null, 19 de Maio, 2019
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Morreu o "cartoonista" de Imprensa Augusto Cid

Morreu o "cartoonista" Augusto Cid, conhecido sobretudo por esta actividade, que exerceu em vários jornais e revistas, tendo também publicado caricaturas e álbuns temáticos sobre figuras políticas, como Álvaro Cunhal, António Ramalho Eanes, Francisco Pinto Balsemão e Mário Soares, entre outros. 
Foi ainda escultor nos últimos anos de vida, sendo de sua autoria uma estátua dedicada a Nuno Álvares Pereira, no Restelo, e outra dedicada às vítimas dos atentados de 11 de Setembro, também em Lisboa. São ainda suas as imagens de animais nos pilares do viaduto em frente do Jardim Zoológico.

Como "cartoonista", Augusto Cid publicou milhares de caricaturas na Vida Mundial, na Grande Reportagem e nos jornais O Diabo, O Independente, no Sol, bem como na TVI

Nascido nos Açores, na ilha do Faial, Augusto Cid estudou nos Estados Unidos da América e foi neste país que começou a publicar cartoons “sobre política americana”, que “tinham muito pouca repercussão, pois saíam num jornalinho local de Laguna Beach”, como contou ao Correio da Manhã

“Um cartoon tanto pode demorar uma hora como cinco a ser feito e as pessoas pensam que é bem pago. Esquecem-se de todo o material que precisei de armazenar na cabeça, as revistas e jornais que tive de comprar, os programas que tive de ver…Agora estou virado para a escultura e a preparar um livro sobre a minha comissão militar em Angola”  - afirmou então ao jornal diário. 

Nessa entrevista, Augusto Cid assumiu ainda que tentou por “duas vezes” desenhar cartoon em computador, mas não lhe “pareceu genuíno”: 

“Entendo que o desenho e a pintura devem mostrar o traço e o toque de pincel que estão na origem dessa intervenção.”

Até durante os dois anos que passou na guerra, em Angola, desenhou, como contou há pouco mais de dois anos em entrevista ao jornal i

“Curiosamente eu fazia a minha guerra  – não a guerra que eles queriam que eu fizesse. Cumpria a minha obrigação, julgo eu, mas depois quando chegava ao destacamento rapava dos meus lápis de cores e das minhas aguarelas e fazia um cartoon sobre aquilo.” 

“Quando vi que havia uma página de cartoons numa revista militar [o Jornal do Exército] pensei: ‘Posso trabalhar com eles’. Curiosamente não era mal pago. Davam-me 150 paus por cartoon, que era dinheiro. E faziam concursos em que o prémio era 500 escudos e eu ganhava quase sempre, portanto ganhava mais nos desenhos que fazia do que como furriel”  - recordou. (...)

 

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