Segunda-feira, 25 de Março, 2019
Media

NYT procura fidelizar jovens leitores

Seguro da sua posição dominante no mercado das assinaturas digitais, The New York Times decidiu abrir a porta dos seus conteúdos  - que 3,4 milhões de leitores pagam por alguns dólares por mês -  a uma população jovem de três milhões de estudantes. E não é contradição, muito menos estupidez. O jornal está a fidelizar desde hoje os seus clientes do futuro, que podem aceder de graça às notícias pelas quais um dia terão de pagar.

O “grande monarca das assinaturas digitais”, como lhe chama Miguel Ossorio Vega, em Media-tics, facturou mais de 700 milhões de dólares em 2018, só no meio digital  - dos quais 400 milhões provêm dessas assinaturas. Só no último trimestre adquiriu mais 265 mil novos assinantes, o número mais elevado desde as eleições de 2016.

O seu objectivo declarado é o de chegar aos dez milhões de assinantes em 2025. E não poupa esforços para o conseguir: 

“Cria novas vias de negócio (como a possibilidade de pagar para aceder a palavras cruzadas e passatempos, ou a receitas de cozinha);  lançou campanhas publicitárias (que explicam a necessidade de pagar por conteúdos de qualidade num ambiente digital infestado de notícias falsas);  e tornou-se cada vez mais internacional, apontando a novos públicos com edições noutras línguas (espanhol, português e chinês).”  (...) 

“O jornal sabe que as novas gerações estão mais dispostas a pagar por serviços digitais. Assim o indicam os êxitos da Spotify, ou da Netflix, que conseguiram que milhões de jovens tirem todos os meses do bolso, a troco de acederem a conteúdos que podiam encontrar grátis na Net.” 

“Conseguiram criar uma experiência que supera com vantagem o processo maçador de pesquisar, marcar, descarregar e construir conteúdos digitais com faraca qualidade de imagem ou de som, além de uma perigosa exposição a vírus informáticos  - e isto com tarifas de baixo preço, que os jovens podem pagar.” (...) 

Também é verdade que as notícias não são música e, segundo o Instituto Reuters, só 14% dos internautas pagam por ler notícias, em todo o mundo. 

“E, ao contrário do que sucede com as plataformas de vídeo por streaming, é pouco provável que a mesma pessoa faça assinatura de mais de um meio, no caso de o fazer. Sobretudo porque nem sequer se espera que os utentes façam contrato para mais de duas ou três plataformas de vídeo on demand, o que vai arrumar, nos próximos anos, um sector já com sinais de ‘bolha’. Com os media podia acontecer alguma coisa semelhante, e é por isso que parte do sector clama por uma Netflix dos Media  -  o que parece ter sido ouvido pela Apple.” (...) 

Miguel Ossorio Vega lembra, a concluir, que a estratégia não é inédita, já que também o britânico Financial Times  fornece acesso gratuito aos jovens entre os 16 e os 19 anos. (...)

 

O artigo aqui citado, em Media-tics   

Connosco
José Ribeiro e Castro em Abril no jantar-debate do CPI Ver galeria

Advogado de profissão, político por vocação com um pé na Comunicação Social, José Ribeiro e Castro é o próximo orador–convidado no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, marcado para 16 de Abril, na Sala da Biblioteca do Grémio Literário.

Deputado, eurodeputado, governante , membro da equipa fundadora da TVI com Roberto Carneiro e antigo líder do CDS,  José Ribeiro e Castro começou cedo a respirar a política em casa.

Filho de Fernando Santos e Castro, que presidiu à Camara Municipal de Lisboa e foi o último governador português em Angola, Ribeiro e Castro nasceu em Lisboa  a 24 de Dezembro de 1953. É casado e tem três filhas e um filho.

Risco de nova “ordem mundial de Informação” sob modelo chinês Ver galeria

No contexto da visita do Presidente Xi Jinping a vários países europeus, para promover as “novas rotas da seda” das ambições económicas e geo-estratégicas da China, importa prestar também atenção à “nova ordem mundial da Informação” contida no projecto geral. Segundo um relatório muito recente dos Repórteres sem Fronteiras, o governo chinês, seguro do controlo que já exerce sobre os media nacionais e a Internet no seu próprio espaço, deseja impor um vocabulário “ideologicamente correcto” também fora de fronteiras.

E procura consegui-lo por uma panóplia de meios, que vão desde a sedução dos media ou jornalistas estrangeiros até várias formas de pressão ou mesmo intimidação.

“Há dez anos punha-se a questão de melhorar a situação na China. Mas, enquanto ONG de defesa da liberdade de Imprensa e dos jornalistas, encontramos cada vez mais dificuldades em ter impacto no país. A questão que se coloca hoje é: de que modo podem as democracias defender-se da influência mediática chinesa?”  - diz Cédric Alviani, presentante dos RSF para a Ásia Oriental.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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