Terça-feira, 21 de Janeiro, 2020
Media

Portugal figura no "top ten" da UE com "sites" bloqueados

No contexto do combate à desinformação no espaço da União Europeia, a plataforma Google já bloqueou, só no mês de Janeiro, 244 contas de utilizadores baseados em Portugal. Foram ainda bloqueadas, no nosso país, outras 38 contas, “por violarem as regras de conteúdo original insuficiente  – e que engloba sites cujo principal propósito é mostrarem publicidade, ou então cujos conteúdos foram copiados de outras plataformas”.

Em Janeiro foram bloqueadas 48 mil contas na plataforma Google Ads, com o Reino Unido (16 mil), a Estónia (12 mi) e a Roménia (8 mil) a liderarem o número. Embora com valores mais baixos, Portugal encontra-se no top 10 dos países com maior número de bloqueios só no primeiro mês do ano.

Estes dados  - que aqui citamos do DN-Insider, "foram revelados no primeiro relatório, sobre este tema, que a Google entregou, em Fevereiro, à Comissão Europeia".

O Diário de Notícias recorda que, no ano de 2018, e depois de ter publicado uma investigação sobre os sites que difundiam fake news, a Google bloqueou a publicidade em pelo menos dez desses sites. “Na verdade, terá sido a grande atenção dos media tradicionais ao fenómeno que contribuiu para as acções do gigante tecnológico, como se explica no relatório agora divulgado.”

Numa videoconferência recente com jornalistas europeus, e na qual a Insider/Dinheiro Vivo participou, Mark Howe, líder da Google na Europa, Oriente Médio e África (EMEA) para a relação com a indústria dos anunciantes, não revelou quanto é que a empresa já pagou em publicidade digital aos sites que publicam as chamadas fake news

“Não sei quanto é e não quero especular, porque a maioria das pessoas não iria perceber”  - disse, para depois acrescentar:

“O que estamos a tentar alcançar é fazer com que seja zero. Aquilo que estamos a tentar fazer é proteger os anunciantes e proteger a saúde do ecossistema no geral, ao tirá-los [sites de fake news] do sistema.” (...) 

Segundo o Observador, a chefe da Unidade de Comunicação Estratégica da Comissão Europeia, Tina Zournatzi, tinha admitido, a 21 de Fevereiro, que “esperava mais” dos primeiros relatórios das plataformas que aderiram ao código de conduta contra a desinformação: 

“Não ficámos particularmente entusiasmados com os relatórios”, afirmou Tina Zournatzi, que intervinha em Lisboa na conferência “Combate às ‘fake news’ — uma questão democrática”, organizada pelas agências de notícias Lusa e EFE, de Espanha. 

“A especialista grega salientou que o código de conduta que a Comissão Europeia pôs em prática para combater a desinformação foi assinado por algumas empresas de publicidade, bem como pelo Facebook, Google, Mozilla e Twitter:

“Esta é a primeira vez, globalmente, que a indústria consente de forma voluntária criar estes critérios de autorregulação para combater a desinformação”  - referiu. 

O Observador  “faz parte de uma rede europeia de verificação de factos que vai analisar declarações de políticos e notícias falsas que surjam durante a pré-campanha e campanha das eleições Europeias: o FactCheckEU. O objectivo é desmontar e travar os vários tipos de desinformação e fake news que vão surgir antes das eleições de Maio de 2019. A plataforma conta com 19 órgãos de comunicação europeus de 13 países e o trabalho (os fact checks) vão ser partilhados em dez línguas, sendo uma delas o português — o que se tornou possível devido à participação do Observador”. 

No mesmo texto do Observador que aqui citamos é descrita a lista completa desses 18 media europeus, mais três norte-americanos  - o PoliticFact, a Associated Press e The Washington Post

É também explicado de que modo poderão os leitores interagir com a plataforma de fact-checking  criada por estes meios, incluindo a colocação de perguntas formuladas pelos interessados. 

“O FactCheckEU é totalmente independente de quaisquer instituições europeias e outros actores governamentais. A plataforma foi criada pelo Libération e a Datagif graças a uma subvenção de apoio à inovação da International Fact-Checking Network, no Instituto Poynter. Recebeu também o apoio da Google News Initiative, parceiro de longo prazo da IFCN, e da Open Society Initiative for Europe.”

 

Mais informação no DN  e no Observador

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
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