Segunda-feira, 24 de Fevereiro, 2020
Media

Doze regras essenciais para o jornalista proteger as fontes

A era digital trouxe muitas oportunidades para o jornalismo de investigação de alto impacto. Mas também é verdade que as fontes de informação que proporcionam a denúncia de casos embaraçosos para os poderes ou os grandes interesses corruptos [os whistleblowers  - à letra, os que sopram o apito de alarme] se colocam em situação de risco.

“Esta é também a era em que estão a ser presos, porque as agências de segurança desenvolveram técnicas de intercepção sem precedentes. A luta não é igual quando o adversário é uma agência de segurança nacional.”

Num encontro sobre jornalismo de investigação, recentemente realizado em Perugia, Itália, foi elaborado um documento em doze pontos  -  como recomendações aos jornalistas que fazem a divulgação desse material sensível e assumem, portanto, a primeira responsabilidade de protecção das suas fontes.

Os “Princípios de Perugia”, assim intitulados, foram redigidos por Julie Posetti, do Instituto Reuters, e por Suelette Dreyfus e Naomi Colvin, da ONG europeia Blueprint for Free Speech.

Segue uma síntese desses princípios:

  1. -  Em primeiro lugar, proteja as suas fontes.  De modo geral, é aceite que o compromisso do jornalista, no sentido de proteger o anonimato de fontes confidenciais, só pode ser quebrado em circunstâncias excepcionais (por exemplo, quando se verifica que isso é fundamental para evitar a iminente perda de uma vida humana).
  2. -  Formas seguras para o “primeiro contacto”.  Ajude os potenciais informadores divulgando formas pelas quais possa ser contactado, usando canais anónimos e encriptados, e previna dos riscos associados a cada um deles.
  3. -  Informe sobre as consequências da publicação. Trate o informador com dignidade e respeito, como alguém que corre um risco grave ao confiar-lhe os seus segredos e a sua identidade, ao revelar informação de interesse público.
  4. -  Foque a atenção neste interesse público e não na sua visão sobre as atitudes ou opiniões da fonte contactada.  É importante avaliar a motivação do informador  - se há intenção maliciosa, ou inexactidões intencionais.
  5. -  Assuma a responsabilidade da defesa digital, usando linguagem cifrada.  Não sendo, embora, uma garantia total de confidencialidade, é uma importante protecção de primeira linha.
  6. -  Identifique as ameaças mais importantes, tanto para si como para a sua fonte, e que passos são necessários para protecção de ambos.
  7. -  Explique ao seu informador os riscos da exposição digital.  Pense que podemos estar a regressar à época em que a segurança era obtida só por contactos face a face, passando a informação em envelopes, com encontros em parques públicos.
  8. -  Publique documentos originais e conjuntos de dados na sua totalidade, quando seja possível e seguro.
  9. Apague de modo seguro os dados trazidos da sua fonte, quando lhe seja solicitado. Tenha em conta que os documentos e respectivos metadados podem ser usados para identificar o informador.
  10. -  Há caixas de correio digitais que permitem um tráfego seguro para informadores de jornalistas. Pode ser a rede Tor, ou SecureDrop, ou a plataforma GlobalLeaks, usados por vários media e organizações da sociedade civil.
  11. -  Conheça as várias normas de legislação nacional e internacional para proteger fontes confidenciais, baseadas no direito do público a ser informado.
  12. -  Verifique se a sua empresa jornalística tem uma estratégia responsável de segurança de dados, para jornalistas, as suas fontes e os materiais armazenados. Se é um jornalista independente, contacte o seu sindicato ou uma ONG nesta área (por exemplo, Blueprint for Free Speech ou The Signals Network).

 

O artigo aqui citado, em Red Ética.  Mais informação no NiemanLab.  Os “Princípios de Perugia”, em PDF.

Connosco
Faleceu Vasco Pulido Valente cronista singular de imprensa Ver galeria

Faleceu o historiador, escritor, ensaísta e  cronista de imprensa, enquanto comentador político, Vasco Pulido Valente. A informação foi confirmada ao jornal “Público” e ao “Observador” por fonte familiar. 

 Vasco Pulido Valente, distinguiu-se como colunista com textos repartidos por vários jornais, e pela acidez irónica que cultivava nos seus comentários, invariavelmente cáusticos e certeiros em relação a não poucos actores do espaço político-partidário.

 O nome que o tornou célebre (e temido), era o pseudónimo de Vasco Valente Correia Guedes, que nasceu em Lisboa a 21 de Novembro de 1941. Licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras de Lisboa e tirou um doutoramento em História pela Universidade de Oxford. No final da década de 60, uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian permitiu-lhe estudar em Inglaterra, onde se doutorou, sendo um devoto de uma certa cultura académica, típica de Oxford.


Guia para um discurso jornalístico simplificado... Ver galeria

As “hard news” podem tornar-se pouco atractivas para os leitores, devido à linguagem formal e à utilização de conceitos desconhecidos pela maioria do “comum dos mortais”. 

Por muito que os jornalistas se esforcem para fazer passar a mensagem de forma clara, muitas vezes trabalham em “contra-relógio”, o que torna difícil a tarefa de escrever de maneira apelativa. Foi a pensar nesses profissionais que a jornalista Roy Peter Clark elaborou um pequeno guia, publicado na revista “Poynter”. 

Para a autora, o mais importante é escrever como quem conversa com um amigo num bar. É crucial utilizar linguagem simplificada, dar exemplos e explicar conceitos. Assim, poderá ser útil falar sobre o conteúdo, ainda que em monólogo, e só depois escrevê-lo.

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...