Terça-feira, 26 de Outubro, 2021
Media

Políticos "assentam arraiais" nos Media e são pagos por isso...

Há quase uma centena de personalidades políticas com presença regular nos meios de comunicação portugueses, a maioria todas as semanas, “alguns mais do que uma vez e em vários media em simultâneo”.  O Expresso, que dedica a este tema uma extensa reportagem, “contactou todos os directores de jornais, revistas, televisões, rádios e sites de informação para chegar à conclusão de que há 95 políticos com tempo de emissão ou espaço de escrita garantidos nos media nacionais”.

“O leque é muito vasto e inclui dirigentes partidários, deputados, ex-governantes ou os chamados senadores do regime.”  São, naturalmente, remunerados. A autora do trabalho, Rosa Pedroso Lima, informa que foi feita a pergunta sobre esses valores mas, “curiosamente, todos os responsáveis dos media portugueses se reservaram o direito de não revelar quanto pagam pela colaboração dos políticos”  - incluindo o Expresso, que procede do mesmo modo em relação aos seus “onze colaboradores políticos permanentes”.

A excepção é a Antena 1, “o único meio de comunicação social que não tem colaboradores políticos fixos”. O seu director de Informação, João Paulo Baltazar, tem isso como regra editorial: “Acabámos com políticos a comentar a solo. Achamos que não é correcto para uma estação pública de rádio dar a políticos uma tribuna fixa e uma voz a solo.”

O leque dos convidados é composto por “dirigentes partidários, deputados, ex-governantes ou os chamados senadores do regime”, que passam assim a ficar com lugar cativo em “alguns dos espaços mais nobres de cada órgão de comunicação social”. 

Da imprensa à televisão, passando pelas novas plataformas online ou pela rádio, o modelo repete-se. Todos acham “relevante” ceder espaço ou tempo de antena para dar voz aos políticos, aos quais não colocam “quaisquer limites” quanto ao tema a abordar e ainda menos sobre o ângulo de análise. A liberdade é total. (...) 

A autora da reportagem descreve este comportamento “uma verdadeira originalidade lusa” e contrapõe o exemplo de outros países: 

Em França “não há políticos comentadores pagos”, garante Daniel Ribeiro, correspondente do Expresso em Paris. Não existem sequer “programas desse tipo”, onde políticos de carreira têm encontro marcado para debater entre si. “Isso não existe” nos media franceses  - afirma. 

Na Alemanha “não há uma lei específica, mas existe uma prática”, explica Cristina Peres, jornalista do Expresso que cobre a realidade alemã: 

“Há formatos televisivos, dos quais é de destacar o programa de Anne Will no canal Das Erste, que aos domingos à noite faz um debate com convidados para cada tema específico. Mas o único ‘residente’ do programa é a jornalista-entrevistadora.” 

Nos Estados Unidos “há uma porta giratória entre a política e os media, por onde passam políticos democratas e republicanos, sejam eles ex-candidatos presidenciais, congressistas, antigos membros das secretas, e até mesmo elementos dos staffs  — assessores, conselheiros —  se aproveitam disso”, explica Ricardo Lourenço, correspondente nos EUA. 

Seguem-se vários exemplos conhecidos, incluindo precisamente congressistas e ex-candidatos presidenciais recentes. “Mas a presença de políticos nos media dos EUA é “uma porta giratória e não um corredor com acesso a ambos os mundos”: 

“Um político no activo não colabora, muito menos com retribuição garantida, nos programas informativos da televisão ou da rádio, e não tem direito a uma coluna própria nos jornais norte-americanos.” (...) 

Em Espanha, “os dirigentes políticos aprenderam a gostar da influência que podem passar a ter se marcarem presença nos meios de comunicação social”. Um caso paradigmático é o de Pablo Iglesias, líder do Podemos, “que é raro o dia em que não tem uma aparição num dos múltiplos debates que existem no amplo panorama mediático espanhol. Aliás, o próprio Iglesias dirige a sua tertúlia política — ‘La Tuerka’—, que, segundo algumas fontes jornalísticas, é financiada pela televisão estatal iraniana”  - explica o corresponde do Expresso em Madrid, Angel Luis de la Calle. (...) 

Segue-se uma descrição da referida “originalidade” portuguesa, com referência especial ao top dos mais requisitados:

Francisco Louçã, que “faz o pleno dos órgãos de comunicação social”, começando pelas manhãs na TSF, passando pelas sextas-feiras na SIC Notícias e tendo ainda uma página semanal no segundo caderno do Expresso

De modo semelhante Pacheco Pereira, na agora denominada “Circulatura do quadrado”, na TVI24 e na TSF, com mais duas páginas semanais de opinião na revista Sábado

A presença regular num canal de TV generalista “não é para todos”: “é um campeonato difícil que, no caso português, agora está reservado a dois políticos: Paulo Portas e Luís Marques Mendes”. 

Seguem-se, na ordem descrita no Expresso, Paulo Rangel, depois os socialistas Pedro Silva Pereira e Fernando Medina.

Manuela Ferreira Leite, ex-dirigente do PSD e ex-ministra do governo de Durão Barroso, “além do comentário semanal das quartas-feiras na TVI 24, que dura cerca de 20 minutos, garante presença numa coluna quinzenal no caderno de Economia do Expresso e assegura uma colaboração semanal na antena da TSF”. 

Outros comentadores políticos, como Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, José Eduardo Martins, do PSD, ou ainda Adolfo Mesquita Nunes, do CDS, têm semanalmente intervenções garantidas em, pelo menos, dois órgãos de comunicação social nacionais. 

Há depois muitas situações em que dirigentes políticos são convidados a mostrar o seu “lado B”, em programas de entretenimento ou debates sobre futebol, por exemplo. 

Mário Ramires, do Sol e do Jornal i, declara que “tanto os dez políticos com colunas regulares no diário que dirige, como os cinco que colaboram com o semanário, prestam serviço gratuitamente: “Não temos colaborações pagas. Pagamos zero, portanto.” 

Há em tudo isto um “efeito Marcelo”, como lhe chama a investigadora Rita Figueiras, que banalizou a presença dos políticos no espaço mediático: 

“Actualmente, nenhuma carreira política se constrói à margem dos media, em particular da televisão”  - afirma. E ninguém duvida da capacidade dos media em acomodar políticos ou na força de uma carreira construída a partir deles. 

 

O texto aqui citado, na íntegra no Expresso.

Connosco
Jornal finlandês troca "cadeados" por "diamantes" para atrair assinantes Ver galeria

Com a era digital, vários jornais passaram a apostar nos conteúdos “online”, recorrendo às “paywalls” para obter receitas.

Este novo modelo de negócio foi introduzido um pouco por toda a Europa, incluindo na Finlândia, onde o jornal “Helsingin Sanomat” conta com a subscrição de 48% de todos os assinantes de produtos noticiosos do país.

Conforme apontou Hanaa Tameez num artigo publicado no “Nieman Lab”, o "Helsingin Sanomat” foi fundado em 1889, quando a Finlândia ainda integrava o Império Russo. Agora, este jornal é detido pelo Grupo Sanoma, que controla 40 outras marcas mediáticas naquele país.

Em 2016, continuou Tameez, os editores do “Helsingin Sanomat” chegaram à conclusão de que a “paywall” não estava a obter os resultados esperados.

Por isso mesmo, os responsáveis por aquela publicação começaram a analisar o tipo de conteúdos que deveriam ser exclusivos para subscritores e, em vez de os assinalarem com um “cadeado”, passaram a identificá-los através de um “diamante”.

“O símbolo do cadeado passou a ser reconhecido mundialmente enquanto um identificador da ‘Paywall’”, disse o editor-executivo, Kaius Niemi, em entrevista para o “Nieman Lab”. “Sentimos, contudo, que o cadeado não simboliza valor acrescentado no jornalismo, ou ‘storytelling’ avançado. Por outro lado, acaba por ter uma conotação negativa, já que fecha a porta a um potencial subscritor. Os diamantes, por sua vez, ilustram o trabalho árduo dedicado a cada história”.

Graças a estas iniciativas, a equipa editorial daquele jornal finlandês percebeu que estava a apostar em temáticas que não chamavam a atenção dos leitores, e decidiram investir em artigos sobre sociedade, cultura e “lifestyle”.

Relatório aponta prioridade para o jornalismo isento e objectivo Ver galeria

As audiências valorizam a imparcialidade no jornalismo, e justificam a convicção de que os artigos noticiosos e as colunas de opinião devem ser, claramente, distinguidas, aponta o estudo The Relevance Of Impartial News In A Polarised World, encomendado pela Universidade de Oxford.

De acordo com este relatório -- que contou com 52 participantes, provenientes da Alemanha, do Brasil, dos Estados Unidos e do Reino Unido -- a informação objectiva e a contextualização devem estar no centro de qualquer formato noticioso.

Neste sentido, os participantes do estudo alertaram para o facto de as peças noticiosas e as colunas de opinião não serem facilmente identificáveis em formatos “online”, ao contrário do que acontece nas publicações em formato de papel.

“As audiências valorizam a opinião como um suplemento dos factos, mas, na sua generalidade, querem que a informação objectiva seja estabelecida em primeiro lugar. O público preocupa-se, também, com a mistura destes dois formatos”.

Os jornais assumem-se, assim, como a fonte noticiosa mais fiável, embora alguns leitores mais jovens considerem que estas publicações transmitem “ideais conservadores”, com os quais não se identificam.

Por outro lado, os participantes afirmam que as redes sociais não são boas fontes noticiosas, já que os seus algoritmos dão prioridade aos artigos de opinião, sem que estes estejam identificados como tal.

“Nas redes sociais, torna-se difícil distinguir entre notícias e a opinião, devido à falta de pistas. Algumas pessoas consideram que isto é um problema”, indica o relatório. “Alguns temem que o conteúdo de opinião esteja a contaminar as notícias. Outros assumem, simplesmente, que a opinião é uma característica inerente a estas plataformas”.

O Clube


Conhecidas as propostas do governo para o Orçamento de Estado, verifica-se que o sector dos media continua a ser o “parente pobre”, sem atrair medidas de reanimação capazes de corrigirem e de equilibrarem o plano inclinado em que se encontra a maioria das empresas jornalísticas, já periclitantes antes de serem fortemente flageladas pela pandemia.
O Sindicato dos Jornalistas lamenta-o e estranha que o OE ignore “completamente as dificuldades da comunicação social”. As associações do sector, como é o caso do CPI, certamente não menos.
O documento é omisso em medidas de apoio, que possam contribuir para inverter o declínio das vendas de jornais e revistas, sem pôr em causa a independência das publicações.
O bom jornalismo não precisa de ser subsidiado, mas implica redacções ágeis e com capacidade de resposta, que não dependam das redes sociais para medirem a realidade.
Com as contas no “vermelho”, as empresas editoriais não dispõem , contudo, de meios nem de condições propícias ao investimento, por exemplo, na reportagem de investigação.
Os jornalistas saem cada vez menos e a pandemia, com o teletrabalho, mais acentuou esse défice de contacto com o exterior.
É impossível não concordar com o SJ quando este defende várias medidas, como a criação de um voucher de 20 euros por agregado familiar para assinaturas ou compra de jornais e revistas, o desconto do IVA de produtos de media no IRS e a oferta de jornais ou de uma assinatura digital a todos os jovens que completem 18 anos.
Salva-se apenas a digitalização, a única que tem verbas disponíveis no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR). É importante. Mas não é exclusivamente por aí que se salvam os media em sérias dificuldades, que lutam pela sobrevivência. E que são um pilar da democracia. Eis um debate urgente ao qual nos associamos.


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Opinião
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O que une radicais de direita e de esquerda
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Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
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No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
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Nov
The African Investigative Journalism Conference
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Nov
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10:00 @ Evento "Online" da GIJN
18
Nov
22
Nov
28
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LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor