Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Mundo

Duelo entre os EUA e a China na corrida à Inteligência Artificial

Nos termos de uma frase atribuída ao Presidente russo Vladimir Putin, “quem domine a IA (Inteligência Artificial) dominará um dia o mundo”.

“É uma afirmação aparentemente exagerada, mas absolutamente certa, se tivermos em conta que do desenvolvimento da IA vai nascer a esperada ‘singularidade’  - o temido e esperado momento em que as máquinas vão superar, em inteligência e capacidades, os humanos.”

Segundo o jornalista Miguel Ossorio Vega  - que aqui citamos de Media-tics -  já vimos este cenário muitas vezes em filmes, “quase sempre com consequências fatais para nós, mas que países como os EUA e a China lutam por liderar. Para ambos, a Inteligência Artificial é uma questão estratégica, além de mais um capítulo na sua rivalidade pela liderança económica global”.

Segundo o autor, o líder nesta tecnologia continua a ser os Estados Unidos, que lhe destina 3,33 do PIB. A aposta da China é forte e já vai nos 2,16%. A Europa vai muito atrás, dedicando-lhe apenas 1,66% de um PIB que é semelhante ao dos EUA  -  mais de 11 mil milhões de euros da Zona Euro, perante os mais de 17 mil milhões dos EUA, e superior ao da China, de cerca de 10,8 mil milhões. 

Segundo informação da McKinsey  - citada pelo jornal espanhol El Mundo -  a Europa poderia aumentar o seu PIB em 2,7 mil milhões de euros se investisse em tecnologia ao mesmo nível dos Estados Unidos e da China. 

Mas, como comenta Miguel Ossorio Vega, com as suas características actuais, a União Europeia, “uma convergência inacabada a todos os níveis, revela disparidades que prejudicam a sua corrida”. 

As grandes diferenças, neste terreno, continuam a ser entre o Norte e o Sul: 

A Finlândia destina 3% do seu PIB à tecnologia, a Suécia 2,8% e a Holanda 2,6%. Mais perto de nós, a Espanha destina 1,3%, a Itália 1,2% e a Grécia 1,1%. 

“O facto de não ser um país, mas sim um conjunto de países com as suas próprias políticas e objectivos nacionais, impede que se alcance o potencial necessário para competir, em igualdade de condições, com os líderes de um mundo global em que mandam as superpotências.” (...) 

Por fim, e a propósito deste duelo de gigantes entre os Estados Unidos e a China, pela liderança no espaço de tecnologia mais avançada, é oportuno ler o trabalho de David Samuels, na revista mensal Wired, que tem como título original a questão de saber se essa tecnologia não estará a conduzir-nos na direcção do Big Brother

Traduzido para português e publicado na Revista do Expresso, o texto descreve como, tanto na China  - que já tem um sistema de “crédito social” controlado pelos dados da “pegada” digital de cada cidadão -  como nos Estados Unidos, onde as coisas ainda não foram tão longe, temos motivos de preocupação: 

“O Big Brother é uma realidade emergente na China. E, contudo, pelo menos no Ocidente, a ameaça de sistema de vigilância governamental ser integrado com as capacidades de vigilância de empresas privadas que já existem em companhias de big data como o Facebook, o Google, a Microsoft e a Amazon, num olho gigante que vê tudo, parece preocupar muito pouca gente  — embora países como a Venezuela tenham sido rápidos a copiar o modelo chinês. [NT: a expressão big data designa gigantescos bancos de dados que são analisados por computadores para determinar padrões e ligações.]” (...) 

“A velocidade a que ruirão os arranjos sociais baseados nos direitos individuais e na privacidade dependerá de quão rapidamente a big tech e o aparelho de segurança nacional americano consumarem uma relação que tem vindo a tornar-se cada vez mais próxima ao longo da última década.” 

“Embora as agências de segurança estatais americanas não tenham acesso regular em tempo real às quantidades gigantes de dados recolhidas por empresas como o Google, o Facebook e a Amazon  — pelo menos tanto quanto sabemos —  há relatos e provas objectivas que sugerem que os planetas da big tech e das agências de segurança americanas, antes distantes um do outro, estão a fundir-se rapidamente num único mundo corporativo e de vida burocrática, cujo potencial para localizar, distinguir, baralhar, manipular e censurar os cidadãos poderá resultar numa versão soft do Big Brother chinês.” (...)

 

Mais informação em Media-ticsEl Mundo  e na Wired

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Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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