Sexta-feira, 21 de Fevereiro, 2020
Opinião

Augusto Cid, uma obra quase monumental

por António Gomes de Almeida

Com o falecimento de Augusto Cid, desaparece um dos mais conhecidos desenhadores de Humor portugueses, com uma obra que pode considerar-se quase monumental. Desenhou milhares de cartoons, fez livros, e até teve a suprema honra de ver parte da sua obra apreendida – depois do 25 de Abril (!) – e tornou-se conhecido, entre outras, por estas duas razões: pelas piadas sibilinas lançadas contra o general Ramalho Eanes, e por fazer parte do combativo grupo das individualidades que acreditaram sempre, firmemente, ter sido a morte de Francisco Sá Carneiro provocada, não por um por um acidente, mas por um atentado.

No cartoon, era imbatível, em quantidade e qualidade. Quando ele aparecia, nas reuniões de redacção das quintas-feiras do semanário “Parada da Paródia”, de que fui director, e foi editado pelos Parodiantes de Lisboa, em 1960/61, vinha montado na sua mota, e já sabíamos que trazia, na pasta dos originais, material sempre de grande qualidade.

Havia um assunto que o motivava particularmente: a tourada. Fez muitos bonecos e até páginas inteiras dedicadas a esse tema, e os seus cavaleiros tauromáquicos tinham mesmo muita piada. Aliás, por falar em cavalos, nem toda a gente sabe que o Augusto Cid era, igualmente, um talentoso escultor, e se dedicava particularmente a esculpir cavalos, com uma expressão e um movimento espectaculares.

Aliás, nos seus regulares contactos com os Estados Unidos, onde foi expor durante anos, tornou-se uma rotina anual a sua apresentação de esculturas de cavalos, apreciadíssimas pelos americanos.

Lembro-me da mais longa conversa que tive com o Cid. Foi durante uma compridíssima viagem de camioneta, de Lisboa a Vila Real de Trás-os-Montes, onde íamos fazer parte do júri do primeiro Salão Nacional de Caricatura, organizado pelo Osvaldo de Sousa e patrocinado pela Regisconta. O Cid, que não era lá muito falador, teve então tempo suficiente para me contar alguns episódios da sua vida, que me revelaram um homem muito sensível e generoso, defensor de causas que considerava justas, e com uma capacidade de trabalho verdadeiramente notável.

Trabalhou comigo na “Parada da Paródia”, e só não trabalhou noutros projectos meus, posteriores, porque, entretanto, a sua colaboração com outros jornais e revistas o manteve sempre muito atarefado e cheio de trabalho. No entanto, ainda tive o privilégio de contar com ele para uma exposição que foi feita no Museu Rafael Bordalo Pinheiro, em Outubro de 1989, integrada num projecto ambicioso, segundo o qual a nova Galeria daquele Museu, então em construção, viria a ser a sede e a base de um “Museu do Humor”, generosamente oferecido pela Câmara Municipal de Lisboa, e pelo seu presidente, Nuno Abecasis.

Ainda ali se fizeram quatro exposições, uma das quais a que referi atrás, com muitas obras do Augusto Cid, entre desenhos e esculturas.

Era um grande Artista, com uma grande obra publicada e justamente apreciada.

Connosco
Literacia mediática como ferramenta contra desinformação Ver galeria

Para além da infecção provocada pelo novo coronavírus, identificado na China, estamos, agora, a assistir à disseminação indiscriminada de notícias falsas sobre o tema, conforme refere Ricardo Torres, num artigo publicado na revista “objETHOS”.

De acordo com Torres, o volume e a nocividade das informações propagadas através dos “media” digitais, são o reflexo de formatos comunicacionais imersos num “ecossistema” que favorece a desinformação.

Em temas sensíveis, como a saúde, os riscos da disseminação maciça de informações falsas são ampliados e podem, mesmo, conduzir ao caos social e a um estado de pânico generalizado. 

A OMS tem tentado evitar situações de pânico e insegurança, fortalecendo a posição científica, desmistificando rumores e esclarecendo dúvidas. No entanto, o cenário difuso e hiperbólico, fortalecido pelo sensacionalismo, torna a missão informativa confusa e complexa.

A era digital veio complicar a narrativa jornalística Ver galeria

A era digital e a revolução tecnológica vieram alterar o panorama do jornalismo. Se, anteriormente, os jornalistas apenas tinham de  preocupar-se com o conteúdo produzido na redacção onde trabalhavam, hoje, terão de manter-se competitivos com outras plataformas, e escrever com base nos artigos de outros jornais.

Muitos jornalistas, da chamada “velha guarda”, ainda não  conseguiram adaptar-se à nova realidade, e continuam a depender de uma cultura profissional baseada num jornalismo linear e sequencial, o que impede, por vezes, a tão desejada diversidade dos formatos de apresentação informativa.

O jornalista Carlos Castilho, especializado em “media” digitais, escreveu um artigo para o “Observatório da Imprensa”, no qual reflecte sobre a urgência de adaptação aos novos modelos. 

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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