null, 19 de Maio, 2019
Media

RSF desbloqueia "sites" censurados por governos na Net

Para assinalar o Dia Mundial contra a Censura na Internet, celebrado a 12 de Março, a organização Repórteres sem Fronteiras divulgou, por meio da #CollateralFreedom, o conteúdo de 22 meios de comunicação censurados nos seus países de origem.

O comunicado dos RSF conta a história e descreve o procedimento técnico desta intervenção, iniciada em 2015 e que, na edição agora disponibilizada, desbloqueia os sites censurados por doze regimes onde não existe liberdade de Imprensa  - destacando entre eles a Arábia Saudita, o Paquistão e a China.

Elodie Vialle, a responsável pelo gabinete de Jornalismo e Tecnologia dos Repórteres sem Fronteiras, na sua sede em França, explica que a função da #CollateralFreedom foi criada por “uma comunidade de programadores digitais empenhados na liberdade de Imprensa”: 

“Esta cadeia de hackers éticos e defensores dos Direitos Humanos ajuda os RSF a desbloquear meios de comunicação independentes em países que são verdadeiros ‘buracos negros’ da Informação. Também prova que a solidariedade é a melhor resposta à censura digital.”

Desde que foi criada a #CollateralFreedom já foram desbloqueadas três dezenas de media censurados nos seus países de origem. Por meio deste sistema operativo, que utiliza a técnica de mirroring (sites espelho), registaram-se 142 milhões de visitas aos sites censurados pelas autoridades. 

Para a Arábia Saudita, a ALQST – Pela Defesa dos Direitos Humanos divulga no seu site informação recolhida naquele país e torna-a acessível ao mundo. “Enfrentamos grandes dificudades”  - conta aos RSF o director deste portal informativo, Yahya Assiri, que vive exilado em Londres. As autoridades sauditas procuram sempre bloquear o seu site e entrar no seu telemóvel, para o vigiar. 

Entre os novos meios desbloqueados encontra-se a Safenewsrooms.org, fundada por Taha Siddiqui, jornalista paquistanês exilado em Paris. 

Na China, onde mais de meia centena de jornalistas e bloggers estão atrás de grades, a CollateralFreedom permite que o China Digital Times, que difunde informação não censurada sobre o país, volte a estar disponível na Internet. 

A técnica de mirroring  “consiste em difundir pela Internet uma cópia do website censurado, sincronizada em tempo real; as cópias virtuais são albergadas por servidores dos gigantes da Net, como a Fastly, Amazon ou OVH”. 

“Para as autoridades destes Estados é muito difícil bloquear o acesso aos sites espelho, porque para o conseguirem teriam de cortar a ligação a esses gigantes da Net no país, o que provocaria grandes danos colaterais para tais regimes inimigos da Internet.” (...)

 

Mais informação na Asociación de la Prensa de Madrid  e no site dos RSF

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Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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