Segunda-feira, 25 de Março, 2019
Media

Europa aponta modelos para jornalismo de qualidade

Os novos modelos de negócio do jornalismo digital podem ser activados por “jornalistas empreendedores”, que se ocupam simultaneamente da recolha de fundos e do trabalho na redacção e, mesmo assim, “conseguem manter um jornalismo credível, com os mais elevados padrões editoriais, valores que fundamentam o quarto poder numa sociedade democrática, no sentido de responsabilizar o poder”.  Não será pedir muito?...

É esta a reflexão inicial do texto de apresentação do relatório Digital Journalism & New Business Models, agora divulgado pela Federação Europeia de Jornalistas. Assinado por Andreas Bittner, da respectiva Comissão Directiva, o texto segue a pista destes projectos em curso, afirmando que o jornalismo de investigação é a sua “força motriz” e que procuram “proteger de interferências a operação editorial”  - mesmo que, pelo caminho “rompam o muro sagrado entre as fontes editoriais e as de financiamento”.

O mesmo texto reconhece estas atitudes numa variedade de experiências em curso, citando de passagem o diário britânico The Guardian, o pioneiro francês Mediapart e outros casos, desde a Suécia até à Espanha. Mas adverte que “as start-ups podem falhar de modo dramático, se não atingem o seu objectivo”: 

“Mesmo quando os modelos alternativos se afastam da empresa publicadora tradicional, isso não garante que o sucesso, ou a sustentabilidade, estejam ao virar da esquina.” 

“O desafio é sobrevivermos como jornalistas profissionais, mantendo-nos credíveis e estando abertos e capazes de continuar a produzir um jornalismo de qualidade.” 

A expressão “jornalismo de qualidade” é também o ponto forte de outro documento, divulgado poucos dias antes deste, pelo Comité de Ministros do Conselho da Europa. Trata-se, neste caso, de uma Declaração em 12 pontos, sobre a “sustentabilidade financeira de um jornalismo de qualidade na era digital”. (...) 

O ponto segundo cita o Artigo 10º da Convenção para a Protecção dos Direitos Humanos e Liberdades Fundamentais [dos Tratados europeus], afirmando que o direito à liberdade de expressão e de Imprensa é “um requisito prévio a um ambiente favorável ao jornalismo de qualidade, que serve uma importante função democrática”: 

“O jornalismo de qualidade proporciona ao público uma gama de informação diversa, credível, interessante e atempada, e contraria a propaganda e a desinformação que proliferam, em especial, nas redes sociais.” (...) 

O ponto terceiro afirma que um jornalismo fiel a estes princípios “deve ser reconhecido como um bem público”. Os pontos seguintes descrevem as várias formas de disrupção do jornalismo tradicional trazidas pela revolução digital, chegando por esta via à questão da sustentabilidade. 

O ponto oitavo reconhece que, “nesta era de crescente cepticismo a respeito das instituições democráticas, os media ficam vulneráveis a serem rotulados de partidarismo, ou fake, mesmo quando estão empenhados em padrões elevados de jornalismo”. 

Nas conclusões do texto, o Comité de Ministros alerta os Estados membros para a importância de promoverem  - por meio de medidas regulatórias que defendam a operação de todos os media, dos tradicionais aos modelos inovativos -  “a sustentabilidade financeira, a longo prazo, de um jornalismo de qualidade produzido de acordo com os padrões editoriais e éticos da profissão, estabelecendo ao mesmo tempo garantias efectivas de que esse modelo não vai constranger a independência editorial e operacional dos media”. (...) 

Segue-se uma série de recomendações concretas, nas áreas do regime fiscal, do apoio ao jornalismo local e não-lucrativo, e de medidas de desenvolvimento com várias fontes de financiamento possíveis, incluindo parcerias público-privadas. 

Outras recomendações visam a relação com as grandes plataformas, pelas crescentes responsabilidades que assumiram na evolução recente dos modelos de sustento das empresas de comunicação social. 

Os últimos parágrafos sublinham “a importância de providenciar a todos um acesso efectivo a conteúdos jornalísticos de qualidade, independentemente dos seus níveis de vida económica ou quaisquer outras barreiras”, bem como a correspondente necessidade de literacia mediática.

 

 

Mais informação na Federação Europeia de JornalistasO relatório Digital Journalism & New Business Models.

A Declaração do Comité de Ministros do Conselho da Europa.

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José Ribeiro e Castro em Abril no jantar-debate do CPI Ver galeria

Advogado de profissão, político por vocação com um pé na Comunicação Social, José Ribeiro e Castro é o próximo orador–convidado no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, marcado para 16 de Abril, na Sala da Biblioteca do Grémio Literário.

Deputado, eurodeputado, governante , membro da equipa fundadora da TVI com Roberto Carneiro e antigo líder do CDS,  José Ribeiro e Castro começou cedo a respirar a política em casa.

Filho de Fernando Santos e Castro, que presidiu à Camara Municipal de Lisboa e foi o último governador português em Angola, Ribeiro e Castro nasceu em Lisboa  a 24 de Dezembro de 1953. É casado e tem três filhas e um filho.

Risco de nova “ordem mundial de Informação” sob modelo chinês Ver galeria

No contexto da visita do Presidente Xi Jinping a vários países europeus, para promover as “novas rotas da seda” das ambições económicas e geo-estratégicas da China, importa prestar também atenção à “nova ordem mundial da Informação” contida no projecto geral. Segundo um relatório muito recente dos Repórteres sem Fronteiras, o governo chinês, seguro do controlo que já exerce sobre os media nacionais e a Internet no seu próprio espaço, deseja impor um vocabulário “ideologicamente correcto” também fora de fronteiras.

E procura consegui-lo por uma panóplia de meios, que vão desde a sedução dos media ou jornalistas estrangeiros até várias formas de pressão ou mesmo intimidação.

“Há dez anos punha-se a questão de melhorar a situação na China. Mas, enquanto ONG de defesa da liberdade de Imprensa e dos jornalistas, encontramos cada vez mais dificuldades em ter impacto no país. A questão que se coloca hoje é: de que modo podem as democracias defender-se da influência mediática chinesa?”  - diz Cédric Alviani, presentante dos RSF para a Ásia Oriental.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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