Quarta-feira, 24 de Abril, 2019
Media

Portugal e Suíça poupados em relatório dos Repórteres sem Fronteiras

Portugal e a Suíça são apresentados como exemplo positivo no capítulo europeu do Informe Anual 2018, elaborado pela secção espanhola dos Repórteres sem Fronteiras e divulgado em Madrid.

A Suíça, por ter decidido a continuação do financiamento da estação pública de radiotelevisão, que teria fechado em caso contrário. E Portugal por ter aprovado nova legislação que agrava as sanções em caso de crimes cometidos contra os que informam, que passam a figurar como “pessoas protegidas”.  

Tanto este capítulo sobre a Europa, como a introdução geral assinada por Alfonso Armada, presidente de Reporteros sin Fronteras, destacam as ameaças e retrocessos da liberdade de Imprensa aqui e em todo o mundo: “Sopram ventos maus sobre a liberdade de Imprensa no mundo, porque sopram ventos maus sobre a liberdade”  -  afirma.

A apresentação pública do documento realizou-se, a 8 de Fevereiro, no salão nobre da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

“Nunca imaginei, quando comecei a sonhar que seria jornalista, que um dia viria a ser considerado ‘inimigo do povo’”  - escreve Alfonso Armada. 

“Este Informe Anual 2018 demonstra como continuam preocupantes, no mundo, as tendências herdadas dos anos anteriores, enquanto se acentuam outras, como a violência da população contra os que informam.” (...) 

A introdução ao capítulo sobre a Europa afirma que “os governos europeus persistem no seu empenho em legitimar a vigilância das comunicações dos jornalistas com novas iniciativas legislativas”. É referido explicitamente o problema da exportação, por vários países europeus, de tecnologia desta natureza. 

“Se a revisão do regulamento não for adoptada no início de 2019, há o risco de que seja adiada, por motivo das próximas eleições. Os Repórteres sem Fronteiras e outras organizações advertem do perigo decorrente dos programas de vigilância para os profissionais da Informação e as suas fontes.” 

“Outra tendência alarmante é o desmembramento dos meios de comunicação, incluindo públicos, bem como a crescente censura desde a chegada aos governos de grupos de extrema-direita em vários países europeus, como são os casos da Áustria, Polónia ou Hungria.” 

“A concentração de meios de comunicação nas mãos de poucos, geralmente grandes grupos editoriais ou oligarcas próximos do governo, é também uma situação comum a vários Estados. Em alguns casos, como no Reino Unido, a segurança nacional serviu como desculpa para uma política mais restritiva perante a Imprensa.” (...)

 

 

Mais informação sobre a apresentação do documento e o texto do Informe Anual 2018.

O relatório anterior dos RSF, com o ranking da liberdade de Imprensa, publicado em Janeiro de 2019

Connosco
Os sete elementos decisivos para os leitores confiarem nos Media Ver galeria

Sete elementos fundamentais foram identificados como decisivos na confiança que os leitores depositam num meio de comunicação  - e os três primeiros, votados a grande distância de todos os outros, são o equilíbrio, a honestidade e a profundidade de tratamento dos temas.

Esta recolha foi elaborada a partir de um inquérito realizado por vários media associados à TrustingNews.org, na forma de 81 entrevistas pessoais com leitores escolhidos como representantes de diversos pontos de vista.

Rob Jones, um estudante na Escola de Jornalismo do Missouri, pesquisou os temas mais presentes em todas as respostas e organizou-os no estudo agora divulgado pelo Instituto Reynolds de Jornalismo. A informação é publicada na Red Ética, da FNPI – Fundación para el Nuevo Periodismo Iberoamericano.
Quando o jornalismo procura o passado para ler o futuro Ver galeria

O futuro que foi imaginado pela literatura do passado nem sempre coincide com o que vemos hoje. Tanto pelo seu lado mais luminoso, como pelo mais sombrio, podemos reencontrar “imagens das histórias utópicas ou distópicas já contadas”.
Mas, “em tempos de esperança reduzida, em que pouco se vê além da poeira levantada pela vida agitada deste momento, as distopias têm voltado a ser mais lembradas”.

É esta a reflexão inicial de Vanessa Pedro, docente de jornalismo e pesquisadora do ObjEthos, num artigo sobre este gosto presente pelos zombies, “as histórias dos mortos-vivos, que nem se vão nos deixando em paz e nem voltam mesmo à vida como um milagre que poderia trazer esperanças de renovação”.

Neste tipo de leitura  - como acrescenta -  “o passado acaba sendo um ideal mais interessante e feliz do que o futuro”:

“E aí vemos diversos agendamentos, inclusive como pauta do Jornalismo e da sociedade de forma geral. O período da ditadura militar brasileira passa a ser idolatrado, defendido e desejado, quase festejado. (...)  Até as décadas que antecedem e sucedem a Segunda Guerra Mundial entraram na disputa, têm sido citadas, defendidas, atacadas, recontadas para serem usadas como narrativas de um mundo ideal, ou ideal para ser repelido.” (...)

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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