Quarta-feira, 19 de Junho, 2019
Media

"Chuva de dinheiro" público "afoga" os Media catalães...

As administrações públicas da Catalunha têm destinado cerca de 36 milhões de euros por ano aos meios de comunicação, sem contar que a televisão autonómica é a que tem o maior orçamento de quantas há em Espanha. E La Vanguardia é o jornal privado mais beneficiado, em termos absolutos, por esta “chuva de milhões”, embora haja títulos mais modestos em que mais de 60% da receita vem dos cofres públicos.

A informação é de Miguel Ossorio Vega, em Media-tics, que cita o estudo El finançament públic dels mitjans de comunicació a Catalunya, elaborado pela Universidad Autónoma de Barcelona, segundo o qual foi esta a importância atribuída em 2017 a meios de todas as tendências, a mesma de 2016.

Como comenta a seguir, “é realmente complicado encontrar um único meio de comunicação, neste país, que, de uma ou outra forma, não esteja ligado a algum tipo de interesse político”.

A maior parte desses 30 milhões foi para publicidade institucional, 21,9 dos quais saídos da Generalitat, ainda segundo o estudo citado. 

Como curiosidade em termos comparativos, o autor recorda que a Comunidad de Madrid destinou 4,9 milhões de euros para publicidade institucional. E estes quase 22 milhões da Generalitat estão muito acima dos 15,2 milhões que o governo regional de Esperanza Aguirre destinou, em 2010, à mesma publicidade institucional. 

Voltando ao dinheiro catalão, outros 7,6% vinham dos ayuntamientos [autarquias municipais]. Só o Ayuntamiento de Barcelona, segundo o seu Portal de Transparencia, destinou em 2017 quase 10 milhões de euros a publicidade institucional, dos quais 3,1 milhões foram para a Imprensa diária. (...) 

Como conta ainda o texto de Ossorio Vega, dos 36 milhões de euros totais, sete meios de comunicação ficaram com 25 milhões. Uma desigualdade de tratamento, em que se destacam os 5,4 milhões que recebeu em 2017 La Vanguardia, os 5,3 do El Periodico, ou os 4,9 de El Punt Avui. Este último certamente recebeu mais das administrações catalãs, ao ponto de quase um terço da sua receita ser procedente de dinheiro público. (...) 

O autor destaca o caso da emissora de rádio Flaix FM, que em 2017 recebeu 880 mil euros em publicidade institucional, recordando que “foi fundada por Miquel Calçada, que fora em 2015 candidato nas eleições ao Parlamento da Catalunha pelo grupo Junts pel Sí, a coligação que partidos nacionalistas e independentistas que levou Carles Puigdemont ao Palau da Generalitat e depois a Waterloo, na Bélgica”. (...)

 

O texto aqui citado, na íntegra em Media-tics

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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