Quarta-feira, 23 de Outubro, 2019
Media

"Chuva de dinheiro" público "afoga" os Media catalães...

As administrações públicas da Catalunha têm destinado cerca de 36 milhões de euros por ano aos meios de comunicação, sem contar que a televisão autonómica é a que tem o maior orçamento de quantas há em Espanha. E La Vanguardia é o jornal privado mais beneficiado, em termos absolutos, por esta “chuva de milhões”, embora haja títulos mais modestos em que mais de 60% da receita vem dos cofres públicos.

A informação é de Miguel Ossorio Vega, em Media-tics, que cita o estudo El finançament públic dels mitjans de comunicació a Catalunya, elaborado pela Universidad Autónoma de Barcelona, segundo o qual foi esta a importância atribuída em 2017 a meios de todas as tendências, a mesma de 2016.

Como comenta a seguir, “é realmente complicado encontrar um único meio de comunicação, neste país, que, de uma ou outra forma, não esteja ligado a algum tipo de interesse político”.

A maior parte desses 30 milhões foi para publicidade institucional, 21,9 dos quais saídos da Generalitat, ainda segundo o estudo citado. 

Como curiosidade em termos comparativos, o autor recorda que a Comunidad de Madrid destinou 4,9 milhões de euros para publicidade institucional. E estes quase 22 milhões da Generalitat estão muito acima dos 15,2 milhões que o governo regional de Esperanza Aguirre destinou, em 2010, à mesma publicidade institucional. 

Voltando ao dinheiro catalão, outros 7,6% vinham dos ayuntamientos [autarquias municipais]. Só o Ayuntamiento de Barcelona, segundo o seu Portal de Transparencia, destinou em 2017 quase 10 milhões de euros a publicidade institucional, dos quais 3,1 milhões foram para a Imprensa diária. (...) 

Como conta ainda o texto de Ossorio Vega, dos 36 milhões de euros totais, sete meios de comunicação ficaram com 25 milhões. Uma desigualdade de tratamento, em que se destacam os 5,4 milhões que recebeu em 2017 La Vanguardia, os 5,3 do El Periodico, ou os 4,9 de El Punt Avui. Este último certamente recebeu mais das administrações catalãs, ao ponto de quase um terço da sua receita ser procedente de dinheiro público. (...) 

O autor destaca o caso da emissora de rádio Flaix FM, que em 2017 recebeu 880 mil euros em publicidade institucional, recordando que “foi fundada por Miquel Calçada, que fora em 2015 candidato nas eleições ao Parlamento da Catalunha pelo grupo Junts pel Sí, a coligação que partidos nacionalistas e independentistas que levou Carles Puigdemont ao Palau da Generalitat e depois a Waterloo, na Bélgica”. (...)

 

O texto aqui citado, na íntegra em Media-tics

Connosco
Jornalistas deverão estar prevenidos para identificar e corrigir notícias falsas... Ver galeria

Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

É importante reconhecer que as fake news existem, que estamos expostos a essas falsas informações, mas, se quisermos combatê-las, é indispensável procurar a sua origem, a sua forma de disseminação e analisar as consequências sociais e políticas.

É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

Suspensão de acordo do “Brexit” dividiu a imprensa britânica Ver galeria

Suspensa a aprovação do acordo no Parlamento britânico até que haja a regulamentação apropriada, a imprensa londrina apresentou-se dividida em relação ao Brexit.

Por um lado, a esperança de evitar um “não acordo” e uma saída abrupta, por outro a exaltação em relação à votação. 

Os media ingleses evidenciaram posições antagónicas em relação aos últimos acontecimentos e isso foi claro pela forma como abordaram a situação. 

Enquanto que o Sunday Express assumiu uma postura pró-Brexit e foi mais hostil com os deputados, acusando-os de atrasarem o processo, o Independent preferiu focar-se nas ruas, onde perto de um milhão de cidadãos se manifestaram para exigir que lhes seja dada a palavra final. Por sua vez, o Observer realçou a derrota do primeiro ministro, que se viu forçado a suspender a aprovação do acordo.

Le Monde publicou, entretanto, um texto no qual é feita uma análise dos media britânicos neste contexto.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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