Sábado, 17 de Agosto, 2019
Media

Associações contra limitação da publicidade institucional

As Associações de Imprensa pronunciam-se contra o teor da legislação que suspende várias formas de publicidade institucional do Estado em período de pré-campanha e campanha eleitoral, advertindo para eventuais “consequências dramáticas para editores, jornalistas e cidadãos”. A Lei 72-A/2015 foi invocada, há poucos dias, num comunicado da Comissão Nacional de Eleições, para sublinhar que é proibida a publicidade institucional de programas, obras ou serviços por órgãos do Estado e da administração pública, excepto “em caso de grave e urgente necessidade pública”.

Segundo o Expresso, que aqui citamos, o anúncio, que já mereceu críticas da Associação Nacional dos Municípios Portugueses  - tendo o PS mostrado intenção de avançar com um diploma de alteração à Lei -  é agora criticado pela Associação Portuguesa de Imprensa e pela Associação da Imprensa de Inspiração Cristã, sublinhando que em 2019 o período eleitoral “vai ser particularmente longo”, o que “amplifica muito os prejuízos irreparáveis para a sustentabilidade das empresas editoras de jornais e revistas em Portugal”, independentemente da sua dimensão.

Entre as consequências previsíveis estão as da “concorrência em que suportes digitais, não regulados nem registados, beneficiarão de toda esta confusa e lamentável disposição legal, continuando a usufruir, impunemente, desse investimento publiciário”  - lê-se no comunicado enviado às redacções pela API. 

Criticando o facto de o decreto-lei ter sido “mal preparado”, as referidas associações apelam à sua “imediata e muito urgente alteração”, para permitir a publicidade institucional até ao início efectivo da campanha eleitoral para o Parlamento Europeu.

“As Associações de Imprensa pedem, assim, alterações temporais, funcionais e de conteúdo que, na sua perspectiva, são aquelas que conjugam a ‘imparcialidade e neutralidade’ dos anunciantes com os deveres ‘do Estado apoiar as empresas de comunicação social’ e ‘não prejudicar o [seu] normal funcionamento’.” (...) 

“Concretamente, os representantes do sector pedem que se determine que a proibição vigora apenas durante o período da campanha eleitoral e que diga apenas respeito aos agentes do Estado diretamente envolvidos nessa campanha.”  (...)

 

Mais informação no Diário de Notícias. A nota de esclarecimento da Comissão Nacional de Eleições

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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