Association (HKPPA) não poderão comparecer a conferências de imprensa. 

Entretanto, a  HKJA, a HKPPA, e cinco outros sindicatos, exigiram que a nova política fosse retirada. "A emenda permite às autoridades decidirem quem é considerado repórter, o que altera, fundamentalmente, o sistema existente em Hong Kong.  (...) Isto condicionará, gravemente, a liberdade de imprensa, conduzindo a cidade a um regime autoritário".

Numa carta remetida ao Hong Kong Foreign Correspondents Club , um superintendente da polícia, Kwok Ka-chuen,  tentou justificar a aplicação da emenda, afirmando que as manifestações da região semi-autónoma "atraem, frequentemente centenas de repórteres, que participam em protestos, e que agridem a polícia”.  "Isto sobrecarrega a aplicação da lei”.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Agenda
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo