null, 26 de Maio, 2019
Media

Lançar jornais nas escolas para fomentar leitores conscientes

Face à enorme profusão de informações que nos rodeia, é necessário ensinar os jovens a redigirem e publicarem, eles mesmos, para que possam abordar os media como cidadãos avisados. Só aprendendo a produzir conteúdos mediáticos, seja qual for o seu suporte (rádio, Imprensa escrita, vídeo ou Net) é que podem tornar-se leitores, ouvintes ou telespectadores entendidos.

A proposta é de Hélène Paumier, professora de língua francesa, em resposta a um desafio de Le Monde, que convida profissionais de todos os ramos a redigirem um artigo de opinião com a sua “Ideia para a França”.

Esta autora recorda que o projecto já tinha sido lançado, logo a seguir aos atentados de 2015, pelo então ministro da Educação, Najat Vallaud-Belkacem, mas não foi completamente seguido nem sistematizado, e muitos alunos estão privados dele.

A prática existe, mas depende do desejo do pessoal docente. Floresceram algumas rádios digitais em várias escolas, colégios ou liceus, e os CTA – Comités Territoriais do Audiovisual abrem cada vez mais antenas escolares temporárias. 

“Quem já fez rádio uma vez”  - afirma Hélène Paumier -  “já não volta a ouvi-la do mesmo modo: ficou a saber que a entrevista de rua é resultado de uma escolha, de um ângulo, que as buscas devem ser sérias e validadas, e a informação verificada e contextualizada.” 

“E esta lição aplica-se a outras situações: permite compreender que não se deve, nas redes sociais, partilhar sem verificar, indignar-se sem saber quem fala, ou entregar-se à escalada de escândalo na partilha de uma imagem truncada.” (...) 

Outra convidada, a socióloga Nathalie Heinich, parte da vaga de desinformação que invade a Net, mas chega também aos meios de comunicação tradicionais, para procurar modos de resistir e esclarecer. 

“Como lutar contra esta praga? Há jornalistas corajosos a envolverem-se em empreendimentos de ‘desintoxicação’  - mas será que vão ser lidos pelos ingénuos a que era preciso chegar?”  - interroga-se. 

Perante a desresponsabilização dos “fornecedores de acesso e administradores das redes sociais”, propõe que procuremos “imunizar as suas vítimas, quer dizer, toda a gente. Começando pelos mais vulneráveis: crianças e adolescentes.” 

“Que sabem os alunos dos colégios, ou dos liceus, da diferença entre uma aldrabice, ou mesmo uma simples opinião, e uma informação verificada, ou um facto atestado por investigação? Quase nada.” 

“É por isso que é urgente incluir no currículo escolar, a título de instrução cívica, um ensino sistemático das regras que presidem à produção de informação jornalístoca e do saber científico.” (...)

 

Mais informação  em Le Monde

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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