Sábado, 17 de Agosto, 2019
Media

NYT procura fidelizar jovens leitores

Seguro da sua posição dominante no mercado das assinaturas digitais, The New York Times decidiu abrir a porta dos seus conteúdos  - que 3,4 milhões de leitores pagam por alguns dólares por mês -  a uma população jovem de três milhões de estudantes. E não é contradição, muito menos estupidez. O jornal está a fidelizar desde hoje os seus clientes do futuro, que podem aceder de graça às notícias pelas quais um dia terão de pagar.

O “grande monarca das assinaturas digitais”, como lhe chama Miguel Ossorio Vega, em Media-tics, facturou mais de 700 milhões de dólares em 2018, só no meio digital  - dos quais 400 milhões provêm dessas assinaturas. Só no último trimestre adquiriu mais 265 mil novos assinantes, o número mais elevado desde as eleições de 2016.

O seu objectivo declarado é o de chegar aos dez milhões de assinantes em 2025. E não poupa esforços para o conseguir: 

“Cria novas vias de negócio (como a possibilidade de pagar para aceder a palavras cruzadas e passatempos, ou a receitas de cozinha);  lançou campanhas publicitárias (que explicam a necessidade de pagar por conteúdos de qualidade num ambiente digital infestado de notícias falsas);  e tornou-se cada vez mais internacional, apontando a novos públicos com edições noutras línguas (espanhol, português e chinês).”  (...) 

“O jornal sabe que as novas gerações estão mais dispostas a pagar por serviços digitais. Assim o indicam os êxitos da Spotify, ou da Netflix, que conseguiram que milhões de jovens tirem todos os meses do bolso, a troco de acederem a conteúdos que podiam encontrar grátis na Net.” 

“Conseguiram criar uma experiência que supera com vantagem o processo maçador de pesquisar, marcar, descarregar e construir conteúdos digitais com faraca qualidade de imagem ou de som, além de uma perigosa exposição a vírus informáticos  - e isto com tarifas de baixo preço, que os jovens podem pagar.” (...) 

Também é verdade que as notícias não são música e, segundo o Instituto Reuters, só 14% dos internautas pagam por ler notícias, em todo o mundo. 

“E, ao contrário do que sucede com as plataformas de vídeo por streaming, é pouco provável que a mesma pessoa faça assinatura de mais de um meio, no caso de o fazer. Sobretudo porque nem sequer se espera que os utentes façam contrato para mais de duas ou três plataformas de vídeo on demand, o que vai arrumar, nos próximos anos, um sector já com sinais de ‘bolha’. Com os media podia acontecer alguma coisa semelhante, e é por isso que parte do sector clama por uma Netflix dos Media  -  o que parece ter sido ouvido pela Apple.” (...) 

Miguel Ossorio Vega lembra, a concluir, que a estratégia não é inédita, já que também o britânico Financial Times  fornece acesso gratuito aos jovens entre os 16 e os 19 anos. (...)

 

O artigo aqui citado, em Media-tics   

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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