Segunda-feira, 25 de Março, 2019
Media

Jornalismo precisa de "revisão radical de rotinas, normas e valores"

A observação crítica da Imprensa é neste momento posta à prova por dois fenómenos de efeito cumulativo: por um lado, a digitalização e globalização levaram ao seu limite as capacidades do jornalismo convencional; por outro, a explosão das redes sociais traduz-se numa omnipresença crescente das fake news.

Esta “dupla pressão sobre o jornalismo”, uma limitando a capacidade de atendimento da procura de notícias, e a outra ampliando a mesma procura “por meio de uma vertiginosa inclusão de novos leitores”, leva a profissão à “necessidade de uma revisão radical das suas rotinas, normas e valores”.

Cabe agora aos Observatórios da Imprensa a difícil função de meta-fact-checking  - isto é, a de verificação dos verificadores de factos.

A reflexão é de Carlos Castilho, pesquisador associado do ObjEthos, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

“O maior problema é que esta necessidade surge [precisamente] no momento em que são cada vez maiores os obstáculos materiais para viabilizar uma reflexão sobre os rumos da actividade jornalística no mundo inteiro.” 

“As empresas jornalísticas mal conseguem tempo e recursos para buscar sua sobrevivência enquanto as universidades e instituições de pesquisas sofrem pressões financeiras de todos os tipos, o que acaba reforçando a resistência à mudança e à busca de novos paradigmas.” 

Como recorda o autor, os Observatórios da Imprensa “conquistaram uma grande credibilidade, fruto do monitoramento crítico dos media nos tempos pré-Internet, quando a concentração em poucas empresas permitia um mínimo de acompanhamento sistemático dos conteúdos jornalísticos publicados”. 

Depois da revolução digital, “a crise valorizou o papel do monitoramento crítico, mas, ao mesmo tempo, criou dificuldades ainda maiores para que os observatórios cumpram a sua função”. 

“Tanto o exercício quotidiano do jornalismo em ambiente digital como a performance dos observatórios foram drasticamente afectados pela explosão do fenómeno das notícias falsas, responsáveis pelo agravamento da crise de credibilidade pública na Imprensa e no jornalismo.” 

“Tentando neutralizar o descrédito, mais de 150 projectos de combate às fake news foram lançados em pelo menos 40 países diferentes, mas o que foi apresentado como uma tábua de salvação acabou também sendo contaminado pelo vírus da dúvida, quando políticos e movimentos ideológicos politizaram o combate à disseminação de notícias falsas.” (...) 

Carlos Castilho refere-se a seguir à experiência em verificação da veracidade das notícias desenvolvida nos EUA, citando a tese Lucas Graves (Deciding what’s true: Fact checking journalism and the new ecology of news), segundo o qual as três etapas mais importantes do processo de “checagem” de notícias são: a selecção do material a ser verificado, os procedimentos metodológicos usados e a avaliação dos níveis de credibilidade. (...) 

O autor descreve então a história recente das principais instituições de fact-checking conhecidas, nos Estados Unidos e no Brasil, chamando a atenção para o modo como procuram responder à questão da “subjectividade imanente a cada actor ou agente envolvido no processo”. (...) 

“O Instituto Reynolds de Jornalismo, da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, fez um estudo envolvendo três dos principais institutos de ‘checagem’ de factos do país e concluiu que o processo de avaliação de credibilidade é mais complicado e subjectivo do que seus pesquisadores imaginavam antes de iniciar o projecto.” 

“A principal constatação foi a de que os resultados sobre um mesmo dado, declaração ou evento, podem variar conforme o método adoptado, contrariando a expectativa de grande parte do público, que deseja resultados definitivos.” 

“Para os verificadores, a mais eficiente forma de reduzir o índice de subjectividade em produtos jornalísticos é confrontá-los com outras percepções diferentes, mas nem isto é capaz de gerar certezas ou respostas tipo certo ou errado. Os próprios Institutos reconhecem esta dificuldade, porque adoptam um sistema intermediário entre verdade e mentira, criando categorias como duvidoso, incompleto, exagerado ou contraditório.” 

“O reconhecimento de que a análise crítica comparativa da ‘checagem’ de notícias é o melhor caminho para reduzir a subjectividade dos resultados confere aos Observatórios da Imprensa um novo e relevante papel nos media contemporâneos. Os próprios Institutos e projectos de fact checking admitem a importância da ‘meta-checagem’ e falta agora a iniciativa dos observatórios de preencher esta lacuna.” (...)

 

O artigo aqui citado, na íntegra no Observatório da Imprensa

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José Ribeiro e Castro em Abril no jantar-debate do CPI Ver galeria

Advogado de profissão, político por vocação com um pé na Comunicação Social, José Ribeiro e Castro é o próximo orador–convidado no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, marcado para 16 de Abril, na Sala da Biblioteca do Grémio Literário.

Deputado, eurodeputado, governante , membro da equipa fundadora da TVI com Roberto Carneiro e antigo líder do CDS,  José Ribeiro e Castro começou cedo a respirar a política em casa.

Filho de Fernando Santos e Castro, que presidiu à Camara Municipal de Lisboa e foi o último governador português em Angola, Ribeiro e Castro nasceu em Lisboa  a 24 de Dezembro de 1953. É casado e tem três filhas e um filho.

Risco de nova “ordem mundial de Informação” sob modelo chinês Ver galeria

No contexto da visita do Presidente Xi Jinping a vários países europeus, para promover as “novas rotas da seda” das ambições económicas e geo-estratégicas da China, importa prestar também atenção à “nova ordem mundial da Informação” contida no projecto geral. Segundo um relatório muito recente dos Repórteres sem Fronteiras, o governo chinês, seguro do controlo que já exerce sobre os media nacionais e a Internet no seu próprio espaço, deseja impor um vocabulário “ideologicamente correcto” também fora de fronteiras.

E procura consegui-lo por uma panóplia de meios, que vão desde a sedução dos media ou jornalistas estrangeiros até várias formas de pressão ou mesmo intimidação.

“Há dez anos punha-se a questão de melhorar a situação na China. Mas, enquanto ONG de defesa da liberdade de Imprensa e dos jornalistas, encontramos cada vez mais dificuldades em ter impacto no país. A questão que se coloca hoje é: de que modo podem as democracias defender-se da influência mediática chinesa?”  - diz Cédric Alviani, presentante dos RSF para a Ásia Oriental.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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