Sábado, 20 de Abril, 2019
Media

"Chuva de dinheiro" público "afoga" os Media catalães...

As administrações públicas da Catalunha têm destinado cerca de 36 milhões de euros por ano aos meios de comunicação, sem contar que a televisão autonómica é a que tem o maior orçamento de quantas há em Espanha. E La Vanguardia é o jornal privado mais beneficiado, em termos absolutos, por esta “chuva de milhões”, embora haja títulos mais modestos em que mais de 60% da receita vem dos cofres públicos.

A informação é de Miguel Ossorio Vega, em Media-tics, que cita o estudo El finançament públic dels mitjans de comunicació a Catalunya, elaborado pela Universidad Autónoma de Barcelona, segundo o qual foi esta a importância atribuída em 2017 a meios de todas as tendências, a mesma de 2016.

Como comenta a seguir, “é realmente complicado encontrar um único meio de comunicação, neste país, que, de uma ou outra forma, não esteja ligado a algum tipo de interesse político”.

A maior parte desses 30 milhões foi para publicidade institucional, 21,9 dos quais saídos da Generalitat, ainda segundo o estudo citado. 

Como curiosidade em termos comparativos, o autor recorda que a Comunidad de Madrid destinou 4,9 milhões de euros para publicidade institucional. E estes quase 22 milhões da Generalitat estão muito acima dos 15,2 milhões que o governo regional de Esperanza Aguirre destinou, em 2010, à mesma publicidade institucional. 

Voltando ao dinheiro catalão, outros 7,6% vinham dos ayuntamientos [autarquias municipais]. Só o Ayuntamiento de Barcelona, segundo o seu Portal de Transparencia, destinou em 2017 quase 10 milhões de euros a publicidade institucional, dos quais 3,1 milhões foram para a Imprensa diária. (...) 

Como conta ainda o texto de Ossorio Vega, dos 36 milhões de euros totais, sete meios de comunicação ficaram com 25 milhões. Uma desigualdade de tratamento, em que se destacam os 5,4 milhões que recebeu em 2017 La Vanguardia, os 5,3 do El Periodico, ou os 4,9 de El Punt Avui. Este último certamente recebeu mais das administrações catalãs, ao ponto de quase um terço da sua receita ser procedente de dinheiro público. (...) 

O autor destaca o caso da emissora de rádio Flaix FM, que em 2017 recebeu 880 mil euros em publicidade institucional, recordando que “foi fundada por Miquel Calçada, que fora em 2015 candidato nas eleições ao Parlamento da Catalunha pelo grupo Junts pel Sí, a coligação que partidos nacionalistas e independentistas que levou Carles Puigdemont ao Palau da Generalitat e depois a Waterloo, na Bélgica”. (...)

 

O texto aqui citado, na íntegra em Media-tics

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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