Sábado, 20 de Abril, 2019
Opinião

Augusto Cid, uma obra quase monumental

por António Gomes de Almeida

Com o falecimento de Augusto Cid, desaparece um dos mais conhecidos desenhadores de Humor portugueses, com uma obra que pode considerar-se quase monumental. Desenhou milhares de cartoons, fez livros, e até teve a suprema honra de ver parte da sua obra apreendida – depois do 25 de Abril (!) – e tornou-se conhecido, entre outras, por estas duas razões: pelas piadas sibilinas lançadas contra o general Ramalho Eanes, e por fazer parte do combativo grupo das individualidades que acreditaram sempre, firmemente, ter sido a morte de Francisco Sá Carneiro provocada, não por um por um acidente, mas por um atentado.

No cartoon, era imbatível, em quantidade e qualidade. Quando ele aparecia, nas reuniões de redacção das quintas-feiras do semanário “Parada da Paródia”, de que fui director, e foi editado pelos Parodiantes de Lisboa, em 1960/61, vinha montado na sua mota, e já sabíamos que trazia, na pasta dos originais, material sempre de grande qualidade.

Havia um assunto que o motivava particularmente: a tourada. Fez muitos bonecos e até páginas inteiras dedicadas a esse tema, e os seus cavaleiros tauromáquicos tinham mesmo muita piada. Aliás, por falar em cavalos, nem toda a gente sabe que o Augusto Cid era, igualmente, um talentoso escultor, e se dedicava particularmente a esculpir cavalos, com uma expressão e um movimento espectaculares.

Aliás, nos seus regulares contactos com os Estados Unidos, onde foi expor durante anos, tornou-se uma rotina anual a sua apresentação de esculturas de cavalos, apreciadíssimas pelos americanos.

Lembro-me da mais longa conversa que tive com o Cid. Foi durante uma compridíssima viagem de camioneta, de Lisboa a Vila Real de Trás-os-Montes, onde íamos fazer parte do júri do primeiro Salão Nacional de Caricatura, organizado pelo Osvaldo de Sousa e patrocinado pela Regisconta. O Cid, que não era lá muito falador, teve então tempo suficiente para me contar alguns episódios da sua vida, que me revelaram um homem muito sensível e generoso, defensor de causas que considerava justas, e com uma capacidade de trabalho verdadeiramente notável.

Trabalhou comigo na “Parada da Paródia”, e só não trabalhou noutros projectos meus, posteriores, porque, entretanto, a sua colaboração com outros jornais e revistas o manteve sempre muito atarefado e cheio de trabalho. No entanto, ainda tive o privilégio de contar com ele para uma exposição que foi feita no Museu Rafael Bordalo Pinheiro, em Outubro de 1989, integrada num projecto ambicioso, segundo o qual a nova Galeria daquele Museu, então em construção, viria a ser a sede e a base de um “Museu do Humor”, generosamente oferecido pela Câmara Municipal de Lisboa, e pelo seu presidente, Nuno Abecasis.

Ainda ali se fizeram quatro exposições, uma das quais a que referi atrás, com muitas obras do Augusto Cid, entre desenhos e esculturas.

Era um grande Artista, com uma grande obra publicada e justamente apreciada.

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


ver mais >
Opinião
Agenda
25
Abr
Social Media Camp
09:00 @ Victoria, Canada
27
Abr
30
Abr
Social Media Week: New York
09:00 @ Nova Iorque, EUA
02
Mai
SEO para Jornalistas
09:00 @ Cenjor,Lisboa
03
Mai
V Congresso Literacia, Media e Cidadania
09:00 @ Aveiro, Portugal