Segunda-feira, 24 de Fevereiro, 2020
Mundo

Mais de 150 jornalistas detidos e falência do sistema judicial turco

Um conjunto de 47 eurodeputados e 14 organizações de defesa da liberdade de expressão e de Imprensa assinou, em Bruxelas, uma resolução conjunta que denuncia a falência do sistema judicial turco e a consequente falta de soluções internas para a defesa dos jornalistas visados pela repressão em curso naquele país.

Segundo os dados do IPI - International Press Institute, que promoveu a mesa-redonda no Parlamento Europeu, sobre o tema “Turquia: o Mito da Solução Legal Doméstica”, à data da mesma, 29 de Janeiro, encontravam-se detidos mais de 150 jornalistas ou responsáveis por meios de comunicação  - confirmando a Turquia como o país com o maior número de jornalistas presos em todo o mundo.

Além dos eurodeputados signatários  - cujos nomes se encontram no final do documento -  participaram na reunião representantes da Comissão e do Conselho da Europa, bem como do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, de NGO’s, jornalistas e peritos legais vindos da Turquia.

A resolução dirige à Turquia um apelo em defesa dos direitos básicos dos acusados, incluindo a presunção de inocência, a comparência física perante um juiz em tempo devido e a garantia de um julgamento correcto, conduzido por um painel judicial independente e imparcial. Reclama também a libertação de todos os jornalistas detidos por motivo do seu trabalho. 

A eurodeputada alemã Rebecca Harms, do partido dos Verdes, afirma: 

“Da minha própria experiência seguindo os desenvolvimentos na Turquia, e acompanhando pessoalmente vários julgamentos de jornalistas nos tribunais turcos, posso confirmar as conclusões desta resolução sobre a falência do sistema judicial na Turquia. Exorto com firmeza as autoridades turcas a tomarem a sério as nossas recomendações e a libertarem imediatamente todos os jornalistas detidos.” 

O texto do documento manifesta “grande preocupação” pelo facto de não haver melhoria visível da situação depois do levantamento oficial do estado de emergência, em Julho de 2018. “As detenções maciças, a prisão e condenação de jornalistas turcos, continuam a ser usadas como meios de sufocar as vozes dissidentes na sociedade.” 

Outros motivos de preocupação sublinhados são a falta de independência e imparcialidade do sistema judicial na Turquia;  a ausência de recurso atempado à justiça, tanto internamente como perante o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos;  a prática de criminalizar os jornalistas por efeito de os manter em longa detenção prévia;  a lenta produção da acusação nos casos dos jornalistas, e a utilização de material jornalístico como prova de acusação;  a falha da acusação pública em seguir critérios rigorosos no estabelecimento das acusações de “membro de uma organização terrorista” contra jornalistas. 

Entre os signatários encontram-se os eurodeputados portugueses Ana Gomes, José Marinho e Pinto e José Inácio Faria.

 

 

Mais informação na Federação Europeia de Jornalistas  e no International Press Institute

Connosco
Faleceu Vasco Pulido Valente cronista singular de imprensa Ver galeria

Faleceu o historiador, escritor, ensaísta e  cronista de imprensa, enquanto comentador político, Vasco Pulido Valente. A informação foi confirmada ao jornal “Público” e ao “Observador” por fonte familiar. 

 Vasco Pulido Valente, distinguiu-se como colunista com textos repartidos por vários jornais, e pela acidez irónica que cultivava nos seus comentários, invariavelmente cáusticos e certeiros em relação a não poucos actores do espaço político-partidário.

 O nome que o tornou célebre (e temido), era o pseudónimo de Vasco Valente Correia Guedes, que nasceu em Lisboa a 21 de Novembro de 1941. Licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras de Lisboa e tirou um doutoramento em História pela Universidade de Oxford. No final da década de 60, uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian permitiu-lhe estudar em Inglaterra, onde se doutorou, sendo um devoto de uma certa cultura académica, típica de Oxford.


Guia para um discurso jornalístico simplificado... Ver galeria

As “hard news” podem tornar-se pouco atractivas para os leitores, devido à linguagem formal e à utilização de conceitos desconhecidos pela maioria do “comum dos mortais”. 

Por muito que os jornalistas se esforcem para fazer passar a mensagem de forma clara, muitas vezes trabalham em “contra-relógio”, o que torna difícil a tarefa de escrever de maneira apelativa. Foi a pensar nesses profissionais que a jornalista Roy Peter Clark elaborou um pequeno guia, publicado na revista “Poynter”. 

Para a autora, o mais importante é escrever como quem conversa com um amigo num bar. É crucial utilizar linguagem simplificada, dar exemplos e explicar conceitos. Assim, poderá ser útil falar sobre o conteúdo, ainda que em monólogo, e só depois escrevê-lo.

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
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A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...