Sábado, 17 de Agosto, 2019
Tecnologias

Quando o algoritmo e a ética provocam um debate vivo nos media

A tecnologia é bem-vinda para resolver as nossas limitações na medicina, na saúde, na ciência, nas comunicações e em tantos outros terrenos, mas desde que desempenhe o seu papel de melhorar a vida, e não de a ferir, “servindo para desenvolver sociedades mais inclusivas e sustentáveis”. Mas é verdade que o advento da inteligência artificial trouxe, ao funcionamento dos algoritmos, a possibilidade de “resultados que desrespeitem os valores, as leis e os direitos humanos”.

Temos hoje uma antinomia entre tecnofobia e tecno-utopia, que a reflexão ética deve resolver de modo a encontrar o equilíbrio entre um progresso efectivo, benéfico, e um potencial malefício.

A Humanidade é chamada a lidar com as disrupções causadas pela revolução digital trazendo à inteligência artificial valores humanos e considerações éticas. A reflexão é de Obiora Ike, director executivo da Fundação Globethics.
Recorde-se que a questão da inteligência artificial está a provocar também um vivo debate a nível dos media, onde se conhecem já alguns casos de aproveitamento da robotização.

“Cresce o receio, à medida que a tecnologia, e a euforia pelo pelo que pode fazer em benefício dos humanos, aumenta as ordens que nos são dadas por meio de inteligência artificial sobre o que devemos comprar a seguir, que destino escolher na estrada, que voo tomar, que alimento comer, que filme ver no fim-de-semana, a que lugares ir de férias, e mesmo qual é o nível do nosso crédito.” 

“Peste atenção: a inteligência artificial dá ordens a indivíduos! Pelo lado estrutural, ela tem influência sobre as transacções nos mercados da bolsa, os preços de bens de consumo por via do transporte de massas, a Internet industrial, decisões legais e até mesmo eleições políticas.” (...) 

“Ao mesmo tempo, o facto de robots e máquinas utilizando inteligência artificial poderem funcionar de modo independente significa que os humanos podem tornar-se, em muitos casos, irrelevantes ou desnecessários.” 

“Este é um assunto de grande preocupação no terreno da ética. Com a inteligência artificial, existe o risco de que as desigualdades, a discriminação e os preconceitos que encontramos entre os humanos possam perpetuar-se e ser talvez exacerbados.” 

“Pode a inteligência artificial substituir os humanos? Não será perigosa uma tecnologia desprovida de consciência humana e com a liberdade de agir? Quem é o proprietário da riqueza gerada pelos robots? Um produto é mais importante do que o seu inventor?” 

“Estas questões revelam por que motivo a presença e acção humanas, na cadeia tecnológica da inteligência artificial, são absolutamente necessárias para guiar, melhorar e proporcionar orientação no sentido de uma acção correcta ou errada, desde a criação dessa tecnologia em laboratório até à sua disponibilização para uso. Os especialistas em ética [ethicists, no original] têm de trabalhar lado a lado com os investidores, engenheiros e cientistas, à medida que os conceitos vão sendo desenvolvidos, bem como para lá disso.” (...) 

O autor conclui com uma série de nove propostas de conduta sobre o envolvimento da ética na tecnologia da inteligência artificial, sublinhando a necessidade de tornar a tecnologia “um bom servo da Humanidade e do planeta, e não o seu dono”;  de desenvolver estudos inter-disciplinares com “uma abordagem holística às questões da sociedade, economia, ciência, lei, engenharia e tecnologia e questões éticas”;  de “evitar que os seres humanos sejam fisicamente agredidos por robots, por meio de uma integração inteligente de lógica indutiva e mecanismos de segurança”;  de “proibir e reduzir o risco de aplicações militares da inteligência artificial”. 

O último ponto propõe a criação de um Digital New Deal, que possa garantir uma igualdade social na inteligência artificial, “igualdade de género, redução de parcialidade e preconceitos contra comunidades e povos, pelo desenvolvimento de valores e de inclusão”.

"O desafio que se põe à Humanidade, neste momento da História, com as nossas muitas invenções, é o de pensar, agir e governar de modo ético."

O texto aqui citado, na íntegra em Globethics.net

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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