Segunda-feira, 24 de Fevereiro, 2020
Mundo

Duelo entre os EUA e a China na corrida à Inteligência Artificial

Nos termos de uma frase atribuída ao Presidente russo Vladimir Putin, “quem domine a IA (Inteligência Artificial) dominará um dia o mundo”.

“É uma afirmação aparentemente exagerada, mas absolutamente certa, se tivermos em conta que do desenvolvimento da IA vai nascer a esperada ‘singularidade’  - o temido e esperado momento em que as máquinas vão superar, em inteligência e capacidades, os humanos.”

Segundo o jornalista Miguel Ossorio Vega  - que aqui citamos de Media-tics -  já vimos este cenário muitas vezes em filmes, “quase sempre com consequências fatais para nós, mas que países como os EUA e a China lutam por liderar. Para ambos, a Inteligência Artificial é uma questão estratégica, além de mais um capítulo na sua rivalidade pela liderança económica global”.

Segundo o autor, o líder nesta tecnologia continua a ser os Estados Unidos, que lhe destina 3,33 do PIB. A aposta da China é forte e já vai nos 2,16%. A Europa vai muito atrás, dedicando-lhe apenas 1,66% de um PIB que é semelhante ao dos EUA  -  mais de 11 mil milhões de euros da Zona Euro, perante os mais de 17 mil milhões dos EUA, e superior ao da China, de cerca de 10,8 mil milhões. 

Segundo informação da McKinsey  - citada pelo jornal espanhol El Mundo -  a Europa poderia aumentar o seu PIB em 2,7 mil milhões de euros se investisse em tecnologia ao mesmo nível dos Estados Unidos e da China. 

Mas, como comenta Miguel Ossorio Vega, com as suas características actuais, a União Europeia, “uma convergência inacabada a todos os níveis, revela disparidades que prejudicam a sua corrida”. 

As grandes diferenças, neste terreno, continuam a ser entre o Norte e o Sul: 

A Finlândia destina 3% do seu PIB à tecnologia, a Suécia 2,8% e a Holanda 2,6%. Mais perto de nós, a Espanha destina 1,3%, a Itália 1,2% e a Grécia 1,1%. 

“O facto de não ser um país, mas sim um conjunto de países com as suas próprias políticas e objectivos nacionais, impede que se alcance o potencial necessário para competir, em igualdade de condições, com os líderes de um mundo global em que mandam as superpotências.” (...) 

Por fim, e a propósito deste duelo de gigantes entre os Estados Unidos e a China, pela liderança no espaço de tecnologia mais avançada, é oportuno ler o trabalho de David Samuels, na revista mensal Wired, que tem como título original a questão de saber se essa tecnologia não estará a conduzir-nos na direcção do Big Brother

Traduzido para português e publicado na Revista do Expresso, o texto descreve como, tanto na China  - que já tem um sistema de “crédito social” controlado pelos dados da “pegada” digital de cada cidadão -  como nos Estados Unidos, onde as coisas ainda não foram tão longe, temos motivos de preocupação: 

“O Big Brother é uma realidade emergente na China. E, contudo, pelo menos no Ocidente, a ameaça de sistema de vigilância governamental ser integrado com as capacidades de vigilância de empresas privadas que já existem em companhias de big data como o Facebook, o Google, a Microsoft e a Amazon, num olho gigante que vê tudo, parece preocupar muito pouca gente  — embora países como a Venezuela tenham sido rápidos a copiar o modelo chinês. [NT: a expressão big data designa gigantescos bancos de dados que são analisados por computadores para determinar padrões e ligações.]” (...) 

“A velocidade a que ruirão os arranjos sociais baseados nos direitos individuais e na privacidade dependerá de quão rapidamente a big tech e o aparelho de segurança nacional americano consumarem uma relação que tem vindo a tornar-se cada vez mais próxima ao longo da última década.” 

“Embora as agências de segurança estatais americanas não tenham acesso regular em tempo real às quantidades gigantes de dados recolhidas por empresas como o Google, o Facebook e a Amazon  — pelo menos tanto quanto sabemos —  há relatos e provas objectivas que sugerem que os planetas da big tech e das agências de segurança americanas, antes distantes um do outro, estão a fundir-se rapidamente num único mundo corporativo e de vida burocrática, cujo potencial para localizar, distinguir, baralhar, manipular e censurar os cidadãos poderá resultar numa versão soft do Big Brother chinês.” (...)

 

Mais informação em Media-ticsEl Mundo  e na Wired

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Faleceu Vasco Pulido Valente cronista singular de imprensa Ver galeria

Faleceu o historiador, escritor, ensaísta e  cronista de imprensa, enquanto comentador político, Vasco Pulido Valente. A informação foi confirmada ao jornal “Público” e ao “Observador” por fonte familiar. 

 Vasco Pulido Valente, distinguiu-se como colunista com textos repartidos por vários jornais, e pela acidez irónica que cultivava nos seus comentários, invariavelmente cáusticos e certeiros em relação a não poucos actores do espaço político-partidário.

 O nome que o tornou célebre (e temido), era o pseudónimo de Vasco Valente Correia Guedes, que nasceu em Lisboa a 21 de Novembro de 1941. Licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras de Lisboa e tirou um doutoramento em História pela Universidade de Oxford. No final da década de 60, uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian permitiu-lhe estudar em Inglaterra, onde se doutorou, sendo um devoto de uma certa cultura académica, típica de Oxford.


Guia para um discurso jornalístico simplificado... Ver galeria

As “hard news” podem tornar-se pouco atractivas para os leitores, devido à linguagem formal e à utilização de conceitos desconhecidos pela maioria do “comum dos mortais”. 

Por muito que os jornalistas se esforcem para fazer passar a mensagem de forma clara, muitas vezes trabalham em “contra-relógio”, o que torna difícil a tarefa de escrever de maneira apelativa. Foi a pensar nesses profissionais que a jornalista Roy Peter Clark elaborou um pequeno guia, publicado na revista “Poynter”. 

Para a autora, o mais importante é escrever como quem conversa com um amigo num bar. É crucial utilizar linguagem simplificada, dar exemplos e explicar conceitos. Assim, poderá ser útil falar sobre o conteúdo, ainda que em monólogo, e só depois escrevê-lo.

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...