Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Media

Portugal e Suíça poupados em relatório dos Repórteres sem Fronteiras

Portugal e a Suíça são apresentados como exemplo positivo no capítulo europeu do Informe Anual 2018, elaborado pela secção espanhola dos Repórteres sem Fronteiras e divulgado em Madrid.

A Suíça, por ter decidido a continuação do financiamento da estação pública de radiotelevisão, que teria fechado em caso contrário. E Portugal por ter aprovado nova legislação que agrava as sanções em caso de crimes cometidos contra os que informam, que passam a figurar como “pessoas protegidas”.  

Tanto este capítulo sobre a Europa, como a introdução geral assinada por Alfonso Armada, presidente de Reporteros sin Fronteras, destacam as ameaças e retrocessos da liberdade de Imprensa aqui e em todo o mundo: “Sopram ventos maus sobre a liberdade de Imprensa no mundo, porque sopram ventos maus sobre a liberdade”  -  afirma.

A apresentação pública do documento realizou-se, a 8 de Fevereiro, no salão nobre da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

“Nunca imaginei, quando comecei a sonhar que seria jornalista, que um dia viria a ser considerado ‘inimigo do povo’”  - escreve Alfonso Armada. 

“Este Informe Anual 2018 demonstra como continuam preocupantes, no mundo, as tendências herdadas dos anos anteriores, enquanto se acentuam outras, como a violência da população contra os que informam.” (...) 

A introdução ao capítulo sobre a Europa afirma que “os governos europeus persistem no seu empenho em legitimar a vigilância das comunicações dos jornalistas com novas iniciativas legislativas”. É referido explicitamente o problema da exportação, por vários países europeus, de tecnologia desta natureza. 

“Se a revisão do regulamento não for adoptada no início de 2019, há o risco de que seja adiada, por motivo das próximas eleições. Os Repórteres sem Fronteiras e outras organizações advertem do perigo decorrente dos programas de vigilância para os profissionais da Informação e as suas fontes.” 

“Outra tendência alarmante é o desmembramento dos meios de comunicação, incluindo públicos, bem como a crescente censura desde a chegada aos governos de grupos de extrema-direita em vários países europeus, como são os casos da Áustria, Polónia ou Hungria.” 

“A concentração de meios de comunicação nas mãos de poucos, geralmente grandes grupos editoriais ou oligarcas próximos do governo, é também uma situação comum a vários Estados. Em alguns casos, como no Reino Unido, a segurança nacional serviu como desculpa para uma política mais restritiva perante a Imprensa.” (...)

 

 

Mais informação sobre a apresentação do documento e o texto do Informe Anual 2018.

O relatório anterior dos RSF, com o ranking da liberdade de Imprensa, publicado em Janeiro de 2019

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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