Quarta-feira, 19 de Junho, 2019
Media

Portugal figura no "top ten" da UE com "sites" bloqueados

No contexto do combate à desinformação no espaço da União Europeia, a plataforma Google já bloqueou, só no mês de Janeiro, 244 contas de utilizadores baseados em Portugal. Foram ainda bloqueadas, no nosso país, outras 38 contas, “por violarem as regras de conteúdo original insuficiente  – e que engloba sites cujo principal propósito é mostrarem publicidade, ou então cujos conteúdos foram copiados de outras plataformas”.

Em Janeiro foram bloqueadas 48 mil contas na plataforma Google Ads, com o Reino Unido (16 mil), a Estónia (12 mi) e a Roménia (8 mil) a liderarem o número. Embora com valores mais baixos, Portugal encontra-se no top 10 dos países com maior número de bloqueios só no primeiro mês do ano.

Estes dados  - que aqui citamos do DN-Insider, "foram revelados no primeiro relatório, sobre este tema, que a Google entregou, em Fevereiro, à Comissão Europeia".

O Diário de Notícias recorda que, no ano de 2018, e depois de ter publicado uma investigação sobre os sites que difundiam fake news, a Google bloqueou a publicidade em pelo menos dez desses sites. “Na verdade, terá sido a grande atenção dos media tradicionais ao fenómeno que contribuiu para as acções do gigante tecnológico, como se explica no relatório agora divulgado.”

Numa videoconferência recente com jornalistas europeus, e na qual a Insider/Dinheiro Vivo participou, Mark Howe, líder da Google na Europa, Oriente Médio e África (EMEA) para a relação com a indústria dos anunciantes, não revelou quanto é que a empresa já pagou em publicidade digital aos sites que publicam as chamadas fake news

“Não sei quanto é e não quero especular, porque a maioria das pessoas não iria perceber”  - disse, para depois acrescentar:

“O que estamos a tentar alcançar é fazer com que seja zero. Aquilo que estamos a tentar fazer é proteger os anunciantes e proteger a saúde do ecossistema no geral, ao tirá-los [sites de fake news] do sistema.” (...) 

Segundo o Observador, a chefe da Unidade de Comunicação Estratégica da Comissão Europeia, Tina Zournatzi, tinha admitido, a 21 de Fevereiro, que “esperava mais” dos primeiros relatórios das plataformas que aderiram ao código de conduta contra a desinformação: 

“Não ficámos particularmente entusiasmados com os relatórios”, afirmou Tina Zournatzi, que intervinha em Lisboa na conferência “Combate às ‘fake news’ — uma questão democrática”, organizada pelas agências de notícias Lusa e EFE, de Espanha. 

“A especialista grega salientou que o código de conduta que a Comissão Europeia pôs em prática para combater a desinformação foi assinado por algumas empresas de publicidade, bem como pelo Facebook, Google, Mozilla e Twitter:

“Esta é a primeira vez, globalmente, que a indústria consente de forma voluntária criar estes critérios de autorregulação para combater a desinformação”  - referiu. 

O Observador  “faz parte de uma rede europeia de verificação de factos que vai analisar declarações de políticos e notícias falsas que surjam durante a pré-campanha e campanha das eleições Europeias: o FactCheckEU. O objectivo é desmontar e travar os vários tipos de desinformação e fake news que vão surgir antes das eleições de Maio de 2019. A plataforma conta com 19 órgãos de comunicação europeus de 13 países e o trabalho (os fact checks) vão ser partilhados em dez línguas, sendo uma delas o português — o que se tornou possível devido à participação do Observador”. 

No mesmo texto do Observador que aqui citamos é descrita a lista completa desses 18 media europeus, mais três norte-americanos  - o PoliticFact, a Associated Press e The Washington Post

É também explicado de que modo poderão os leitores interagir com a plataforma de fact-checking  criada por estes meios, incluindo a colocação de perguntas formuladas pelos interessados. 

“O FactCheckEU é totalmente independente de quaisquer instituições europeias e outros actores governamentais. A plataforma foi criada pelo Libération e a Datagif graças a uma subvenção de apoio à inovação da International Fact-Checking Network, no Instituto Poynter. Recebeu também o apoio da Google News Initiative, parceiro de longo prazo da IFCN, e da Open Society Initiative for Europe.”

 

Mais informação no DN  e no Observador

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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