Quarta-feira, 23 de Outubro, 2019
Media

O dilema dos Media quando precisam de fixar assinaturas pagas

É muito fácil levantar um sistema de acesso pago a um jornal digital. Os técnicos de informática sabem como cortar a entrada livre, estabelecer um registo de utentes e abrir uma “portagem” com determinadas tarifas à escolha do leitor. Outra coisa são as consequências deste muro  -  se deixa passar uma torrente de dinheiro ou de dívidas...

Os media sentem-se tentados por esta ideia, mas alguns que já o fizeram, como El País ou Vertele, tiveram resultados catastróficos e voltaram ao acesso gratuito. Um jornal interessado em seguir por este caminho deve fazer as perguntas certas antes de tomar decisões baseando-se no que foi feito pela concorrência, ou no que funciona com The New York Times, ou no que lhe disse o “guru” mais na moda.

E as perguntas certas são as mesmas que se aprendem na escola de jornalismo  -  o quê, quem, porquê, onde e quando. Que devem ser feitas, em última instância, aos leitores que se procura conquistar. A reflexão é de Miguel Ossorio Vega, em Media-tics.

O autor que aqui citamos desdobra as cinco perguntas  - com o seu conselho de utilização -  do seguinte modo:

  1.  -  O que é que se vai cobrar?  O primeiro passo é esclarecer quais são os conteúdos que vão ficar abrigados por essa paywall  - que define a sua própria natureza. Uma das tendências com maior projecção é a dos modelos freemium, que deixam em acesso livre as notícias, reservando trabalhos exclusivos, reportagens ou textos de opinião.
  2.  -  Quem vai pagar?  É preciso conhecer o perfil dos vários grupos de leitores que frequentam o jornal em causa, e depois ajustar os modelos de assinatura a cada um deles. Mas a Imprensa responsável não é friendly com toda a gente, como a Netflix, se quiser assumir a sua responsabilidade de guardiã e vigilante. O que conduz à pergunta seguinte.
  3.  -  Por que motivo queremos cobrar?  O jornal que somos tem a estrutura adequada para exigir aos leitores que paguem o nosso produto? Merecemos isso? Teremos de lhes explicar por que razão lhes pedimos que dêem uma parte do seu vencimento para nos sustentar. O motivo tem que ter peso convincente.
  4.  -  Onde vamos cobrar?  Os jornais digitais são, em princípio, de alcance internacional. Mas o primeiro passo é decidir qual vai ser o seu mercado objectivo. Um conselho básico será o de não se fechar a ninguém e procurar leitores em qualquer espaço de mercado em que o meio em causa tenha presença demonstrada ou potencial.
  5.  -  Quando se vai cobrar?  A maioria dos jornais que instala um muro “poroso” oferece um determinado número de notícias grátis por dia, ou por mês, a partir das quais o leitor tem de pagar. Mas há sempre modos de saltar por cima. E há jornais que o mantêm, mesmo sabendo disso. E outros, como eldiario.es, conseguem que mais de 30 mil pessoas paguem por conteúdos que até podiam ler de graça. The Guardian faz o mesmo. Tornaram-se referência no mundo das assinaturas. Também se podem pedir aos leitores “excentricidades” como a de pagarem só a partir da notícia nº 25, em Política, por exemplo, mas a partir da nº 5 em Desportos... Ou o contrário, desde que seja decidido com cabeça e conhecimento dos dados.

 

No final de tudo isto, o conselho de Ossorio Vega é que estas perguntas sejam dirigidas aos próprios leitores, “sem receio nem pudor”. Perguntas que eles vão responder e podem esclarecer a decisão do jornal em causa.

 

O texto aqui citado, na íntegra em Media-tics.

Connosco
Jornalistas deverão estar prevenidos para identificar e corrigir notícias falsas... Ver galeria

Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

É importante reconhecer que as fake news existem, que estamos expostos a essas falsas informações, mas, se quisermos combatê-las, é indispensável procurar a sua origem, a sua forma de disseminação e analisar as consequências sociais e políticas.

É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

Suspensão de acordo do “Brexit” dividiu a imprensa britânica Ver galeria

Suspensa a aprovação do acordo no Parlamento britânico até que haja a regulamentação apropriada, a imprensa londrina apresentou-se dividida em relação ao Brexit.

Por um lado, a esperança de evitar um “não acordo” e uma saída abrupta, por outro a exaltação em relação à votação. 

Os media ingleses evidenciaram posições antagónicas em relação aos últimos acontecimentos e isso foi claro pela forma como abordaram a situação. 

Enquanto que o Sunday Express assumiu uma postura pró-Brexit e foi mais hostil com os deputados, acusando-os de atrasarem o processo, o Independent preferiu focar-se nas ruas, onde perto de um milhão de cidadãos se manifestaram para exigir que lhes seja dada a palavra final. Por sua vez, o Observer realçou a derrota do primeiro ministro, que se viu forçado a suspender a aprovação do acordo.

Le Monde publicou, entretanto, um texto no qual é feita uma análise dos media britânicos neste contexto.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


ver mais >
Opinião
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Agenda
28
Out
Fotojornalismo e Direitos de Autor
09:00 @ Cenjor, Lisboa
01
Nov
1º Congresso Internacional de Rádios Lusófonas
14:30 @ Angra do Heroísmo, Açores
19
Nov
Connections Europe
09:00 @ Marriott Hotel, Amsterdão
21
Nov