Sábado, 17 de Agosto, 2019
Media

Portugal e Suíça poupados em relatório dos Repórteres sem Fronteiras

Portugal e a Suíça são apresentados como exemplo positivo no capítulo europeu do Informe Anual 2018, elaborado pela secção espanhola dos Repórteres sem Fronteiras e divulgado em Madrid.

A Suíça, por ter decidido a continuação do financiamento da estação pública de radiotelevisão, que teria fechado em caso contrário. E Portugal por ter aprovado nova legislação que agrava as sanções em caso de crimes cometidos contra os que informam, que passam a figurar como “pessoas protegidas”.  

Tanto este capítulo sobre a Europa, como a introdução geral assinada por Alfonso Armada, presidente de Reporteros sin Fronteras, destacam as ameaças e retrocessos da liberdade de Imprensa aqui e em todo o mundo: “Sopram ventos maus sobre a liberdade de Imprensa no mundo, porque sopram ventos maus sobre a liberdade”  -  afirma.

A apresentação pública do documento realizou-se, a 8 de Fevereiro, no salão nobre da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

“Nunca imaginei, quando comecei a sonhar que seria jornalista, que um dia viria a ser considerado ‘inimigo do povo’”  - escreve Alfonso Armada. 

“Este Informe Anual 2018 demonstra como continuam preocupantes, no mundo, as tendências herdadas dos anos anteriores, enquanto se acentuam outras, como a violência da população contra os que informam.” (...) 

A introdução ao capítulo sobre a Europa afirma que “os governos europeus persistem no seu empenho em legitimar a vigilância das comunicações dos jornalistas com novas iniciativas legislativas”. É referido explicitamente o problema da exportação, por vários países europeus, de tecnologia desta natureza. 

“Se a revisão do regulamento não for adoptada no início de 2019, há o risco de que seja adiada, por motivo das próximas eleições. Os Repórteres sem Fronteiras e outras organizações advertem do perigo decorrente dos programas de vigilância para os profissionais da Informação e as suas fontes.” 

“Outra tendência alarmante é o desmembramento dos meios de comunicação, incluindo públicos, bem como a crescente censura desde a chegada aos governos de grupos de extrema-direita em vários países europeus, como são os casos da Áustria, Polónia ou Hungria.” 

“A concentração de meios de comunicação nas mãos de poucos, geralmente grandes grupos editoriais ou oligarcas próximos do governo, é também uma situação comum a vários Estados. Em alguns casos, como no Reino Unido, a segurança nacional serviu como desculpa para uma política mais restritiva perante a Imprensa.” (...)

 

 

Mais informação sobre a apresentação do documento e o texto do Informe Anual 2018.

O relatório anterior dos RSF, com o ranking da liberdade de Imprensa, publicado em Janeiro de 2019

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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