Sábado, 20 de Abril, 2019
Evento

Como fomentar na juventude o gosto pela leitura crítica da Imprensa

Centenas de estudantes entre os 14 e os 17 anos, dos estabelecimentos de ensino da Comunidad de Madrid, estão a participar na 11ª edição dos seminários de “Fomento da Leitura de Imprensa na Escola”, um projecto da APM – Asociación de la Prensa de Madrid com a Obra Social ‘la Caixa’. O tema deste ano é como distinguir uma informação autêntica de uma falsa, ou de um boato, nos meios de comunicação.

Na jornada inaugural, realizada no Instituto San Isidro, a Presidente da APM, Victoria Prego, sublinhou a necessidade de uma “atitude crítica” perante o que é publicado, exortando os alunos presentes a manterem uma “consciência autodefensiva” em relação ao que lhes chega pelo telemóvel, “porque nem tudo é verdade”.

“A Informação é a armadura que vestem os cidadãos nas democracias livres”  - afirmou.

A Presidente da APM  - associação com a qual mantemos um acordo de parceria -  defendeu o papel do jornalismo como “referente sólido e fiável, em termos gerais, da realidade”, recomendando aos alunos que encarem as muitas informações que recebem “com alguma distância, sobretudo se são anónimas”. 

Perante esse tipo de conteúdos, Victoria Prego propõs o recurso ao jornalismo para conferir informações, sublinhando que os media, em papel ou edição digital, ostentam um cabeçalho, um título e uma empresa identificada, o que significa “um autor responsável pelo que ali se publica, e a quem podem ser exigidas responsabilidades”. 

A sessão inaugural teve como moderador Alfonso Sánchez, secretário-geral da APM, que comentou a importância deste projecto pioneiro de literacia mediática para os jovens, na medida em que a formação prestada “contribui para que, a partir da vossa idade, se comece a distinguir entre uma Imprensa bem feita e aquela que apenas pretende manipular as consciências por meio de mentiras fabricadas”. 

O responsável pela Comunicação na Fundação Bancária ‘la Caixa’ em Madrid, Juan Antonio Garcia Fermosel, referiu-se também à necessidade de “de contarmos com uma cidadania formada, que saiba consumir a informação que aparece nos media, de forma responsável e com juízo crítico”. 

Desde 2009, este programa já chegou a mais de 15 mil alunos e a 65 estabelecimentos de ensino. A edição de 2018 superou todas as expectativas, contando com a participação de mais de 2.100 estudantes, de 31 colégios e institutos.

 

Mais informação na Asociación de la Prensa de Madrid

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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