Segunda-feira, 25 de Março, 2019
Mundo

Duelo entre os EUA e a China na corrida à Inteligência Artificial

Nos termos de uma frase atribuída ao Presidente russo Vladimir Putin, “quem domine a IA (Inteligência Artificial) dominará um dia o mundo”.

“É uma afirmação aparentemente exagerada, mas absolutamente certa, se tivermos em conta que do desenvolvimento da IA vai nascer a esperada ‘singularidade’  - o temido e esperado momento em que as máquinas vão superar, em inteligência e capacidades, os humanos.”

Segundo o jornalista Miguel Ossorio Vega  - que aqui citamos de Media-tics -  já vimos este cenário muitas vezes em filmes, “quase sempre com consequências fatais para nós, mas que países como os EUA e a China lutam por liderar. Para ambos, a Inteligência Artificial é uma questão estratégica, além de mais um capítulo na sua rivalidade pela liderança económica global”.

Segundo o autor, o líder nesta tecnologia continua a ser os Estados Unidos, que lhe destina 3,33 do PIB. A aposta da China é forte e já vai nos 2,16%. A Europa vai muito atrás, dedicando-lhe apenas 1,66% de um PIB que é semelhante ao dos EUA  -  mais de 11 mil milhões de euros da Zona Euro, perante os mais de 17 mil milhões dos EUA, e superior ao da China, de cerca de 10,8 mil milhões. 

Segundo informação da McKinsey  - citada pelo jornal espanhol El Mundo -  a Europa poderia aumentar o seu PIB em 2,7 mil milhões de euros se investisse em tecnologia ao mesmo nível dos Estados Unidos e da China. 

Mas, como comenta Miguel Ossorio Vega, com as suas características actuais, a União Europeia, “uma convergência inacabada a todos os níveis, revela disparidades que prejudicam a sua corrida”. 

As grandes diferenças, neste terreno, continuam a ser entre o Norte e o Sul: 

A Finlândia destina 3% do seu PIB à tecnologia, a Suécia 2,8% e a Holanda 2,6%. Mais perto de nós, a Espanha destina 1,3%, a Itália 1,2% e a Grécia 1,1%. 

“O facto de não ser um país, mas sim um conjunto de países com as suas próprias políticas e objectivos nacionais, impede que se alcance o potencial necessário para competir, em igualdade de condições, com os líderes de um mundo global em que mandam as superpotências.” (...) 

Por fim, e a propósito deste duelo de gigantes entre os Estados Unidos e a China, pela liderança no espaço de tecnologia mais avançada, é oportuno ler o trabalho de David Samuels, na revista mensal Wired, que tem como título original a questão de saber se essa tecnologia não estará a conduzir-nos na direcção do Big Brother

Traduzido para português e publicado na Revista do Expresso, o texto descreve como, tanto na China  - que já tem um sistema de “crédito social” controlado pelos dados da “pegada” digital de cada cidadão -  como nos Estados Unidos, onde as coisas ainda não foram tão longe, temos motivos de preocupação: 

“O Big Brother é uma realidade emergente na China. E, contudo, pelo menos no Ocidente, a ameaça de sistema de vigilância governamental ser integrado com as capacidades de vigilância de empresas privadas que já existem em companhias de big data como o Facebook, o Google, a Microsoft e a Amazon, num olho gigante que vê tudo, parece preocupar muito pouca gente  — embora países como a Venezuela tenham sido rápidos a copiar o modelo chinês. [NT: a expressão big data designa gigantescos bancos de dados que são analisados por computadores para determinar padrões e ligações.]” (...) 

“A velocidade a que ruirão os arranjos sociais baseados nos direitos individuais e na privacidade dependerá de quão rapidamente a big tech e o aparelho de segurança nacional americano consumarem uma relação que tem vindo a tornar-se cada vez mais próxima ao longo da última década.” 

“Embora as agências de segurança estatais americanas não tenham acesso regular em tempo real às quantidades gigantes de dados recolhidas por empresas como o Google, o Facebook e a Amazon  — pelo menos tanto quanto sabemos —  há relatos e provas objectivas que sugerem que os planetas da big tech e das agências de segurança americanas, antes distantes um do outro, estão a fundir-se rapidamente num único mundo corporativo e de vida burocrática, cujo potencial para localizar, distinguir, baralhar, manipular e censurar os cidadãos poderá resultar numa versão soft do Big Brother chinês.” (...)

 

Mais informação em Media-ticsEl Mundo  e na Wired

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José Ribeiro e Castro em Abril no jantar-debate do CPI Ver galeria

Advogado de profissão, político por vocação com um pé na Comunicação Social, José Ribeiro e Castro é o próximo orador–convidado no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, marcado para 16 de Abril, na Sala da Biblioteca do Grémio Literário.

Deputado, eurodeputado, governante , membro da equipa fundadora da TVI com Roberto Carneiro e antigo líder do CDS,  José Ribeiro e Castro começou cedo a respirar a política em casa.

Filho de Fernando Santos e Castro, que presidiu à Camara Municipal de Lisboa e foi o último governador português em Angola, Ribeiro e Castro nasceu em Lisboa  a 24 de Dezembro de 1953. É casado e tem três filhas e um filho.

Risco de nova “ordem mundial de Informação” sob modelo chinês Ver galeria

No contexto da visita do Presidente Xi Jinping a vários países europeus, para promover as “novas rotas da seda” das ambições económicas e geo-estratégicas da China, importa prestar também atenção à “nova ordem mundial da Informação” contida no projecto geral. Segundo um relatório muito recente dos Repórteres sem Fronteiras, o governo chinês, seguro do controlo que já exerce sobre os media nacionais e a Internet no seu próprio espaço, deseja impor um vocabulário “ideologicamente correcto” também fora de fronteiras.

E procura consegui-lo por uma panóplia de meios, que vão desde a sedução dos media ou jornalistas estrangeiros até várias formas de pressão ou mesmo intimidação.

“Há dez anos punha-se a questão de melhorar a situação na China. Mas, enquanto ONG de defesa da liberdade de Imprensa e dos jornalistas, encontramos cada vez mais dificuldades em ter impacto no país. A questão que se coloca hoje é: de que modo podem as democracias defender-se da influência mediática chinesa?”  - diz Cédric Alviani, presentante dos RSF para a Ásia Oriental.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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