null, 19 de Maio, 2019
Tecnologias

Quando o algoritmo e a ética provocam um debate vivo nos media

A tecnologia é bem-vinda para resolver as nossas limitações na medicina, na saúde, na ciência, nas comunicações e em tantos outros terrenos, mas desde que desempenhe o seu papel de melhorar a vida, e não de a ferir, “servindo para desenvolver sociedades mais inclusivas e sustentáveis”. Mas é verdade que o advento da inteligência artificial trouxe, ao funcionamento dos algoritmos, a possibilidade de “resultados que desrespeitem os valores, as leis e os direitos humanos”.

Temos hoje uma antinomia entre tecnofobia e tecno-utopia, que a reflexão ética deve resolver de modo a encontrar o equilíbrio entre um progresso efectivo, benéfico, e um potencial malefício.

A Humanidade é chamada a lidar com as disrupções causadas pela revolução digital trazendo à inteligência artificial valores humanos e considerações éticas. A reflexão é de Obiora Ike, director executivo da Fundação Globethics.
Recorde-se que a questão da inteligência artificial está a provocar também um vivo debate a nível dos media, onde se conhecem já alguns casos de aproveitamento da robotização.

“Cresce o receio, à medida que a tecnologia, e a euforia pelo pelo que pode fazer em benefício dos humanos, aumenta as ordens que nos são dadas por meio de inteligência artificial sobre o que devemos comprar a seguir, que destino escolher na estrada, que voo tomar, que alimento comer, que filme ver no fim-de-semana, a que lugares ir de férias, e mesmo qual é o nível do nosso crédito.” 

“Peste atenção: a inteligência artificial dá ordens a indivíduos! Pelo lado estrutural, ela tem influência sobre as transacções nos mercados da bolsa, os preços de bens de consumo por via do transporte de massas, a Internet industrial, decisões legais e até mesmo eleições políticas.” (...) 

“Ao mesmo tempo, o facto de robots e máquinas utilizando inteligência artificial poderem funcionar de modo independente significa que os humanos podem tornar-se, em muitos casos, irrelevantes ou desnecessários.” 

“Este é um assunto de grande preocupação no terreno da ética. Com a inteligência artificial, existe o risco de que as desigualdades, a discriminação e os preconceitos que encontramos entre os humanos possam perpetuar-se e ser talvez exacerbados.” 

“Pode a inteligência artificial substituir os humanos? Não será perigosa uma tecnologia desprovida de consciência humana e com a liberdade de agir? Quem é o proprietário da riqueza gerada pelos robots? Um produto é mais importante do que o seu inventor?” 

“Estas questões revelam por que motivo a presença e acção humanas, na cadeia tecnológica da inteligência artificial, são absolutamente necessárias para guiar, melhorar e proporcionar orientação no sentido de uma acção correcta ou errada, desde a criação dessa tecnologia em laboratório até à sua disponibilização para uso. Os especialistas em ética [ethicists, no original] têm de trabalhar lado a lado com os investidores, engenheiros e cientistas, à medida que os conceitos vão sendo desenvolvidos, bem como para lá disso.” (...) 

O autor conclui com uma série de nove propostas de conduta sobre o envolvimento da ética na tecnologia da inteligência artificial, sublinhando a necessidade de tornar a tecnologia “um bom servo da Humanidade e do planeta, e não o seu dono”;  de desenvolver estudos inter-disciplinares com “uma abordagem holística às questões da sociedade, economia, ciência, lei, engenharia e tecnologia e questões éticas”;  de “evitar que os seres humanos sejam fisicamente agredidos por robots, por meio de uma integração inteligente de lógica indutiva e mecanismos de segurança”;  de “proibir e reduzir o risco de aplicações militares da inteligência artificial”. 

O último ponto propõe a criação de um Digital New Deal, que possa garantir uma igualdade social na inteligência artificial, “igualdade de género, redução de parcialidade e preconceitos contra comunidades e povos, pelo desenvolvimento de valores e de inclusão”.

"O desafio que se põe à Humanidade, neste momento da História, com as nossas muitas invenções, é o de pensar, agir e governar de modo ético."

O texto aqui citado, na íntegra em Globethics.net

Connosco
Francisco George no ciclo "Portugal: que País vai a votos?" Ver galeria
O próximo orador convidado do ciclo "Portugal: que País vai a votos?", a 21 de Maio, será Francisco George, um prestigiado médico, especialista em Saúde Pública, actual presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, empossado em finais de 2017, após ter desempenhado as funções de director-geral da Saúde, a partir de 2005 e durante mais de uma década.
O ciclo é promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de cultura e o Grémio Literário.
Francisco Henrique Moura George, nascido em Lisboa a 21 de Outubro de 2947, frequentou, de acordo com a sua biografia oficial, o Colégio Valsassina.
Licenciado em Medicina, com Distinção, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa em 1973, foi interno de Medicina Interna dos Hospitais Civis de Lisboa no Hospital de Santa Marta e completou, em 1977, o Curso de Saúde Pública na Escola Nacional de Saúde Pública de Lisboa, tornando-se especialista em Saúde Pública.
Meio século depois da alunagem o valor do jornalismo científico Ver galeria

Vai fazer 50 anos, no dia 20 de Julho, a primeira descida de uma nave com tripulação humana sobre a superfície da Lua. Seis horas depois da alunagem, já a 21, o comandante Neil Armstrong foi o primiro homem a pisar o solo do nosso satélite. O sucesso da missão Apollo 11, e das outras cinco missões lunares que a seguiram, teve um enorme impacto sobre a Humanidade.

“Do ponto de vista mediático, o colossal interesse público que o voo da Apollo 11 suscitou  — estima-se que um em cada seis habitantes do planeta assistiu pela TV ao momento em que Neil Armstrong desceu lentamente pela escada do módulo lunar até pousar os pés na superfície do satélite —  consolidou um público ávido por acompanhar a exploração do espaço.”

Cinquenta anos depois, as perspectivas de colonização do Sistema Solar continuam distantes, e a cobertura de astronomia e exploração espacial teve de mudar muito. “Mas, para quem tem o coração nas estrelas, continua sendo uma actividade apaixonante.”

A reflexão é de Pablo Nogueira, jornalista e editor da Scientific American Brasil, membro da Rede Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Ciência. No Observatório da Imprensa, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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Assange e o jornalismo
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