Quarta-feira, 26 de Junho, 2019
Opinião

Augusto Cid, uma obra quase monumental

por António Gomes de Almeida

Com o falecimento de Augusto Cid, desaparece um dos mais conhecidos desenhadores de Humor portugueses, com uma obra que pode considerar-se quase monumental. Desenhou milhares de cartoons, fez livros, e até teve a suprema honra de ver parte da sua obra apreendida – depois do 25 de Abril (!) – e tornou-se conhecido, entre outras, por estas duas razões: pelas piadas sibilinas lançadas contra o general Ramalho Eanes, e por fazer parte do combativo grupo das individualidades que acreditaram sempre, firmemente, ter sido a morte de Francisco Sá Carneiro provocada, não por um por um acidente, mas por um atentado.

No cartoon, era imbatível, em quantidade e qualidade. Quando ele aparecia, nas reuniões de redacção das quintas-feiras do semanário “Parada da Paródia”, de que fui director, e foi editado pelos Parodiantes de Lisboa, em 1960/61, vinha montado na sua mota, e já sabíamos que trazia, na pasta dos originais, material sempre de grande qualidade.

Havia um assunto que o motivava particularmente: a tourada. Fez muitos bonecos e até páginas inteiras dedicadas a esse tema, e os seus cavaleiros tauromáquicos tinham mesmo muita piada. Aliás, por falar em cavalos, nem toda a gente sabe que o Augusto Cid era, igualmente, um talentoso escultor, e se dedicava particularmente a esculpir cavalos, com uma expressão e um movimento espectaculares.

Aliás, nos seus regulares contactos com os Estados Unidos, onde foi expor durante anos, tornou-se uma rotina anual a sua apresentação de esculturas de cavalos, apreciadíssimas pelos americanos.

Lembro-me da mais longa conversa que tive com o Cid. Foi durante uma compridíssima viagem de camioneta, de Lisboa a Vila Real de Trás-os-Montes, onde íamos fazer parte do júri do primeiro Salão Nacional de Caricatura, organizado pelo Osvaldo de Sousa e patrocinado pela Regisconta. O Cid, que não era lá muito falador, teve então tempo suficiente para me contar alguns episódios da sua vida, que me revelaram um homem muito sensível e generoso, defensor de causas que considerava justas, e com uma capacidade de trabalho verdadeiramente notável.

Trabalhou comigo na “Parada da Paródia”, e só não trabalhou noutros projectos meus, posteriores, porque, entretanto, a sua colaboração com outros jornais e revistas o manteve sempre muito atarefado e cheio de trabalho. No entanto, ainda tive o privilégio de contar com ele para uma exposição que foi feita no Museu Rafael Bordalo Pinheiro, em Outubro de 1989, integrada num projecto ambicioso, segundo o qual a nova Galeria daquele Museu, então em construção, viria a ser a sede e a base de um “Museu do Humor”, generosamente oferecido pela Câmara Municipal de Lisboa, e pelo seu presidente, Nuno Abecasis.

Ainda ali se fizeram quatro exposições, uma das quais a que referi atrás, com muitas obras do Augusto Cid, entre desenhos e esculturas.

Era um grande Artista, com uma grande obra publicada e justamente apreciada.

Connosco
"Metástases" da desinformação espalham-se pelo mundo Ver galeria

O alastrar da desinformação, potenciado pelas capacidades de contágio “viral” da revolução tecnológica, teve um impacto transformador sobre o jornalismo. Nos Estados Unidos, um dos primeiros factos surpreendentes com que os jornalistas tiveram de lidar, logo após a eleição de Donald Trump, foi a noção de que hackers russos, em “fábricas” de conteúdos, podiam semear desordem no eleitorado americano e desacreditar o jornalismo autêntico.

“Por vezes, os leitores encontravam notícias verdadeiras que Trump procurava desacreditar porque não gostava do modo como o faziam parecer;  outras vezes encontravam a deformação intencional da informação para distorcer a verdade;  em muitas ocasiões, o que encontravam era apenas completo absurdo.”  
E deixou de ser um problema local. As “metástases” da desinformação espalham-se pelo mundo e o jornalismo é arrastado para o caos:

“Vimos isso na Birmânia e no Brasil, no Sri Lanka e na Nova Zelândia, por vezes em campanhas orquestradas que trazem a dedada de agentes estatais, por vezes em manifestos individuais de mentes perturbadas. O resultado é sempre o mesmo: relatos falsos envenenam as plataformas que abrigam o verdadeiro jornalismo. Ninguém na Imprensa está a salvo de ver o seu trabalho, sério e diligente, exposto na enxurrada.”
A reflexão é de Kyle Pope, director da Columbia Journalism Review, em “Todo o jornalismo é global”.

O pesadelo dos jornalistas filipinos perseguidos pelo regime Ver galeria

A luta pela liberdade de Imprensa pode ser uma guerra de resistência entre os carcereiros e os candidatos a presos  - que são todos os jornalistas que tenham a coragem de o ser. Num dos mais recentes episódios em que foi detida, em Fevereiro de 2019, a jornalista filipina Maria Ressa, fundadora do site Rappler, comentou ironicamente à saída do tribunal:

“Esta é a sexta vez que pago fiança, e vou pagar mais do que criminosos condenados. Vou pagar mais do que Imelda Marcos.”

Como conta no artigo “Alvos de Duterte”, que aqui citamos, o Presidente das Filipinas, que “foi o primeiro político do meu país a usar as redes sociais para ganhar umas eleições, conduz uma campanha incansável de desinformação (trolling patriótico) para reduzir os críticos ao silêncio”:

“O seu governo vomita mentiras a tal velocidade que o público já não consegue saber o que é realidade. Mesmo os seus próprios membros ficam confusos.”

“Desde Junho de 2016, quando Rodrigo Duterte se tornou Presidente, houve cerca de 27 mil assassínios decorrentes da sua ‘guerra contra a droga’. Este número vem das Nações Unidas, mas não foi muito divulgado. A polícia mantém a sua própria contagem menor, pressionando os órgãos de informação a publicá-la.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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02
Jul
The Children’s Media Conference
16:00 @ Sheffield,Reino Unido
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Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigeria