Terça-feira, 21 de Janeiro, 2020
Media

"Chuva de dinheiro" público "afoga" os Media catalães...

As administrações públicas da Catalunha têm destinado cerca de 36 milhões de euros por ano aos meios de comunicação, sem contar que a televisão autonómica é a que tem o maior orçamento de quantas há em Espanha. E La Vanguardia é o jornal privado mais beneficiado, em termos absolutos, por esta “chuva de milhões”, embora haja títulos mais modestos em que mais de 60% da receita vem dos cofres públicos.

A informação é de Miguel Ossorio Vega, em Media-tics, que cita o estudo El finançament públic dels mitjans de comunicació a Catalunya, elaborado pela Universidad Autónoma de Barcelona, segundo o qual foi esta a importância atribuída em 2017 a meios de todas as tendências, a mesma de 2016.

Como comenta a seguir, “é realmente complicado encontrar um único meio de comunicação, neste país, que, de uma ou outra forma, não esteja ligado a algum tipo de interesse político”.

A maior parte desses 30 milhões foi para publicidade institucional, 21,9 dos quais saídos da Generalitat, ainda segundo o estudo citado. 

Como curiosidade em termos comparativos, o autor recorda que a Comunidad de Madrid destinou 4,9 milhões de euros para publicidade institucional. E estes quase 22 milhões da Generalitat estão muito acima dos 15,2 milhões que o governo regional de Esperanza Aguirre destinou, em 2010, à mesma publicidade institucional. 

Voltando ao dinheiro catalão, outros 7,6% vinham dos ayuntamientos [autarquias municipais]. Só o Ayuntamiento de Barcelona, segundo o seu Portal de Transparencia, destinou em 2017 quase 10 milhões de euros a publicidade institucional, dos quais 3,1 milhões foram para a Imprensa diária. (...) 

Como conta ainda o texto de Ossorio Vega, dos 36 milhões de euros totais, sete meios de comunicação ficaram com 25 milhões. Uma desigualdade de tratamento, em que se destacam os 5,4 milhões que recebeu em 2017 La Vanguardia, os 5,3 do El Periodico, ou os 4,9 de El Punt Avui. Este último certamente recebeu mais das administrações catalãs, ao ponto de quase um terço da sua receita ser procedente de dinheiro público. (...) 

O autor destaca o caso da emissora de rádio Flaix FM, que em 2017 recebeu 880 mil euros em publicidade institucional, recordando que “foi fundada por Miquel Calçada, que fora em 2015 candidato nas eleições ao Parlamento da Catalunha pelo grupo Junts pel Sí, a coligação que partidos nacionalistas e independentistas que levou Carles Puigdemont ao Palau da Generalitat e depois a Waterloo, na Bélgica”. (...)

 

O texto aqui citado, na íntegra em Media-tics

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
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