Sábado, 17 de Agosto, 2019
Media

"L'Express" pode mudar de mãos mais uma vez

Uma alteração de gestores no seio do universo Altice poderia levar o semanário L’Express a mudar mais uma vez de mãos. Segundo informação do semanário económico Challenges, Patrick Drahi, que detém neste momento a totalidade do capital de L’Express, por via do seu Grupo Altice (com sede na Holanda), poderia ceder a maioria a Alain Weill, administrador executivo da Altice France e director-geral da Altice Europe, mantendo apenas 10%.

A redacção de L’Express ficou estupefacta pela revelação da Challenges, que não foi ainda confirmada. Segundo a Altice France, será enviada brevemente uma “comunicação muito exacta” aos trabalhadores, para deixar “tudo clarificado”.  

“Desde 2015 nos interrogávamos sobre o motivo pelo qual Patrick Drahi adquiria L’Express”  -  diz uma jornalista do semanário. “Visivelmente, nunca teremos a resposta.”

Segundo Le Figaro  - que aqui citamos  -  nos últimos três anos L’Express multiplicou os seus directores, bem como novas fórmulas e estratégiais digitais. E não parece ter acabado. 

Alain Weill encontrou-se no final de 2018 com as equipas da revista, que rejeitavam a nomeação do Philippe Jannet como director editorial, e indicou que pretendia assumir este dossier, lançando, até ao Verão, um projecto “disruptivo e radical” para recuperar a publicação. 

“Não se trata de uma nova fórmula  - explica uma jornalista -,  “isto vai muito mais longe.” 

“Alain Weill estaria a tomar como exemplo The Economist. O objectivo seria dirigir a revista aos decisores de classe alta, reforçando a análise e a opinião, com uma linha editorial forte. L’Express continuaria como semanário, mas a paginação seria reduzida.” (...) 

Segundo os dados da ACPM, a circulação paga de L’Express baixou 17% no espaço de um ano, para uma média de 244 mil exemplares por semana. As vendas em quiosque caíram 25%, e as assinaturas da edição impressa 20%. Mas as assinaturas digitais estão a subir, tendo passado de três mil, em Outubro de 2017, para 17.700 em Setembro de 2018.

 

Mais informação em Le Figaro  e o artigo original, na Challenges

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

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Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

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