Sábado, 17 de Agosto, 2019
Media

RSF desbloqueia "sites" censurados por governos na Net

Para assinalar o Dia Mundial contra a Censura na Internet, celebrado a 12 de Março, a organização Repórteres sem Fronteiras divulgou, por meio da #CollateralFreedom, o conteúdo de 22 meios de comunicação censurados nos seus países de origem.

O comunicado dos RSF conta a história e descreve o procedimento técnico desta intervenção, iniciada em 2015 e que, na edição agora disponibilizada, desbloqueia os sites censurados por doze regimes onde não existe liberdade de Imprensa  - destacando entre eles a Arábia Saudita, o Paquistão e a China.

Elodie Vialle, a responsável pelo gabinete de Jornalismo e Tecnologia dos Repórteres sem Fronteiras, na sua sede em França, explica que a função da #CollateralFreedom foi criada por “uma comunidade de programadores digitais empenhados na liberdade de Imprensa”: 

“Esta cadeia de hackers éticos e defensores dos Direitos Humanos ajuda os RSF a desbloquear meios de comunicação independentes em países que são verdadeiros ‘buracos negros’ da Informação. Também prova que a solidariedade é a melhor resposta à censura digital.”

Desde que foi criada a #CollateralFreedom já foram desbloqueadas três dezenas de media censurados nos seus países de origem. Por meio deste sistema operativo, que utiliza a técnica de mirroring (sites espelho), registaram-se 142 milhões de visitas aos sites censurados pelas autoridades. 

Para a Arábia Saudita, a ALQST – Pela Defesa dos Direitos Humanos divulga no seu site informação recolhida naquele país e torna-a acessível ao mundo. “Enfrentamos grandes dificudades”  - conta aos RSF o director deste portal informativo, Yahya Assiri, que vive exilado em Londres. As autoridades sauditas procuram sempre bloquear o seu site e entrar no seu telemóvel, para o vigiar. 

Entre os novos meios desbloqueados encontra-se a Safenewsrooms.org, fundada por Taha Siddiqui, jornalista paquistanês exilado em Paris. 

Na China, onde mais de meia centena de jornalistas e bloggers estão atrás de grades, a CollateralFreedom permite que o China Digital Times, que difunde informação não censurada sobre o país, volte a estar disponível na Internet. 

A técnica de mirroring  “consiste em difundir pela Internet uma cópia do website censurado, sincronizada em tempo real; as cópias virtuais são albergadas por servidores dos gigantes da Net, como a Fastly, Amazon ou OVH”. 

“Para as autoridades destes Estados é muito difícil bloquear o acesso aos sites espelho, porque para o conseguirem teriam de cortar a ligação a esses gigantes da Net no país, o que provocaria grandes danos colaterais para tais regimes inimigos da Internet.” (...)

 

Mais informação na Asociación de la Prensa de Madrid  e no site dos RSF

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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