Segunda-feira, 25 de Março, 2019
Tecnologias

O papel da ética no controlo da inteligência artificial

A tecnologia é bem-vinda para resolver as nossas limitações na medicina, na saúde, na ciência, nas comunicações e em tantos outros terrenos, mas desde que desempenhe o seu papel de melhorar a vida, e não de a ferir, “servindo para desenvolver sociedades mais inclusivas e sustentáveis”. Mas é verdade que o advento da inteligência artificial trouxe, ao funcionamento dos algoritmos, a possibilidade de “resultados que desrespeitem os valores, as leis e os direitos humanos”.

Temos hoje uma antinomia entre tecnofobia e tecno-utopia, que a reflexão ética deve resolver de modo a encontrar o equilíbrio entre um progresso efectivo, benéfico, e um potencial malefício.

A Humanidade é chamada a lidar com as disrupções causadas pela revolução digital trazendo à inteligência artificial valores humanos e considerações éticas. A reflexão é de Obiora Ike, director executivo da Fundação Globethics.
Recorde-se que a questão da inteligência artificial está a provocar também um vivo debate a nível dos media, onde se conhecem já alguns casos de aproveitamento da robotização.

“Cresce o receio, à medida que a tecnologia, e a euforia pelo pelo que pode fazer em benefício dos humanos, aumenta as ordens que nos são dadas por meio de inteligência artificial sobre o que devemos comprar a seguir, que destino escolher na estrada, que voo tomar, que alimento comer, que filme ver no fim-de-semana, a que lugares ir de férias, e mesmo qual é o nível do nosso crédito.” 

“Peste atenção: a inteligência artificial dá ordens a indivíduos! Pelo lado estrutural, ela tem influência sobre as transacções nos mercados da bolsa, os preços de bens de consumo por via do transporte de massas, a Internet industrial, decisões legais e até mesmo eleições políticas.” (...) 

“Ao mesmo tempo, o facto de robots e máquinas utilizando inteligência artificial poderem funcionar de modo independente significa que os humanos podem tornar-se, em muitos casos, irrelevantes ou desnecessários.” 

“Este é um assunto de grande preocupação no terreno da ética. Com a inteligência artificial, existe o risco de que as desigualdades, a discriminação e os preconceitos que encontramos entre os humanos possam perpetuar-se e ser talvez exacerbados.” 

“Pode a inteligência artificial substituir os humanos? Não será perigosa uma tecnologia desprovida de consciência humana e com a liberdade de agir? Quem é o proprietário da riqueza gerada pelos robots? Um produto é mais importante do que o seu inventor?” 

“Estas questões revelam por que motivo a presença e acção humanas, na cadeia tecnológica da inteligência artificial, são absolutamente necessárias para guiar, melhorar e proporcionar orientação no sentido de uma acção correcta ou errada, desde a criação dessa tecnologia em laboratório até à sua disponibilização para uso. Os especialistas em ética [ethicists, no original] têm de trabalhar lado a lado com os investidores, engenheiros e cientistas, à medida que os conceitos vão sendo desenvolvidos, bem como para lá disso.” (...) 

O autor conclui com uma série de nove propostas de conduta sobre o envolvimento da ética na tecnologia da inteligência artificial, sublinhando a necessidade de tornar a tecnologia “um bom servo da Humanidade e do planeta, e não o seu dono”;  de desenvolver estudos inter-disciplinares com “uma abordagem holística às questões da sociedade, economia, ciência, lei, engenharia e tecnologia e questões éticas”;  de “evitar que os seres humanos sejam fisicamente agredidos por robots, por meio de uma integração inteligente de lógica indutiva e mecanismos de segurança”;  de “proibir e reduzir o risco de aplicações militares da inteligência artificial”. 

O último ponto propõe a criação de um Digital New Deal, que possa garantir uma igualdade social na inteligência artificial, “igualdade de género, redução de parcialidade e preconceitos contra comunidades e povos, pelo desenvolvimento de valores e de inclusão”.

"O desafio que se põe à Humanidade, neste momento da História, com as nossas muitas invenções, é o de pensar, agir e governar de modo ético."

O texto aqui citado, na íntegra em Globethics.net

Connosco
José Ribeiro e Castro em Abril no jantar-debate do CPI Ver galeria

Advogado de profissão, político por vocação com um pé na Comunicação Social, José Ribeiro e Castro é o próximo orador–convidado no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, marcado para 16 de Abril, na Sala da Biblioteca do Grémio Literário.

Deputado, eurodeputado, governante , membro da equipa fundadora da TVI com Roberto Carneiro e antigo líder do CDS,  José Ribeiro e Castro começou cedo a respirar a política em casa.

Filho de Fernando Santos e Castro, que presidiu à Camara Municipal de Lisboa e foi o último governador português em Angola, Ribeiro e Castro nasceu em Lisboa  a 24 de Dezembro de 1953. É casado e tem três filhas e um filho.

Risco de nova “ordem mundial de Informação” sob modelo chinês Ver galeria

No contexto da visita do Presidente Xi Jinping a vários países europeus, para promover as “novas rotas da seda” das ambições económicas e geo-estratégicas da China, importa prestar também atenção à “nova ordem mundial da Informação” contida no projecto geral. Segundo um relatório muito recente dos Repórteres sem Fronteiras, o governo chinês, seguro do controlo que já exerce sobre os media nacionais e a Internet no seu próprio espaço, deseja impor um vocabulário “ideologicamente correcto” também fora de fronteiras.

E procura consegui-lo por uma panóplia de meios, que vão desde a sedução dos media ou jornalistas estrangeiros até várias formas de pressão ou mesmo intimidação.

“Há dez anos punha-se a questão de melhorar a situação na China. Mas, enquanto ONG de defesa da liberdade de Imprensa e dos jornalistas, encontramos cada vez mais dificuldades em ter impacto no país. A questão que se coloca hoje é: de que modo podem as democracias defender-se da influência mediática chinesa?”  - diz Cédric Alviani, presentante dos RSF para a Ásia Oriental.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
A realidade choca. Um trabalho de investigação jornalística, publicado no Expresso,  apurou que Portugal tem 95 políticos a comentar nos media. É algo absolutamente inédito em qualquer parte do mundo, da Europa aos EUA. Nalguma coisa teríamos de ser inovadores, infelizmente, da pior maneira. É um “assalto”, que condiciona a opinião pública e constitui um simulacro de pluralismo, já que  o elenco...
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