Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Mundo

Mais de 150 jornalistas detidos e falência do sistema judicial turco

Um conjunto de 47 eurodeputados e 14 organizações de defesa da liberdade de expressão e de Imprensa assinou, em Bruxelas, uma resolução conjunta que denuncia a falência do sistema judicial turco e a consequente falta de soluções internas para a defesa dos jornalistas visados pela repressão em curso naquele país.

Segundo os dados do IPI - International Press Institute, que promoveu a mesa-redonda no Parlamento Europeu, sobre o tema “Turquia: o Mito da Solução Legal Doméstica”, à data da mesma, 29 de Janeiro, encontravam-se detidos mais de 150 jornalistas ou responsáveis por meios de comunicação  - confirmando a Turquia como o país com o maior número de jornalistas presos em todo o mundo.

Além dos eurodeputados signatários  - cujos nomes se encontram no final do documento -  participaram na reunião representantes da Comissão e do Conselho da Europa, bem como do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, de NGO’s, jornalistas e peritos legais vindos da Turquia.

A resolução dirige à Turquia um apelo em defesa dos direitos básicos dos acusados, incluindo a presunção de inocência, a comparência física perante um juiz em tempo devido e a garantia de um julgamento correcto, conduzido por um painel judicial independente e imparcial. Reclama também a libertação de todos os jornalistas detidos por motivo do seu trabalho. 

A eurodeputada alemã Rebecca Harms, do partido dos Verdes, afirma: 

“Da minha própria experiência seguindo os desenvolvimentos na Turquia, e acompanhando pessoalmente vários julgamentos de jornalistas nos tribunais turcos, posso confirmar as conclusões desta resolução sobre a falência do sistema judicial na Turquia. Exorto com firmeza as autoridades turcas a tomarem a sério as nossas recomendações e a libertarem imediatamente todos os jornalistas detidos.” 

O texto do documento manifesta “grande preocupação” pelo facto de não haver melhoria visível da situação depois do levantamento oficial do estado de emergência, em Julho de 2018. “As detenções maciças, a prisão e condenação de jornalistas turcos, continuam a ser usadas como meios de sufocar as vozes dissidentes na sociedade.” 

Outros motivos de preocupação sublinhados são a falta de independência e imparcialidade do sistema judicial na Turquia;  a ausência de recurso atempado à justiça, tanto internamente como perante o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos;  a prática de criminalizar os jornalistas por efeito de os manter em longa detenção prévia;  a lenta produção da acusação nos casos dos jornalistas, e a utilização de material jornalístico como prova de acusação;  a falha da acusação pública em seguir critérios rigorosos no estabelecimento das acusações de “membro de uma organização terrorista” contra jornalistas. 

Entre os signatários encontram-se os eurodeputados portugueses Ana Gomes, José Marinho e Pinto e José Inácio Faria.

 

 

Mais informação na Federação Europeia de Jornalistas  e no International Press Institute

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


ver mais >
Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
Agenda
24
Set
Radio Show
09:00 @ Hilton Anatole, Dallas, EUA
07
Out
14
Out
Mipcom
09:00 @ Cannes, França
14
Out
17
Out
Broadcast India Show
09:00 @ Mumbai, India