Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Media

Políticos "assentam arraiais" nos Media e são pagos por isso...

Há quase uma centena de personalidades políticas com presença regular nos meios de comunicação portugueses, a maioria todas as semanas, “alguns mais do que uma vez e em vários media em simultâneo”.  O Expresso, que dedica a este tema uma extensa reportagem, “contactou todos os directores de jornais, revistas, televisões, rádios e sites de informação para chegar à conclusão de que há 95 políticos com tempo de emissão ou espaço de escrita garantidos nos media nacionais”.

“O leque é muito vasto e inclui dirigentes partidários, deputados, ex-governantes ou os chamados senadores do regime.”  São, naturalmente, remunerados. A autora do trabalho, Rosa Pedroso Lima, informa que foi feita a pergunta sobre esses valores mas, “curiosamente, todos os responsáveis dos media portugueses se reservaram o direito de não revelar quanto pagam pela colaboração dos políticos”  - incluindo o Expresso, que procede do mesmo modo em relação aos seus “onze colaboradores políticos permanentes”.

A excepção é a Antena 1, “o único meio de comunicação social que não tem colaboradores políticos fixos”. O seu director de Informação, João Paulo Baltazar, tem isso como regra editorial: “Acabámos com políticos a comentar a solo. Achamos que não é correcto para uma estação pública de rádio dar a políticos uma tribuna fixa e uma voz a solo.”

O leque dos convidados é composto por “dirigentes partidários, deputados, ex-governantes ou os chamados senadores do regime”, que passam assim a ficar com lugar cativo em “alguns dos espaços mais nobres de cada órgão de comunicação social”. 

Da imprensa à televisão, passando pelas novas plataformas online ou pela rádio, o modelo repete-se. Todos acham “relevante” ceder espaço ou tempo de antena para dar voz aos políticos, aos quais não colocam “quaisquer limites” quanto ao tema a abordar e ainda menos sobre o ângulo de análise. A liberdade é total. (...) 

A autora da reportagem descreve este comportamento “uma verdadeira originalidade lusa” e contrapõe o exemplo de outros países: 

Em França “não há políticos comentadores pagos”, garante Daniel Ribeiro, correspondente do Expresso em Paris. Não existem sequer “programas desse tipo”, onde políticos de carreira têm encontro marcado para debater entre si. “Isso não existe” nos media franceses  - afirma. 

Na Alemanha “não há uma lei específica, mas existe uma prática”, explica Cristina Peres, jornalista do Expresso que cobre a realidade alemã: 

“Há formatos televisivos, dos quais é de destacar o programa de Anne Will no canal Das Erste, que aos domingos à noite faz um debate com convidados para cada tema específico. Mas o único ‘residente’ do programa é a jornalista-entrevistadora.” 

Nos Estados Unidos “há uma porta giratória entre a política e os media, por onde passam políticos democratas e republicanos, sejam eles ex-candidatos presidenciais, congressistas, antigos membros das secretas, e até mesmo elementos dos staffs  — assessores, conselheiros —  se aproveitam disso”, explica Ricardo Lourenço, correspondente nos EUA. 

Seguem-se vários exemplos conhecidos, incluindo precisamente congressistas e ex-candidatos presidenciais recentes. “Mas a presença de políticos nos media dos EUA é “uma porta giratória e não um corredor com acesso a ambos os mundos”: 

“Um político no activo não colabora, muito menos com retribuição garantida, nos programas informativos da televisão ou da rádio, e não tem direito a uma coluna própria nos jornais norte-americanos.” (...) 

Em Espanha, “os dirigentes políticos aprenderam a gostar da influência que podem passar a ter se marcarem presença nos meios de comunicação social”. Um caso paradigmático é o de Pablo Iglesias, líder do Podemos, “que é raro o dia em que não tem uma aparição num dos múltiplos debates que existem no amplo panorama mediático espanhol. Aliás, o próprio Iglesias dirige a sua tertúlia política — ‘La Tuerka’—, que, segundo algumas fontes jornalísticas, é financiada pela televisão estatal iraniana”  - explica o corresponde do Expresso em Madrid, Angel Luis de la Calle. (...) 

Segue-se uma descrição da referida “originalidade” portuguesa, com referência especial ao top dos mais requisitados:

Francisco Louçã, que “faz o pleno dos órgãos de comunicação social”, começando pelas manhãs na TSF, passando pelas sextas-feiras na SIC Notícias e tendo ainda uma página semanal no segundo caderno do Expresso

De modo semelhante Pacheco Pereira, na agora denominada “Circulatura do quadrado”, na TVI24 e na TSF, com mais duas páginas semanais de opinião na revista Sábado

A presença regular num canal de TV generalista “não é para todos”: “é um campeonato difícil que, no caso português, agora está reservado a dois políticos: Paulo Portas e Luís Marques Mendes”. 

Seguem-se, na ordem descrita no Expresso, Paulo Rangel, depois os socialistas Pedro Silva Pereira e Fernando Medina.

Manuela Ferreira Leite, ex-dirigente do PSD e ex-ministra do governo de Durão Barroso, “além do comentário semanal das quartas-feiras na TVI 24, que dura cerca de 20 minutos, garante presença numa coluna quinzenal no caderno de Economia do Expresso e assegura uma colaboração semanal na antena da TSF”. 

Outros comentadores políticos, como Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, José Eduardo Martins, do PSD, ou ainda Adolfo Mesquita Nunes, do CDS, têm semanalmente intervenções garantidas em, pelo menos, dois órgãos de comunicação social nacionais. 

Há depois muitas situações em que dirigentes políticos são convidados a mostrar o seu “lado B”, em programas de entretenimento ou debates sobre futebol, por exemplo. 

Mário Ramires, do Sol e do Jornal i, declara que “tanto os dez políticos com colunas regulares no diário que dirige, como os cinco que colaboram com o semanário, prestam serviço gratuitamente: “Não temos colaborações pagas. Pagamos zero, portanto.” 

Há em tudo isto um “efeito Marcelo”, como lhe chama a investigadora Rita Figueiras, que banalizou a presença dos políticos no espaço mediático: 

“Actualmente, nenhuma carreira política se constrói à margem dos media, em particular da televisão”  - afirma. E ninguém duvida da capacidade dos media em acomodar políticos ou na força de uma carreira construída a partir deles. 

 

O texto aqui citado, na íntegra no Expresso.

Connosco
Prémio Europeu Helena Vaz da Silva atribuído à Directora do CERN Ver galeria

A cientista italiana Fabiola Gianotti, especializada em física de partículas e, desde 2016, Directora-Geral do CERN (acrónimo da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), foi distinguida com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2019.

“O conhecimento é como uma arte”  - afirmou Fabiola Gianotti ao agradecer a nomeação. “Ambos são as mais altas expressões da mente humana e o CERN é o lugar perfeito para as alcançar.”

“O conhecimento científico pertence a todos”  - disse ainda. “Como cientistas, devemos fazer os maiores esforços para compartilhar com a sociedade em geral as nossas descobertas e promover uma ciência aberta, acessível a todos. Ao longo das décadas, o CERN tem defendido os valores da excelência científica, ciência aberta e colaboração entre os países europeus e do resto do mundo.”

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a Europa Nostra, que representa em Portugal, e também com o Clube Português de Imprensa.

O Júri do Prémio deste ano atribuíu Menções Especiais a duas outras personalidades: o Director do Royal Danish Theatre,  Kasper Holten, pelo seu esforço em prol da compreensão do património cultural, e o italiano Angelo Castiglioni, que dedicou a sua vida a explorações arqueológicas e etnográficas.

A cerimónia de entrega do Prémio terá lugar no dia 25 de Novembro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
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01
Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
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27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
16
Set