Sábado, 20 de Abril, 2019
Estudo

As doze estratégias para melhorar o negócio dos media

A receita proveniente dos leitores e os conteúdos pagos são as duas primeiras estratégias de crescimento referidas, numa lista de doze, pelo Relatório sobre “Inovação nos Media 2019-2020”, agora revelado pela FIPP – International Federation of Periodical Publishers. E a que aparece em terceiro lugar é, curiosamente, a da publicidade, que “não está morta”, mas subiu 7,2% em 2018  - a maior taxa de crescimento desde 2010.

Esta 10ª edição do Innovation in Media 2019-2020 World Report  foi apresentada a meio milhar de responsáveis pelos media de mais de 40 países, durante a Cimeira dos Inovadores Digitais, realizada em Berlim a 25 de Março.

O texto de síntese do documento, no site da FIPP, afirma que são estas “as doze melhores e mais comprovadas estratégias de negócio já usadas para aumentar fontes de receita” e que as actuais empresas de media “precisam de adoptar pelo menos três destes modelos de negócio para terem hipótese de ser bem sucedidas nesta indústria, no séc. XXI”.

O texto do estudo é de acesso gratuito aos membros da FIPP, podendo ser adquirido online por outros interessados. Na impossibilidade de citar o original, mencionamos aqui alguma da informação prestada. 

Cada um dos doze capítulos referidos cita exemplos concretos. John Wilpers, um dos dois autores do relatório, diz que a receita proveniente dos leitores é o grande “tema do dia”: 

Um dos grandes motivos para isto é que as pessoas estão cada vez mais disponíveis para pagarem bons conteúdos num mundo em que há uma proliferação de maus conteúdos espalhados pela Internet. 

“Há por aí tanto mau conteúdo que as pessoas estão, finalmente, desejosas de pagar por bom conteúdo. Seguros disto, os editores estão a sentir-se mais confiantes em vender o seu conteúdo.” 

Wilpers acrescenta que “os que tiveram êxito em converter o alcance [de audiência] em assinaturas pagas usaram várias estatégias para lá chegar, desde as newsletters regulares, cobrindo temas ‘de nicho’, oferta de assinaturas personalizadas e apontando a grupos de afinidade, no Facebook e na Google, com posts pagos e palavras-passe de busca pagas”. 

O seu exemplo é The New Yorker, “onde a receita dos leitores já ultrapassa a da publicidade, em 65% contra 35%”. 

O que ele descreve como “a cereja em cima do bolo” é o facto de “os editores terem compreendido que o crescimento das assinaturas está a trazer novas receitas da publicidade, porque o crescimento da circulação paga é um argumento de venda para as marcas”. 

Outra revelação do estudo foi a de que a flexibilidade nas paywalls “teve o maior sucesso na conversão do alcance dos conteúdos para assinaturas”. Os editores aprenderam que não é verdade que “o mesmo formato sirva para tudo”. 

O exemplo citado é o do Neue Zürcher Zeitung, um diário suíço de língua alemã, de Zurique, que personalizou a paywall  em função de 150 variáveis, derivadas de análise de dados, incluindo a frequência de visitas e machine learning, entre outras. 

“Esta estratégia de paywall flexível  - agora conhecida como ‘portagens’ -  aumentou a conversão de alcance para assinaturas em cinco vezes mais, ao longo de três anos. O site do NNZ tem quase 600 mil utentes registados, um aumento de mais de 40 por cento desde 2017, acrescentando entre dez mil e vinte mil utentes por mês.” (...) 

O segundo dos autores citados, Andrew Rolf, afirma que “os editores começam a compreender que a melhor forma de combaterem o assim chamado ‘duopólio’ é oferecerem algo que estes ‘enormes gigantes tecnológicos’ não podem oferecer  - competência editorial.” (...)

 

Mais informação no site da FIPP  e em Innovation.Media

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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