null, 17 de Novembro, 2019
Media

Lançar jornais nas escolas para fomentar leitores conscientes

Face à enorme profusão de informações que nos rodeia, é necessário ensinar os jovens a redigirem e publicarem, eles mesmos, para que possam abordar os media como cidadãos avisados. Só aprendendo a produzir conteúdos mediáticos, seja qual for o seu suporte (rádio, Imprensa escrita, vídeo ou Net) é que podem tornar-se leitores, ouvintes ou telespectadores entendidos.

A proposta é de Hélène Paumier, professora de língua francesa, em resposta a um desafio de Le Monde, que convida profissionais de todos os ramos a redigirem um artigo de opinião com a sua “Ideia para a França”.

Esta autora recorda que o projecto já tinha sido lançado, logo a seguir aos atentados de 2015, pelo então ministro da Educação, Najat Vallaud-Belkacem, mas não foi completamente seguido nem sistematizado, e muitos alunos estão privados dele.

A prática existe, mas depende do desejo do pessoal docente. Floresceram algumas rádios digitais em várias escolas, colégios ou liceus, e os CTA – Comités Territoriais do Audiovisual abrem cada vez mais antenas escolares temporárias. 

“Quem já fez rádio uma vez”  - afirma Hélène Paumier -  “já não volta a ouvi-la do mesmo modo: ficou a saber que a entrevista de rua é resultado de uma escolha, de um ângulo, que as buscas devem ser sérias e validadas, e a informação verificada e contextualizada.” 

“E esta lição aplica-se a outras situações: permite compreender que não se deve, nas redes sociais, partilhar sem verificar, indignar-se sem saber quem fala, ou entregar-se à escalada de escândalo na partilha de uma imagem truncada.” (...) 

Outra convidada, a socióloga Nathalie Heinich, parte da vaga de desinformação que invade a Net, mas chega também aos meios de comunicação tradicionais, para procurar modos de resistir e esclarecer. 

“Como lutar contra esta praga? Há jornalistas corajosos a envolverem-se em empreendimentos de ‘desintoxicação’  - mas será que vão ser lidos pelos ingénuos a que era preciso chegar?”  - interroga-se. 

Perante a desresponsabilização dos “fornecedores de acesso e administradores das redes sociais”, propõe que procuremos “imunizar as suas vítimas, quer dizer, toda a gente. Começando pelos mais vulneráveis: crianças e adolescentes.” 

“Que sabem os alunos dos colégios, ou dos liceus, da diferença entre uma aldrabice, ou mesmo uma simples opinião, e uma informação verificada, ou um facto atestado por investigação? Quase nada.” 

“É por isso que é urgente incluir no currículo escolar, a título de instrução cívica, um ensino sistemático das regras que presidem à produção de informação jornalístoca e do saber científico.” (...)

 

Mais informação  em Le Monde

Connosco
Centro Báltico ensaia novos modelos para o jornalismo investigativo Ver galeria

Um dos principais actores no campo do jornalismo colaborativo no Báltico é o Re:Baltica – Centro Báltico para a Investigação do Jornalismo de Investigação. O projecto está sediado na capital da Letónia, Riga, e foi criado há oito anos, introduzindo duas ideias inovadoras para a prática do jornalismo na região.

O Centro realiza pesquisas e cria uma história e, posteriormente, fornece-a, a título gratuito, aos meios de comunicação. Em segundo lugar, adoptou um novo modelo de negócio, que depende principalmente de doações e concessões.

O Observatório Europeu de Jornalismo falou recentemente com Inga Springe, questionando-a sobre o trabalho quotidiano de uma organização de comunicação social, sem fins lucrativos, e os desafios que actualmente enfrenta.

Springe defende que que o problema não é o das pessoas lerem o jornal "certo" ou "errado". O problema é não lerem os media tradicionais. Esse foi o motivo que a levou a impulsionar com o projecto Re:Baltica Light e várias reportagens sob a rubrica #StarpCitu (#ByTheWay), disponíveis no YouTube e no Facebook.

Um artigo sobre a organização foi publicado, pela primeira vez, no site do Observatório Europeu de Jornalismo e reproduzido no site da GIJN, do qual a Re:Baltica é membro.

O “LeKiosk” muda para “Cafeyn” e alarga oferta a assinantes Ver galeria

O serviço de notícias LeKiosk mudou de nome para Cafeyn e passou a apresentar-se como um serviço de streaming de informações. O quiosque digital permite a consulta de mais de mil títulos de imprensa francesa e internacional por 9,99 euros por mês.

A mudança de nome e de visual têm como objectivo atrair um público mais numeroso e fazer frente à Apple News+.

De salientar que a alteração da designação é, também, explicada por uma batalha jurídica, iniciada em 2012, entre LeKiosk Monkiosque.fr, publicada pelo Grupo Toutabo.

O departamento de propriedade intelectual da União Europeia decidiu, em Março, que havia um risco de confusão para o público, e que a Toutabo tinha registado a sua marca antes da LeKiosk.

Cafeyn tem, atualmente, cerca de um milhão de utilizadores activos por mês, em comparação com os 200 mil em 2017, que lêem uma média de 15 revistas diferentes. A maior parte destes assinantes foram obtidos através de operadores de telecomunicações, como a Bouygues Telecom e a Free, que oferecem o acesso a alguns dos seus clientes.

Isto permitiu à empresa aumentar o seu volume de negócios, que quintuplicou em três anos.

Em breve deverão ser anunciadas parcerias internacionais.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Agenda
19
Nov
Connections Europe
09:00 @ Marriott Hotel, Amsterdão
19
Nov
19
Nov
Dia da Comunicação
10:00 @ Teatro Tivoli
21
Nov