Sábado, 17 de Agosto, 2019
Cartoon

... e concorrem 900 desenhos ao World Press Cartoon de 2019

O júri do World Press Cartoon  - que se realiza, desde 2017, nas Caldas da Rainha -  já analisou, entre 11 e 12 de Fevereiro, as 900 caricaturas e desenhos, recebidas de 68 países e concorrentes à sua edição deste ano, na qual estão presentes 71 novos autores. Estão a concurso desenhos nas categorias de Editorial, Caricatura e Desenho de Humor, publicados entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2018.

Pelo segundo ano, o concurso foi aberto a publicações online profissionalizadas, de reconhecida natureza jornalística. Este facto, bem como a abertura da convocatória mais cedo, explicam, segundo o organizador e presidente do júri, António Antunes, o aumento dos desenhos na edição de 2019 do World Press Cartoon.

Os cartoons vencedores vão ser conhecidos no dia 4 de Maio, numa gala este ano antecipada “para tentar captar os alunos das escolas para a exposição”, que ficará, após a entrega dos prémios, patente no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha.

Os melhores trabalhos foram, nesta reunião, seleccionados pelo júri que integra, para além do organizador, António Antunes, ainda os cartoonistas Manuel Peres (Portugal), Maria Picassó (Espanha), Óscar Grilo (Argentina) e Cássio Loredano (Brasil). 

“Um trabalho hercúleo”, disse à agência Lusa Manuel Peres, destacando “o papel do júri” na escolha dos trabalhos que marcam o certame, que define como “um acontecimento universal trazido a Portugal” pela organização do evento. 

As caricaturas, cartoons e desenhos submetidos a concurso demonstram como “em distintas partes do mundo se vêem os mesmos fenómenos, às vezes até um fenómeno local, mas que passa [na imprensa] em todos os lugares”, sublinhou Maria Picassó. 

O presidente do EUA manteve-se como a figura mais caricaturada (“demasiado Trump”, segundo Maria Picassó) nesta edição, em que temas como a Síria, os refugiados e o Brexit voltaram a marcar presença, e que “reflecte as questões que têm enchido as televisões e os jornais”, contando, entre as novidades, com trabalhos sobre “os coletes amarelos” que protagonizam os protestos em França. 

Segundo o regulamento do concurso  - que aqui citamos do respectivo site -  serão mantidos “os níveis de rigor e qualidade que são a marca identitária desta organização, com a estrutura de prémios monetários das últimas edições, incluindo um Grand Prix de 10 000 euros”: 

“Distinguir, expor, divulgar e premiar os melhores desenhos publicados na imprensa mundial ao longo de um ano continua a ser a nossa missão. Caricaturas, Cartoons Editoriais e Desenhos de Humor que fazem a história de todo um ano, obras que nascem em diferentes culturas onde os cartoonistas retratam o andar do Mundo com as suas armas de eleição: a ironia e um olhar crítico.” (...)

 

 

Mais informação no Observador, que inclui uma galeria de imagens com alguns dos trabalhos apresentados

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

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