Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Media

Google investe na Wikipedia com interesse na proximidade

A Google anunciou o investimento de 3,1 milhões de dólares na Fundação Wikimedia, que detém a famosa enciclopédia digital Wikipedia. Já tinha investido, na última década, mais de 7,5 milhões. Por que é que o faz? Porque precisa. E não está sozinha neste passo  - também a Apple e a Amazon têm contribuído para a Wikipedia.

Uma das razões decisivas é que as grandes empresas tecnológicas “precisam de ter acesso à gigantesca base de dados de conhecimento de qualidade da Wikipedia”. Segundo o jornalista Miguel Ossorio Veja  - que aqui citamos de Media-tics, a Wikipedia tornou-se “um gigante a nadar contra a corrente; uma plataforma aberta criada pelos seus próprios utentes e que, apesar disso, consegue manter a qualidade dos seus artigos em pleno apogeu das fake news”.

Até ao ponto de se ter tornado “uma fonte fiável para plataformas como o YouTube, que usam os conteúdos da Wikipedia para ajudar a verificar a informação contida nalguns vídeos”.

Em muitas pesquisas, como conta o autor, “o primeiro conteúdo apresentado é o que vem na Wikipedia  - o que também sucede quando se faz a pergunta ao assistente virtual, integrado na maioria dos dispositivos móveis com Android”. Portanto, a Google dá como resposta uma informação da Wikipedia, e nem tinha de pagar por isso, porque esta depende de uma licença Creative Commons, que permite a utilização dos seus conteúdos… 

“Mas também é verdade que uma colaboração mais íntima permite aceder a mais do que um link. Sem ir mais longe, a Google utiliza conteúdos da Wikipedia para treinar alguns dos seus sistemas de Inteligência Artificial. Um deles é o Jigsaw, pensado para combater os trolls que contaminam a Net.” (…) 

Esta proximidade entre Google e Wikipedia também tem a ver com as línguas. A Wikipedia tem textos em mais de uma centena de idiomas, embora a maioria venha nos que são dominantes. Isto prejudica as aspirações da Google para crescer em mercados como o da Índia, por exemplo, onde “apenas 27% da população tem um smartphone, mas o número está crescer a grande velocidade”. 

“A Google tem muito a ganhar neste crescimento, graças ao Android, mas para isso precisa que os seus motores de busca possam também incluir essas línguas menos utilizadas na Internet.” 

Foi assim que nasceu o Projecto Tiger, que procura proporcionar “informação sobre temas populares de busca pela Google para os quais não existe conteúdo num idioma local muito limitado”, segundo a explicação oficial. 

“O projecto foi rebaptizado GLOW – Growing Local Language Content in Wikipedia, com o objectivo de ser ampliado para a Indonésia, México, Nigéria, Médio Oriente e Norte de África.” (…) 

“Tudo isto vai ajudar a Google a crescer nos mercados emergentes, em que tudo está por escrever (literalmente). Em troca, a empresa ajuda a Wikipedia com dinheiro, mas também com tecnologia.” (…)

 

 

O artigo aqui citado, em Media-tics, e a notícia original, na Wired

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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