Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Opinião

Os jornais perdem a casa e as televisões a cabeça…

por Dinis de Abreu

Os actuais detentores da Global Media, proprietária do Diário de Noticias e do Jornal de Noticias, além da TSF e de outros títulos, parecem estar a especializar-se como uma espécie  de “comissão  liquidatária” da empresa.

Depois de alienarem  o edifício-sede histórico do Diário de Noticias , construído de raiz para albergar aquele jornal centenário,  segundo um projecto de Pardal Monteiro,  de 1936, terão repetido a operação com a sede do  Noticias do  Porto,  edificada nos anos 50, a beneficio de um grupo chinês.

Em ambos os casos, os jornais desalojados perdem a dignidade das casas onde cresceram e se consolidaram. O DN passou a ser um locatário quase anónimo de uma das Torres Lisboa. E o JN tem como destino, ao que parece, um edifício devoluto,  conhecido pela “garagem da Fiat”.

O desprezo pela história dos dois jornais é manifesto. A indiferença dos poderes públicos também. 

A agonia da Imprensa prossegue e, descontadas algumas piedosas declarações  -  que não passam disso -, o que se confirma é a opção pela negociata  rendosa, ao vender  património e realizar  mais-valias chorudas, “surfando”  a onda especulativa  imobiliária, com a cumplicidade  das autarquias de Lisboa e do Porto, incapazes de contrariar  a morte anunciada   destas memórias  das cidades.

É verdade que não são só os jornais a serem sacrificados. A febre que se apossou dos especuladores,  aliada à permissividade dos autarcas, tem vindo a  descaracterizar  Lisboa e o  Porto , cada vez mais virados para os turistas e menos para o bem estar dos  residentes.

Mas os jornais , que já são vítimas da crise do papel  e da incapacidade dos seus responsáveis para agilizar os métodos e encontrarem alternativas , estão a desaparecer, também, da paisagem urbana da qual fizeram parte .

O silêncio e o secretismo  que hoje acompanham estas operações imobiliárias contam com vários conluios, e os jornalistas  só podem lamentar a sua própria apatia.

De facto, vai longe o tempo em que os jornalistas do DN dinamizaram um movimento que travou a primeira investida para vender a sede do matutino,  no topo de avenida da Liberdade. Depois, mudaram os tempos, mudaram as administrações, mudaram as direcções  editoriais e mudaram   as vontades. Quanto ao JN, que se saiba, não houve sequer  reacção. E quem cala consente… a garagem devoluta.

Vive-se em Portugal uma transição mediática  estranha. A imprensa perde terreno e a televisão perde a cabeça com a “guerra das audiências”.

Só isso explica que o Presidente das República se lembre de telefonar a entretainers  e se preste  a caucionar, com a sua presença,  a emissão inaugural de um programa velho chamado “Quadratura do Círculo”, dispensado pela SIC , e repescado pela TVI,  travestido  em “Circulatura do Quadrado” (!!!... ). Uma aberração. Com o beneplácito presidencial…

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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