Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

Empresário eslovaco acusado da morte de jornalista

Um homem de negócios eslovaco, Marian Kocner, é acusado como mandante do assassínio do jornalista Jan Juciak, que investigava sobre ligações entre dirigentes políticos do seu país e a máfia italiana, bem como sobre corrupção em torno de fundos agrícolas europeus. O jornalista e a sua companheira, Martina Kusnirova, foram mortos em casa, há pouco mais de um ano, desencadeando uma vaga de protestos e manifestações, que culminaram na demissão do então primeiro-ministro Robert Fico, presidente do partido SMER-SD, no poder.

Um procurador cujo nome não foi divulgado, por razões de segurança, comunicou à Imprensa que “o trabalho jornalístico da vítima foi o motivo do crime; o investigador fundamenta a acusação sobre uma prova objectiva que não pode ainda ser revelada”.

No seu trabalho, para o jornal digital Aktuality.sk, Jan Kuciak referia-se igualmente a negócios que passavam por Marian Kocner.

O seu ex-chefe de redacção, Peter Bardy, revelou em 2017 que este tinha chegado a telefonar a Jan Kuciak com ameaças.

Segundo Le Monde, que aqui citamos, Marian Kocner, proprietário de várias empresas, tinha anunciado a publicação de informações sobre a vida privada de jornalistas. 

“Foi detido em Junho de 2018, suspeito de fraudes, e continua preso, sem ter sido ainda oficialmente indiciado. Segundo vários meios de comunicação, tinha ligações a membros do partido social-democrata SMER-SD.” (...)


"Cerca de 30 mil pessoas manifestaram-se, em Fevereiro, em Bratislava, e vários milhares em 36 outras cidades e localidades da Eslováquia, por ocasião do primeiro aniversário deste duplo crime."

 

Mais informação em Le Monde  e The Guardian

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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