null, 26 de Maio, 2019
Mundo

Duelo entre os EUA e a China na corrida à Inteligência Artificial

Nos termos de uma frase atribuída ao Presidente russo Vladimir Putin, “quem domine a IA (Inteligência Artificial) dominará um dia o mundo”.

“É uma afirmação aparentemente exagerada, mas absolutamente certa, se tivermos em conta que do desenvolvimento da IA vai nascer a esperada ‘singularidade’  - o temido e esperado momento em que as máquinas vão superar, em inteligência e capacidades, os humanos.”

Segundo o jornalista Miguel Ossorio Vega  - que aqui citamos de Media-tics -  já vimos este cenário muitas vezes em filmes, “quase sempre com consequências fatais para nós, mas que países como os EUA e a China lutam por liderar. Para ambos, a Inteligência Artificial é uma questão estratégica, além de mais um capítulo na sua rivalidade pela liderança económica global”.

Segundo o autor, o líder nesta tecnologia continua a ser os Estados Unidos, que lhe destina 3,33 do PIB. A aposta da China é forte e já vai nos 2,16%. A Europa vai muito atrás, dedicando-lhe apenas 1,66% de um PIB que é semelhante ao dos EUA  -  mais de 11 mil milhões de euros da Zona Euro, perante os mais de 17 mil milhões dos EUA, e superior ao da China, de cerca de 10,8 mil milhões. 

Segundo informação da McKinsey  - citada pelo jornal espanhol El Mundo -  a Europa poderia aumentar o seu PIB em 2,7 mil milhões de euros se investisse em tecnologia ao mesmo nível dos Estados Unidos e da China. 

Mas, como comenta Miguel Ossorio Vega, com as suas características actuais, a União Europeia, “uma convergência inacabada a todos os níveis, revela disparidades que prejudicam a sua corrida”. 

As grandes diferenças, neste terreno, continuam a ser entre o Norte e o Sul: 

A Finlândia destina 3% do seu PIB à tecnologia, a Suécia 2,8% e a Holanda 2,6%. Mais perto de nós, a Espanha destina 1,3%, a Itália 1,2% e a Grécia 1,1%. 

“O facto de não ser um país, mas sim um conjunto de países com as suas próprias políticas e objectivos nacionais, impede que se alcance o potencial necessário para competir, em igualdade de condições, com os líderes de um mundo global em que mandam as superpotências.” (...) 

Por fim, e a propósito deste duelo de gigantes entre os Estados Unidos e a China, pela liderança no espaço de tecnologia mais avançada, é oportuno ler o trabalho de David Samuels, na revista mensal Wired, que tem como título original a questão de saber se essa tecnologia não estará a conduzir-nos na direcção do Big Brother

Traduzido para português e publicado na Revista do Expresso, o texto descreve como, tanto na China  - que já tem um sistema de “crédito social” controlado pelos dados da “pegada” digital de cada cidadão -  como nos Estados Unidos, onde as coisas ainda não foram tão longe, temos motivos de preocupação: 

“O Big Brother é uma realidade emergente na China. E, contudo, pelo menos no Ocidente, a ameaça de sistema de vigilância governamental ser integrado com as capacidades de vigilância de empresas privadas que já existem em companhias de big data como o Facebook, o Google, a Microsoft e a Amazon, num olho gigante que vê tudo, parece preocupar muito pouca gente  — embora países como a Venezuela tenham sido rápidos a copiar o modelo chinês. [NT: a expressão big data designa gigantescos bancos de dados que são analisados por computadores para determinar padrões e ligações.]” (...) 

“A velocidade a que ruirão os arranjos sociais baseados nos direitos individuais e na privacidade dependerá de quão rapidamente a big tech e o aparelho de segurança nacional americano consumarem uma relação que tem vindo a tornar-se cada vez mais próxima ao longo da última década.” 

“Embora as agências de segurança estatais americanas não tenham acesso regular em tempo real às quantidades gigantes de dados recolhidas por empresas como o Google, o Facebook e a Amazon  — pelo menos tanto quanto sabemos —  há relatos e provas objectivas que sugerem que os planetas da big tech e das agências de segurança americanas, antes distantes um do outro, estão a fundir-se rapidamente num único mundo corporativo e de vida burocrática, cujo potencial para localizar, distinguir, baralhar, manipular e censurar os cidadãos poderá resultar numa versão soft do Big Brother chinês.” (...)

 

Mais informação em Media-ticsEl Mundo  e na Wired

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Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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