Sábado, 17 de Agosto, 2019
Media

Televisões chinesa e russa nos EUA declaradas órgãos de propaganda

A CGTNA – China Global Television Network America  - o ramo, residente nos Estados Unidos, da Televisão Central da China -  foi considerada pelas autoridades norte-americanas um órgão de propaganda, mas refuta essa acusação, afirmando que o governo chinês não lhe dita o que deve emitir. Na sequência da influência russa sobre as eleições de 2016, “as autoridades americanas estão a procurar obter uma visão mais clara dos esforços feitos pela China e outros países para conseguirem influência nos Estados Unidos”.

Esta troca de argumentos deu-se a nível da declaração de registo na FARA – Foreign Agents Registration Act, entre o Departamento de Justiça americano e a CGTNA. Há dois anos, o Departamento de Justiça procedeu do mesmo modo com a RT [Russia Today] America, também por interpelação do Departamento de Justiça. [Do mesmo modo o Presidente Macron, em França, designou a RT como órgão de propaganda].
Segundo The New York Times, que aqui citamos, “a CGTN America, que chega a 30 milhões de lares nos Estados Unidos, é um braço da máquina de propaganda da China. É controlado pelo Partido Comunista e presta serviço àquilo que [o Presidente] Xi chama a ‘frente de publicidade’ de Pequim”.

A CGTN America, com sede em Washington, “dirige uma redacção normal, excepto quando se trata de trabalhos sobre a China  - disseram quatro dos seus actuais ou anteriores empregados, que pediram anonimato para protegerem as suas carreiras”: 

“Algumas reportagens, como a fuga da China, em 2012, do advogado activista Chen Guangchen, ou as manifestações de  protesto em Hong Kong, em 2014, por eleições mais livres, só tiveram cobertura dias depois de haver notícias delas”  - disseram três dos citados funcionários. (...) 

“Empresas e outras organizações chinesas passaram a ser escrutinadas mais de perto à medida que se intensificou a guerra copmercial, incluindo os negócios que fazem para aquisição de firmas e tecnologia americanas. Algumas autoridades americanas advertem que essas empresas podem colocar risco de segurança.” (...) 

“Ao contrário da campanha de influência russa, que tem o objectivo de dividir os americanos, o esforço de propaganda chinês procura mostrar o lado brilhante. Emissões recentes da CGTN America enalteciam a medicina tradicional chinesa e o crescimento económico da China, enquanto o seu site inclui um link para a sua cobertura sobre os ursos panda.” 

“O esforço de influência da China pode parecer desajeitado, em comparação com o da Rússia, mas é bem financiado. Os media oficiais chineses investem pesadamente na sua publicidade junto de plataformas de redes sociais como o Facebook e Twitter  - que são proibidas na China. O jornal de língua inglesa China Daily, um jornal estatal, paga anúncios em jornais americanos, incluindo The New York Times.” (...) 

 

O artigo aqui citado, na íntegra em The New York Times

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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