Segunda-feira, 19 de Agosto, 2019
Media

Portugal figura no "top ten" da UE com "sites" bloqueados

No contexto do combate à desinformação no espaço da União Europeia, a plataforma Google já bloqueou, só no mês de Janeiro, 244 contas de utilizadores baseados em Portugal. Foram ainda bloqueadas, no nosso país, outras 38 contas, “por violarem as regras de conteúdo original insuficiente  – e que engloba sites cujo principal propósito é mostrarem publicidade, ou então cujos conteúdos foram copiados de outras plataformas”.

Em Janeiro foram bloqueadas 48 mil contas na plataforma Google Ads, com o Reino Unido (16 mil), a Estónia (12 mi) e a Roménia (8 mil) a liderarem o número. Embora com valores mais baixos, Portugal encontra-se no top 10 dos países com maior número de bloqueios só no primeiro mês do ano.

Estes dados  - que aqui citamos do DN-Insider, "foram revelados no primeiro relatório, sobre este tema, que a Google entregou, em Fevereiro, à Comissão Europeia".

O Diário de Notícias recorda que, no ano de 2018, e depois de ter publicado uma investigação sobre os sites que difundiam fake news, a Google bloqueou a publicidade em pelo menos dez desses sites. “Na verdade, terá sido a grande atenção dos media tradicionais ao fenómeno que contribuiu para as acções do gigante tecnológico, como se explica no relatório agora divulgado.”

Numa videoconferência recente com jornalistas europeus, e na qual a Insider/Dinheiro Vivo participou, Mark Howe, líder da Google na Europa, Oriente Médio e África (EMEA) para a relação com a indústria dos anunciantes, não revelou quanto é que a empresa já pagou em publicidade digital aos sites que publicam as chamadas fake news

“Não sei quanto é e não quero especular, porque a maioria das pessoas não iria perceber”  - disse, para depois acrescentar:

“O que estamos a tentar alcançar é fazer com que seja zero. Aquilo que estamos a tentar fazer é proteger os anunciantes e proteger a saúde do ecossistema no geral, ao tirá-los [sites de fake news] do sistema.” (...) 

Segundo o Observador, a chefe da Unidade de Comunicação Estratégica da Comissão Europeia, Tina Zournatzi, tinha admitido, a 21 de Fevereiro, que “esperava mais” dos primeiros relatórios das plataformas que aderiram ao código de conduta contra a desinformação: 

“Não ficámos particularmente entusiasmados com os relatórios”, afirmou Tina Zournatzi, que intervinha em Lisboa na conferência “Combate às ‘fake news’ — uma questão democrática”, organizada pelas agências de notícias Lusa e EFE, de Espanha. 

“A especialista grega salientou que o código de conduta que a Comissão Europeia pôs em prática para combater a desinformação foi assinado por algumas empresas de publicidade, bem como pelo Facebook, Google, Mozilla e Twitter:

“Esta é a primeira vez, globalmente, que a indústria consente de forma voluntária criar estes critérios de autorregulação para combater a desinformação”  - referiu. 

O Observador  “faz parte de uma rede europeia de verificação de factos que vai analisar declarações de políticos e notícias falsas que surjam durante a pré-campanha e campanha das eleições Europeias: o FactCheckEU. O objectivo é desmontar e travar os vários tipos de desinformação e fake news que vão surgir antes das eleições de Maio de 2019. A plataforma conta com 19 órgãos de comunicação europeus de 13 países e o trabalho (os fact checks) vão ser partilhados em dez línguas, sendo uma delas o português — o que se tornou possível devido à participação do Observador”. 

No mesmo texto do Observador que aqui citamos é descrita a lista completa desses 18 media europeus, mais três norte-americanos  - o PoliticFact, a Associated Press e The Washington Post

É também explicado de que modo poderão os leitores interagir com a plataforma de fact-checking  criada por estes meios, incluindo a colocação de perguntas formuladas pelos interessados. 

“O FactCheckEU é totalmente independente de quaisquer instituições europeias e outros actores governamentais. A plataforma foi criada pelo Libération e a Datagif graças a uma subvenção de apoio à inovação da International Fact-Checking Network, no Instituto Poynter. Recebeu também o apoio da Google News Initiative, parceiro de longo prazo da IFCN, e da Open Society Initiative for Europe.”

 

Mais informação no DN  e no Observador

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História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

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É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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