null, 26 de Maio, 2019
Media

Doze regras essenciais para o jornalista proteger as fontes

A era digital trouxe muitas oportunidades para o jornalismo de investigação de alto impacto. Mas também é verdade que as fontes de informação que proporcionam a denúncia de casos embaraçosos para os poderes ou os grandes interesses corruptos [os whistleblowers  - à letra, os que sopram o apito de alarme] se colocam em situação de risco.

“Esta é também a era em que estão a ser presos, porque as agências de segurança desenvolveram técnicas de intercepção sem precedentes. A luta não é igual quando o adversário é uma agência de segurança nacional.”

Num encontro sobre jornalismo de investigação, recentemente realizado em Perugia, Itália, foi elaborado um documento em doze pontos  -  como recomendações aos jornalistas que fazem a divulgação desse material sensível e assumem, portanto, a primeira responsabilidade de protecção das suas fontes.

Os “Princípios de Perugia”, assim intitulados, foram redigidos por Julie Posetti, do Instituto Reuters, e por Suelette Dreyfus e Naomi Colvin, da ONG europeia Blueprint for Free Speech.

Segue uma síntese desses princípios:

  1. -  Em primeiro lugar, proteja as suas fontes.  De modo geral, é aceite que o compromisso do jornalista, no sentido de proteger o anonimato de fontes confidenciais, só pode ser quebrado em circunstâncias excepcionais (por exemplo, quando se verifica que isso é fundamental para evitar a iminente perda de uma vida humana).
  2. -  Formas seguras para o “primeiro contacto”.  Ajude os potenciais informadores divulgando formas pelas quais possa ser contactado, usando canais anónimos e encriptados, e previna dos riscos associados a cada um deles.
  3. -  Informe sobre as consequências da publicação. Trate o informador com dignidade e respeito, como alguém que corre um risco grave ao confiar-lhe os seus segredos e a sua identidade, ao revelar informação de interesse público.
  4. -  Foque a atenção neste interesse público e não na sua visão sobre as atitudes ou opiniões da fonte contactada.  É importante avaliar a motivação do informador  - se há intenção maliciosa, ou inexactidões intencionais.
  5. -  Assuma a responsabilidade da defesa digital, usando linguagem cifrada.  Não sendo, embora, uma garantia total de confidencialidade, é uma importante protecção de primeira linha.
  6. -  Identifique as ameaças mais importantes, tanto para si como para a sua fonte, e que passos são necessários para protecção de ambos.
  7. -  Explique ao seu informador os riscos da exposição digital.  Pense que podemos estar a regressar à época em que a segurança era obtida só por contactos face a face, passando a informação em envelopes, com encontros em parques públicos.
  8. -  Publique documentos originais e conjuntos de dados na sua totalidade, quando seja possível e seguro.
  9. Apague de modo seguro os dados trazidos da sua fonte, quando lhe seja solicitado. Tenha em conta que os documentos e respectivos metadados podem ser usados para identificar o informador.
  10. -  Há caixas de correio digitais que permitem um tráfego seguro para informadores de jornalistas. Pode ser a rede Tor, ou SecureDrop, ou a plataforma GlobalLeaks, usados por vários media e organizações da sociedade civil.
  11. -  Conheça as várias normas de legislação nacional e internacional para proteger fontes confidenciais, baseadas no direito do público a ser informado.
  12. -  Verifique se a sua empresa jornalística tem uma estratégia responsável de segurança de dados, para jornalistas, as suas fontes e os materiais armazenados. Se é um jornalista independente, contacte o seu sindicato ou uma ONG nesta área (por exemplo, Blueprint for Free Speech ou The Signals Network).

 

O artigo aqui citado, em Red Ética.  Mais informação no NiemanLab.  Os “Princípios de Perugia”, em PDF.

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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