Sábado, 20 de Abril, 2019
Media

O dilema dos Media quando precisam de fixar assinaturas pagas

É muito fácil levantar um sistema de acesso pago a um jornal digital. Os técnicos de informática sabem como cortar a entrada livre, estabelecer um registo de utentes e abrir uma “portagem” com determinadas tarifas à escolha do leitor. Outra coisa são as consequências deste muro  -  se deixa passar uma torrente de dinheiro ou de dívidas...

Os media sentem-se tentados por esta ideia, mas alguns que já o fizeram, como El País ou Vertele, tiveram resultados catastróficos e voltaram ao acesso gratuito. Um jornal interessado em seguir por este caminho deve fazer as perguntas certas antes de tomar decisões baseando-se no que foi feito pela concorrência, ou no que funciona com The New York Times, ou no que lhe disse o “guru” mais na moda.

E as perguntas certas são as mesmas que se aprendem na escola de jornalismo  -  o quê, quem, porquê, onde e quando. Que devem ser feitas, em última instância, aos leitores que se procura conquistar. A reflexão é de Miguel Ossorio Vega, em Media-tics.

O autor que aqui citamos desdobra as cinco perguntas  - com o seu conselho de utilização -  do seguinte modo:

  1.  -  O que é que se vai cobrar?  O primeiro passo é esclarecer quais são os conteúdos que vão ficar abrigados por essa paywall  - que define a sua própria natureza. Uma das tendências com maior projecção é a dos modelos freemium, que deixam em acesso livre as notícias, reservando trabalhos exclusivos, reportagens ou textos de opinião.
  2.  -  Quem vai pagar?  É preciso conhecer o perfil dos vários grupos de leitores que frequentam o jornal em causa, e depois ajustar os modelos de assinatura a cada um deles. Mas a Imprensa responsável não é friendly com toda a gente, como a Netflix, se quiser assumir a sua responsabilidade de guardiã e vigilante. O que conduz à pergunta seguinte.
  3.  -  Por que motivo queremos cobrar?  O jornal que somos tem a estrutura adequada para exigir aos leitores que paguem o nosso produto? Merecemos isso? Teremos de lhes explicar por que razão lhes pedimos que dêem uma parte do seu vencimento para nos sustentar. O motivo tem que ter peso convincente.
  4.  -  Onde vamos cobrar?  Os jornais digitais são, em princípio, de alcance internacional. Mas o primeiro passo é decidir qual vai ser o seu mercado objectivo. Um conselho básico será o de não se fechar a ninguém e procurar leitores em qualquer espaço de mercado em que o meio em causa tenha presença demonstrada ou potencial.
  5.  -  Quando se vai cobrar?  A maioria dos jornais que instala um muro “poroso” oferece um determinado número de notícias grátis por dia, ou por mês, a partir das quais o leitor tem de pagar. Mas há sempre modos de saltar por cima. E há jornais que o mantêm, mesmo sabendo disso. E outros, como eldiario.es, conseguem que mais de 30 mil pessoas paguem por conteúdos que até podiam ler de graça. The Guardian faz o mesmo. Tornaram-se referência no mundo das assinaturas. Também se podem pedir aos leitores “excentricidades” como a de pagarem só a partir da notícia nº 25, em Política, por exemplo, mas a partir da nº 5 em Desportos... Ou o contrário, desde que seja decidido com cabeça e conhecimento dos dados.

 

No final de tudo isto, o conselho de Ossorio Vega é que estas perguntas sejam dirigidas aos próprios leitores, “sem receio nem pudor”. Perguntas que eles vão responder e podem esclarecer a decisão do jornal em causa.

 

O texto aqui citado, na íntegra em Media-tics.

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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