null, 17 de Novembro, 2019
Mundo

Mais de 150 jornalistas detidos e falência do sistema judicial turco

Um conjunto de 47 eurodeputados e 14 organizações de defesa da liberdade de expressão e de Imprensa assinou, em Bruxelas, uma resolução conjunta que denuncia a falência do sistema judicial turco e a consequente falta de soluções internas para a defesa dos jornalistas visados pela repressão em curso naquele país.

Segundo os dados do IPI - International Press Institute, que promoveu a mesa-redonda no Parlamento Europeu, sobre o tema “Turquia: o Mito da Solução Legal Doméstica”, à data da mesma, 29 de Janeiro, encontravam-se detidos mais de 150 jornalistas ou responsáveis por meios de comunicação  - confirmando a Turquia como o país com o maior número de jornalistas presos em todo o mundo.

Além dos eurodeputados signatários  - cujos nomes se encontram no final do documento -  participaram na reunião representantes da Comissão e do Conselho da Europa, bem como do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, de NGO’s, jornalistas e peritos legais vindos da Turquia.

A resolução dirige à Turquia um apelo em defesa dos direitos básicos dos acusados, incluindo a presunção de inocência, a comparência física perante um juiz em tempo devido e a garantia de um julgamento correcto, conduzido por um painel judicial independente e imparcial. Reclama também a libertação de todos os jornalistas detidos por motivo do seu trabalho. 

A eurodeputada alemã Rebecca Harms, do partido dos Verdes, afirma: 

“Da minha própria experiência seguindo os desenvolvimentos na Turquia, e acompanhando pessoalmente vários julgamentos de jornalistas nos tribunais turcos, posso confirmar as conclusões desta resolução sobre a falência do sistema judicial na Turquia. Exorto com firmeza as autoridades turcas a tomarem a sério as nossas recomendações e a libertarem imediatamente todos os jornalistas detidos.” 

O texto do documento manifesta “grande preocupação” pelo facto de não haver melhoria visível da situação depois do levantamento oficial do estado de emergência, em Julho de 2018. “As detenções maciças, a prisão e condenação de jornalistas turcos, continuam a ser usadas como meios de sufocar as vozes dissidentes na sociedade.” 

Outros motivos de preocupação sublinhados são a falta de independência e imparcialidade do sistema judicial na Turquia;  a ausência de recurso atempado à justiça, tanto internamente como perante o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos;  a prática de criminalizar os jornalistas por efeito de os manter em longa detenção prévia;  a lenta produção da acusação nos casos dos jornalistas, e a utilização de material jornalístico como prova de acusação;  a falha da acusação pública em seguir critérios rigorosos no estabelecimento das acusações de “membro de uma organização terrorista” contra jornalistas. 

Entre os signatários encontram-se os eurodeputados portugueses Ana Gomes, José Marinho e Pinto e José Inácio Faria.

 

 

Mais informação na Federação Europeia de Jornalistas  e no International Press Institute

Connosco
Centro Báltico ensaia novos modelos para o jornalismo investigativo Ver galeria

Um dos principais actores no campo do jornalismo colaborativo no Báltico é o Re:Baltica – Centro Báltico para a Investigação do Jornalismo de Investigação. O projecto está sediado na capital da Letónia, Riga, e foi criado há oito anos, introduzindo duas ideias inovadoras para a prática do jornalismo na região.

O Centro realiza pesquisas e cria uma história e, posteriormente, fornece-a, a título gratuito, aos meios de comunicação. Em segundo lugar, adoptou um novo modelo de negócio, que depende principalmente de doações e concessões.

O Observatório Europeu de Jornalismo falou recentemente com Inga Springe, questionando-a sobre o trabalho quotidiano de uma organização de comunicação social, sem fins lucrativos, e os desafios que actualmente enfrenta.

Springe defende que que o problema não é o das pessoas lerem o jornal "certo" ou "errado". O problema é não lerem os media tradicionais. Esse foi o motivo que a levou a impulsionar com o projecto Re:Baltica Light e várias reportagens sob a rubrica #StarpCitu (#ByTheWay), disponíveis no YouTube e no Facebook.

Um artigo sobre a organização foi publicado, pela primeira vez, no site do Observatório Europeu de Jornalismo e reproduzido no site da GIJN, do qual a Re:Baltica é membro.

O “LeKiosk” muda para “Cafeyn” e alarga oferta a assinantes Ver galeria

O serviço de notícias LeKiosk mudou de nome para Cafeyn e passou a apresentar-se como um serviço de streaming de informações. O quiosque digital permite a consulta de mais de mil títulos de imprensa francesa e internacional por 9,99 euros por mês.

A mudança de nome e de visual têm como objectivo atrair um público mais numeroso e fazer frente à Apple News+.

De salientar que a alteração da designação é, também, explicada por uma batalha jurídica, iniciada em 2012, entre LeKiosk Monkiosque.fr, publicada pelo Grupo Toutabo.

O departamento de propriedade intelectual da União Europeia decidiu, em Março, que havia um risco de confusão para o público, e que a Toutabo tinha registado a sua marca antes da LeKiosk.

Cafeyn tem, atualmente, cerca de um milhão de utilizadores activos por mês, em comparação com os 200 mil em 2017, que lêem uma média de 15 revistas diferentes. A maior parte destes assinantes foram obtidos através de operadores de telecomunicações, como a Bouygues Telecom e a Free, que oferecem o acesso a alguns dos seus clientes.

Isto permitiu à empresa aumentar o seu volume de negócios, que quintuplicou em três anos.

Em breve deverão ser anunciadas parcerias internacionais.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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