Quarta-feira, 24 de Abril, 2019
Media

"L'Express" pode mudar de mãos mais uma vez

Uma alteração de gestores no seio do universo Altice poderia levar o semanário L’Express a mudar mais uma vez de mãos. Segundo informação do semanário económico Challenges, Patrick Drahi, que detém neste momento a totalidade do capital de L’Express, por via do seu Grupo Altice (com sede na Holanda), poderia ceder a maioria a Alain Weill, administrador executivo da Altice France e director-geral da Altice Europe, mantendo apenas 10%.

A redacção de L’Express ficou estupefacta pela revelação da Challenges, que não foi ainda confirmada. Segundo a Altice France, será enviada brevemente uma “comunicação muito exacta” aos trabalhadores, para deixar “tudo clarificado”.  

“Desde 2015 nos interrogávamos sobre o motivo pelo qual Patrick Drahi adquiria L’Express”  -  diz uma jornalista do semanário. “Visivelmente, nunca teremos a resposta.”

Segundo Le Figaro  - que aqui citamos  -  nos últimos três anos L’Express multiplicou os seus directores, bem como novas fórmulas e estratégiais digitais. E não parece ter acabado. 

Alain Weill encontrou-se no final de 2018 com as equipas da revista, que rejeitavam a nomeação do Philippe Jannet como director editorial, e indicou que pretendia assumir este dossier, lançando, até ao Verão, um projecto “disruptivo e radical” para recuperar a publicação. 

“Não se trata de uma nova fórmula  - explica uma jornalista -,  “isto vai muito mais longe.” 

“Alain Weill estaria a tomar como exemplo The Economist. O objectivo seria dirigir a revista aos decisores de classe alta, reforçando a análise e a opinião, com uma linha editorial forte. L’Express continuaria como semanário, mas a paginação seria reduzida.” (...) 

Segundo os dados da ACPM, a circulação paga de L’Express baixou 17% no espaço de um ano, para uma média de 244 mil exemplares por semana. As vendas em quiosque caíram 25%, e as assinaturas da edição impressa 20%. Mas as assinaturas digitais estão a subir, tendo passado de três mil, em Outubro de 2017, para 17.700 em Setembro de 2018.

 

Mais informação em Le Figaro  e o artigo original, na Challenges

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Os sete elementos decisivos para os leitores confiarem nos Media Ver galeria

Sete elementos fundamentais foram identificados como decisivos na confiança que os leitores depositam num meio de comunicação  - e os três primeiros, votados a grande distância de todos os outros, são o equilíbrio, a honestidade e a profundidade de tratamento dos temas.

Esta recolha foi elaborada a partir de um inquérito realizado por vários media associados à TrustingNews.org, na forma de 81 entrevistas pessoais com leitores escolhidos como representantes de diversos pontos de vista.

Rob Jones, um estudante na Escola de Jornalismo do Missouri, pesquisou os temas mais presentes em todas as respostas e organizou-os no estudo agora divulgado pelo Instituto Reynolds de Jornalismo. A informação é publicada na Red Ética, da FNPI – Fundación para el Nuevo Periodismo Iberoamericano.
Quando o jornalismo procura o passado para ler o futuro Ver galeria

O futuro que foi imaginado pela literatura do passado nem sempre coincide com o que vemos hoje. Tanto pelo seu lado mais luminoso, como pelo mais sombrio, podemos reencontrar “imagens das histórias utópicas ou distópicas já contadas”.
Mas, “em tempos de esperança reduzida, em que pouco se vê além da poeira levantada pela vida agitada deste momento, as distopias têm voltado a ser mais lembradas”.

É esta a reflexão inicial de Vanessa Pedro, docente de jornalismo e pesquisadora do ObjEthos, num artigo sobre este gosto presente pelos zombies, “as histórias dos mortos-vivos, que nem se vão nos deixando em paz e nem voltam mesmo à vida como um milagre que poderia trazer esperanças de renovação”.

Neste tipo de leitura  - como acrescenta -  “o passado acaba sendo um ideal mais interessante e feliz do que o futuro”:

“E aí vemos diversos agendamentos, inclusive como pauta do Jornalismo e da sociedade de forma geral. O período da ditadura militar brasileira passa a ser idolatrado, defendido e desejado, quase festejado. (...)  Até as décadas que antecedem e sucedem a Segunda Guerra Mundial entraram na disputa, têm sido citadas, defendidas, atacadas, recontadas para serem usadas como narrativas de um mundo ideal, ou ideal para ser repelido.” (...)

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

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Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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