Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Media

Lançar jornais nas escolas para fomentar leitores conscientes

Face à enorme profusão de informações que nos rodeia, é necessário ensinar os jovens a redigirem e publicarem, eles mesmos, para que possam abordar os media como cidadãos avisados. Só aprendendo a produzir conteúdos mediáticos, seja qual for o seu suporte (rádio, Imprensa escrita, vídeo ou Net) é que podem tornar-se leitores, ouvintes ou telespectadores entendidos.

A proposta é de Hélène Paumier, professora de língua francesa, em resposta a um desafio de Le Monde, que convida profissionais de todos os ramos a redigirem um artigo de opinião com a sua “Ideia para a França”.

Esta autora recorda que o projecto já tinha sido lançado, logo a seguir aos atentados de 2015, pelo então ministro da Educação, Najat Vallaud-Belkacem, mas não foi completamente seguido nem sistematizado, e muitos alunos estão privados dele.

A prática existe, mas depende do desejo do pessoal docente. Floresceram algumas rádios digitais em várias escolas, colégios ou liceus, e os CTA – Comités Territoriais do Audiovisual abrem cada vez mais antenas escolares temporárias. 

“Quem já fez rádio uma vez”  - afirma Hélène Paumier -  “já não volta a ouvi-la do mesmo modo: ficou a saber que a entrevista de rua é resultado de uma escolha, de um ângulo, que as buscas devem ser sérias e validadas, e a informação verificada e contextualizada.” 

“E esta lição aplica-se a outras situações: permite compreender que não se deve, nas redes sociais, partilhar sem verificar, indignar-se sem saber quem fala, ou entregar-se à escalada de escândalo na partilha de uma imagem truncada.” (...) 

Outra convidada, a socióloga Nathalie Heinich, parte da vaga de desinformação que invade a Net, mas chega também aos meios de comunicação tradicionais, para procurar modos de resistir e esclarecer. 

“Como lutar contra esta praga? Há jornalistas corajosos a envolverem-se em empreendimentos de ‘desintoxicação’  - mas será que vão ser lidos pelos ingénuos a que era preciso chegar?”  - interroga-se. 

Perante a desresponsabilização dos “fornecedores de acesso e administradores das redes sociais”, propõe que procuremos “imunizar as suas vítimas, quer dizer, toda a gente. Começando pelos mais vulneráveis: crianças e adolescentes.” 

“Que sabem os alunos dos colégios, ou dos liceus, da diferença entre uma aldrabice, ou mesmo uma simples opinião, e uma informação verificada, ou um facto atestado por investigação? Quase nada.” 

“É por isso que é urgente incluir no currículo escolar, a título de instrução cívica, um ensino sistemático das regras que presidem à produção de informação jornalístoca e do saber científico.” (...)

 

Mais informação  em Le Monde

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
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