Quarta-feira, 19 de Junho, 2019
Media

O dilema dos Media quando precisam de fixar assinaturas pagas

É muito fácil levantar um sistema de acesso pago a um jornal digital. Os técnicos de informática sabem como cortar a entrada livre, estabelecer um registo de utentes e abrir uma “portagem” com determinadas tarifas à escolha do leitor. Outra coisa são as consequências deste muro  -  se deixa passar uma torrente de dinheiro ou de dívidas...

Os media sentem-se tentados por esta ideia, mas alguns que já o fizeram, como El País ou Vertele, tiveram resultados catastróficos e voltaram ao acesso gratuito. Um jornal interessado em seguir por este caminho deve fazer as perguntas certas antes de tomar decisões baseando-se no que foi feito pela concorrência, ou no que funciona com The New York Times, ou no que lhe disse o “guru” mais na moda.

E as perguntas certas são as mesmas que se aprendem na escola de jornalismo  -  o quê, quem, porquê, onde e quando. Que devem ser feitas, em última instância, aos leitores que se procura conquistar. A reflexão é de Miguel Ossorio Vega, em Media-tics.

O autor que aqui citamos desdobra as cinco perguntas  - com o seu conselho de utilização -  do seguinte modo:

  1.  -  O que é que se vai cobrar?  O primeiro passo é esclarecer quais são os conteúdos que vão ficar abrigados por essa paywall  - que define a sua própria natureza. Uma das tendências com maior projecção é a dos modelos freemium, que deixam em acesso livre as notícias, reservando trabalhos exclusivos, reportagens ou textos de opinião.
  2.  -  Quem vai pagar?  É preciso conhecer o perfil dos vários grupos de leitores que frequentam o jornal em causa, e depois ajustar os modelos de assinatura a cada um deles. Mas a Imprensa responsável não é friendly com toda a gente, como a Netflix, se quiser assumir a sua responsabilidade de guardiã e vigilante. O que conduz à pergunta seguinte.
  3.  -  Por que motivo queremos cobrar?  O jornal que somos tem a estrutura adequada para exigir aos leitores que paguem o nosso produto? Merecemos isso? Teremos de lhes explicar por que razão lhes pedimos que dêem uma parte do seu vencimento para nos sustentar. O motivo tem que ter peso convincente.
  4.  -  Onde vamos cobrar?  Os jornais digitais são, em princípio, de alcance internacional. Mas o primeiro passo é decidir qual vai ser o seu mercado objectivo. Um conselho básico será o de não se fechar a ninguém e procurar leitores em qualquer espaço de mercado em que o meio em causa tenha presença demonstrada ou potencial.
  5.  -  Quando se vai cobrar?  A maioria dos jornais que instala um muro “poroso” oferece um determinado número de notícias grátis por dia, ou por mês, a partir das quais o leitor tem de pagar. Mas há sempre modos de saltar por cima. E há jornais que o mantêm, mesmo sabendo disso. E outros, como eldiario.es, conseguem que mais de 30 mil pessoas paguem por conteúdos que até podiam ler de graça. The Guardian faz o mesmo. Tornaram-se referência no mundo das assinaturas. Também se podem pedir aos leitores “excentricidades” como a de pagarem só a partir da notícia nº 25, em Política, por exemplo, mas a partir da nº 5 em Desportos... Ou o contrário, desde que seja decidido com cabeça e conhecimento dos dados.

 

No final de tudo isto, o conselho de Ossorio Vega é que estas perguntas sejam dirigidas aos próprios leitores, “sem receio nem pudor”. Perguntas que eles vão responder e podem esclarecer a decisão do jornal em causa.

 

O texto aqui citado, na íntegra em Media-tics.

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo. A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
Agenda
21
Jun
Social Media Day: Halifax
09:00 @ Halifax, Nova Escócia, Canadá
22
Jun
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa
25
Jun
Big Day of Data
09:00 @ Savoy Place, Londres
02
Jul
The Children’s Media Conference
16:00 @ Sheffield,Reino Unido