Segunda-feira, 25 de Março, 2019
Media

Televisões chinesa e russa nos EUA declaradas órgãos de propaganda

A CGTNA – China Global Television Network America  - o ramo, residente nos Estados Unidos, da Televisão Central da China -  foi considerada pelas autoridades norte-americanas um órgão de propaganda, mas refuta essa acusação, afirmando que o governo chinês não lhe dita o que deve emitir. Na sequência da influência russa sobre as eleições de 2016, “as autoridades americanas estão a procurar obter uma visão mais clara dos esforços feitos pela China e outros países para conseguirem influência nos Estados Unidos”.

Esta troca de argumentos deu-se a nível da declaração de registo na FARA – Foreign Agents Registration Act, entre o Departamento de Justiça americano e a CGTNA. Há dois anos, o Departamento de Justiça procedeu do mesmo modo com a RT [Russia Today] America, também por interpelação do Departamento de Justiça. [Do mesmo modo o Presidente Macron, em França, designou a RT como órgão de propaganda].
Segundo The New York Times, que aqui citamos, “a CGTN America, que chega a 30 milhões de lares nos Estados Unidos, é um braço da máquina de propaganda da China. É controlado pelo Partido Comunista e presta serviço àquilo que [o Presidente] Xi chama a ‘frente de publicidade’ de Pequim”.

A CGTN America, com sede em Washington, “dirige uma redacção normal, excepto quando se trata de trabalhos sobre a China  - disseram quatro dos seus actuais ou anteriores empregados, que pediram anonimato para protegerem as suas carreiras”: 

“Algumas reportagens, como a fuga da China, em 2012, do advogado activista Chen Guangchen, ou as manifestações de  protesto em Hong Kong, em 2014, por eleições mais livres, só tiveram cobertura dias depois de haver notícias delas”  - disseram três dos citados funcionários. (...) 

“Empresas e outras organizações chinesas passaram a ser escrutinadas mais de perto à medida que se intensificou a guerra copmercial, incluindo os negócios que fazem para aquisição de firmas e tecnologia americanas. Algumas autoridades americanas advertem que essas empresas podem colocar risco de segurança.” (...) 

“Ao contrário da campanha de influência russa, que tem o objectivo de dividir os americanos, o esforço de propaganda chinês procura mostrar o lado brilhante. Emissões recentes da CGTN America enalteciam a medicina tradicional chinesa e o crescimento económico da China, enquanto o seu site inclui um link para a sua cobertura sobre os ursos panda.” 

“O esforço de influência da China pode parecer desajeitado, em comparação com o da Rússia, mas é bem financiado. Os media oficiais chineses investem pesadamente na sua publicidade junto de plataformas de redes sociais como o Facebook e Twitter  - que são proibidas na China. O jornal de língua inglesa China Daily, um jornal estatal, paga anúncios em jornais americanos, incluindo The New York Times.” (...) 

 

O artigo aqui citado, na íntegra em The New York Times

Connosco
José Ribeiro e Castro em Abril no jantar-debate do CPI Ver galeria

Advogado de profissão, político por vocação com um pé na Comunicação Social, José Ribeiro e Castro é o próximo orador–convidado no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, marcado para 16 de Abril, na Sala da Biblioteca do Grémio Literário.

Deputado, eurodeputado, governante , membro da equipa fundadora da TVI com Roberto Carneiro e antigo líder do CDS,  José Ribeiro e Castro começou cedo a respirar a política em casa.

Filho de Fernando Santos e Castro, que presidiu à Camara Municipal de Lisboa e foi o último governador português em Angola, Ribeiro e Castro nasceu em Lisboa  a 24 de Dezembro de 1953. É casado e tem três filhas e um filho.

Risco de nova “ordem mundial de Informação” sob modelo chinês Ver galeria

No contexto da visita do Presidente Xi Jinping a vários países europeus, para promover as “novas rotas da seda” das ambições económicas e geo-estratégicas da China, importa prestar também atenção à “nova ordem mundial da Informação” contida no projecto geral. Segundo um relatório muito recente dos Repórteres sem Fronteiras, o governo chinês, seguro do controlo que já exerce sobre os media nacionais e a Internet no seu próprio espaço, deseja impor um vocabulário “ideologicamente correcto” também fora de fronteiras.

E procura consegui-lo por uma panóplia de meios, que vão desde a sedução dos media ou jornalistas estrangeiros até várias formas de pressão ou mesmo intimidação.

“Há dez anos punha-se a questão de melhorar a situação na China. Mas, enquanto ONG de defesa da liberdade de Imprensa e dos jornalistas, encontramos cada vez mais dificuldades em ter impacto no país. A questão que se coloca hoje é: de que modo podem as democracias defender-se da influência mediática chinesa?”  - diz Cédric Alviani, presentante dos RSF para a Ásia Oriental.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
A realidade choca. Um trabalho de investigação jornalística, publicado no Expresso,  apurou que Portugal tem 95 políticos a comentar nos media. É algo absolutamente inédito em qualquer parte do mundo, da Europa aos EUA. Nalguma coisa teríamos de ser inovadores, infelizmente, da pior maneira. É um “assalto”, que condiciona a opinião pública e constitui um simulacro de pluralismo, já que  o elenco...
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