Sábado, 17 de Agosto, 2019
Media

Putin admite condicionar o acesso à Internet

Milhares de pessoas saíram à rua, em Moscovo, manifestando-se contra um projecto de lei  - já aprovado em primeira instância pela Duma (Parlamento) -  que tornará possível desconectar a Rússia da rede global da Internet, em casos designados como de “crise” ou de “ameaça da segurança nacional” por efeito de ataques cibernéticos.

Segundo os autores da proposta, o Governo poderá, com a sua aplicação, “minimizar o fluxo de dados trocados por utilizadores russos com o exterior”. O protesto foi convocado pelo Partido Libertário, com autorização da Câmara da capital, tendo sido detidos 16 manifestantes.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, nega que a intenção seja de “restringir e limitar as possibilidades de trabalho na rede global”, acrescentando que o regulamento visa garantir que não haja “apagões” provocados “do outro lado do oceano”. O Presidente Vladimir Putin já tinha admitido publicamente a possibilidade de a Rússia ficar desligada da rede mundial da Internet em caso de ameaças externas à sua segurança nacional.

Serguei Boiko, dirigente do Partido Libertário, afirma que “as autoridades querem privar-nos de liberdade”: 

“Graças à Internet, surgiram pessoas livres e políticos independentes, coisa que o Parlamento e as autoridades não vêem com bons olhos.”  (...) 

Segundo a agência Lusa, a inciativa deste projecto “suscitou fortes reticências nos operadores da Internet, pelo facto de a instalação dos equipamentos necessários para a análise de tráfico implicarem avultados investimentos”. 

Como informam os seus autores, caso o projecto-lei seja aprovado em definitivo, poderá “minimizar o fluxo para o estrangeiro de dados que os utilizadores russos trocam entre si”.  

Para mais, em caso de ameaça, os operadores estariam obrigados a garantir a “gestão centralizada do tráfego”  - o que significa o seu controlo pelo Estado. 

Segundo Le Figaro, “a proposta tem sido criticada como tentativa de controlar os conteúdos, e mesmo de isolar progressivamente a Internet russa, num conexto de pressão crescente das autoridades sobre as liberdades online”. (...) 

“Na semana passada, a conhecida plataforma de mensagens digitais Telegram  - que as autoridades têm tentado por várias vezes, em vão, bloquear -  apelou os seus utilizadores a juntarem-se a esta manifestação. Na sua conta oficial, a Telegram afirmou que o projecto de lei visa ‘isolar a Rússia do resto do mundo’, o que permitiria, depois, ‘bloquear as redes sociais e plataformas de mensagens estrangeiras’.” 

O objectivo deste projecto  - que necessita ainda de uma segunda votação final -  é obter “uma censura total”  - acrescenta a Telegram.

 

Mais informação no Observador  e em Le Figaro.

Um vídeo da manifestação, da RT – France

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

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Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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