Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Media

Doze regras essenciais para o jornalista proteger as fontes

A era digital trouxe muitas oportunidades para o jornalismo de investigação de alto impacto. Mas também é verdade que as fontes de informação que proporcionam a denúncia de casos embaraçosos para os poderes ou os grandes interesses corruptos [os whistleblowers  - à letra, os que sopram o apito de alarme] se colocam em situação de risco.

“Esta é também a era em que estão a ser presos, porque as agências de segurança desenvolveram técnicas de intercepção sem precedentes. A luta não é igual quando o adversário é uma agência de segurança nacional.”

Num encontro sobre jornalismo de investigação, recentemente realizado em Perugia, Itália, foi elaborado um documento em doze pontos  -  como recomendações aos jornalistas que fazem a divulgação desse material sensível e assumem, portanto, a primeira responsabilidade de protecção das suas fontes.

Os “Princípios de Perugia”, assim intitulados, foram redigidos por Julie Posetti, do Instituto Reuters, e por Suelette Dreyfus e Naomi Colvin, da ONG europeia Blueprint for Free Speech.

Segue uma síntese desses princípios:

  1. -  Em primeiro lugar, proteja as suas fontes.  De modo geral, é aceite que o compromisso do jornalista, no sentido de proteger o anonimato de fontes confidenciais, só pode ser quebrado em circunstâncias excepcionais (por exemplo, quando se verifica que isso é fundamental para evitar a iminente perda de uma vida humana).
  2. -  Formas seguras para o “primeiro contacto”.  Ajude os potenciais informadores divulgando formas pelas quais possa ser contactado, usando canais anónimos e encriptados, e previna dos riscos associados a cada um deles.
  3. -  Informe sobre as consequências da publicação. Trate o informador com dignidade e respeito, como alguém que corre um risco grave ao confiar-lhe os seus segredos e a sua identidade, ao revelar informação de interesse público.
  4. -  Foque a atenção neste interesse público e não na sua visão sobre as atitudes ou opiniões da fonte contactada.  É importante avaliar a motivação do informador  - se há intenção maliciosa, ou inexactidões intencionais.
  5. -  Assuma a responsabilidade da defesa digital, usando linguagem cifrada.  Não sendo, embora, uma garantia total de confidencialidade, é uma importante protecção de primeira linha.
  6. -  Identifique as ameaças mais importantes, tanto para si como para a sua fonte, e que passos são necessários para protecção de ambos.
  7. -  Explique ao seu informador os riscos da exposição digital.  Pense que podemos estar a regressar à época em que a segurança era obtida só por contactos face a face, passando a informação em envelopes, com encontros em parques públicos.
  8. -  Publique documentos originais e conjuntos de dados na sua totalidade, quando seja possível e seguro.
  9. Apague de modo seguro os dados trazidos da sua fonte, quando lhe seja solicitado. Tenha em conta que os documentos e respectivos metadados podem ser usados para identificar o informador.
  10. -  Há caixas de correio digitais que permitem um tráfego seguro para informadores de jornalistas. Pode ser a rede Tor, ou SecureDrop, ou a plataforma GlobalLeaks, usados por vários media e organizações da sociedade civil.
  11. -  Conheça as várias normas de legislação nacional e internacional para proteger fontes confidenciais, baseadas no direito do público a ser informado.
  12. -  Verifique se a sua empresa jornalística tem uma estratégia responsável de segurança de dados, para jornalistas, as suas fontes e os materiais armazenados. Se é um jornalista independente, contacte o seu sindicato ou uma ONG nesta área (por exemplo, Blueprint for Free Speech ou The Signals Network).

 

O artigo aqui citado, em Red Ética.  Mais informação no NiemanLab.  Os “Princípios de Perugia”, em PDF.

Connosco
Prémio Europeu Helena Vaz da Silva atribuído à Directora do CERN Ver galeria

A cientista italiana Fabiola Gianotti, especializada em física de partículas e, desde 2016, Directora-Geral do CERN (acrónimo da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), foi distinguida com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2019.

“O conhecimento é como uma arte”  - afirmou Fabiola Gianotti ao agradecer a nomeação. “Ambos são as mais altas expressões da mente humana e o CERN é o lugar perfeito para as alcançar.”

“O conhecimento científico pertence a todos”  - disse ainda. “Como cientistas, devemos fazer os maiores esforços para compartilhar com a sociedade em geral as nossas descobertas e promover uma ciência aberta, acessível a todos. Ao longo das décadas, o CERN tem defendido os valores da excelência científica, ciência aberta e colaboração entre os países europeus e do resto do mundo.”

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a Europa Nostra, que representa em Portugal, e também com o Clube Português de Imprensa.

O Júri do Prémio deste ano atribuíu Menções Especiais a duas outras personalidades: o Director do Royal Danish Theatre,  Kasper Holten, pelo seu esforço em prol da compreensão do património cultural, e o italiano Angelo Castiglioni, que dedicou a sua vida a explorações arqueológicas e etnográficas.

A cerimónia de entrega do Prémio terá lugar no dia 25 de Novembro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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