Quarta-feira, 24 de Abril, 2019
Opinião

Os jornais perdem a casa e as televisões a cabeça…

por Dinis de Abreu

Os actuais detentores da Global Media, proprietária do Diário de Noticias e do Jornal de Noticias, além da TSF e de outros títulos, parecem estar a especializar-se como uma espécie  de “comissão  liquidatária” da empresa.

Depois de alienarem  o edifício-sede histórico do Diário de Noticias , construído de raiz para albergar aquele jornal centenário,  segundo um projecto de Pardal Monteiro,  de 1936, terão repetido a operação com a sede do  Noticias do  Porto,  edificada nos anos 50, a beneficio de um grupo chinês.

Em ambos os casos, os jornais desalojados perdem a dignidade das casas onde cresceram e se consolidaram. O DN passou a ser um locatário quase anónimo de uma das Torres Lisboa. E o JN tem como destino, ao que parece, um edifício devoluto,  conhecido pela “garagem da Fiat”.

O desprezo pela história dos dois jornais é manifesto. A indiferença dos poderes públicos também. 

A agonia da Imprensa prossegue e, descontadas algumas piedosas declarações  -  que não passam disso -, o que se confirma é a opção pela negociata  rendosa, ao vender  património e realizar  mais-valias chorudas, “surfando”  a onda especulativa  imobiliária, com a cumplicidade  das autarquias de Lisboa e do Porto, incapazes de contrariar  a morte anunciada   destas memórias  das cidades.

É verdade que não são só os jornais a serem sacrificados. A febre que se apossou dos especuladores,  aliada à permissividade dos autarcas, tem vindo a  descaracterizar  Lisboa e o  Porto , cada vez mais virados para os turistas e menos para o bem estar dos  residentes.

Mas os jornais , que já são vítimas da crise do papel  e da incapacidade dos seus responsáveis para agilizar os métodos e encontrarem alternativas , estão a desaparecer, também, da paisagem urbana da qual fizeram parte .

O silêncio e o secretismo  que hoje acompanham estas operações imobiliárias contam com vários conluios, e os jornalistas  só podem lamentar a sua própria apatia.

De facto, vai longe o tempo em que os jornalistas do DN dinamizaram um movimento que travou a primeira investida para vender a sede do matutino,  no topo de avenida da Liberdade. Depois, mudaram os tempos, mudaram as administrações, mudaram as direcções  editoriais e mudaram   as vontades. Quanto ao JN, que se saiba, não houve sequer  reacção. E quem cala consente… a garagem devoluta.

Vive-se em Portugal uma transição mediática  estranha. A imprensa perde terreno e a televisão perde a cabeça com a “guerra das audiências”.

Só isso explica que o Presidente das República se lembre de telefonar a entretainers  e se preste  a caucionar, com a sua presença,  a emissão inaugural de um programa velho chamado “Quadratura do Círculo”, dispensado pela SIC , e repescado pela TVI,  travestido  em “Circulatura do Quadrado” (!!!... ). Uma aberração. Com o beneplácito presidencial…

Connosco
Os sete elementos decisivos para os leitores confiarem nos Media Ver galeria

Sete elementos fundamentais foram identificados como decisivos na confiança que os leitores depositam num meio de comunicação  - e os três primeiros, votados a grande distância de todos os outros, são o equilíbrio, a honestidade e a profundidade de tratamento dos temas.

Esta recolha foi elaborada a partir de um inquérito realizado por vários media associados à TrustingNews.org, na forma de 81 entrevistas pessoais com leitores escolhidos como representantes de diversos pontos de vista.

Rob Jones, um estudante na Escola de Jornalismo do Missouri, pesquisou os temas mais presentes em todas as respostas e organizou-os no estudo agora divulgado pelo Instituto Reynolds de Jornalismo. A informação é publicada na Red Ética, da FNPI – Fundación para el Nuevo Periodismo Iberoamericano.
Quando o jornalismo procura o passado para ler o futuro Ver galeria

O futuro que foi imaginado pela literatura do passado nem sempre coincide com o que vemos hoje. Tanto pelo seu lado mais luminoso, como pelo mais sombrio, podemos reencontrar “imagens das histórias utópicas ou distópicas já contadas”.
Mas, “em tempos de esperança reduzida, em que pouco se vê além da poeira levantada pela vida agitada deste momento, as distopias têm voltado a ser mais lembradas”.

É esta a reflexão inicial de Vanessa Pedro, docente de jornalismo e pesquisadora do ObjEthos, num artigo sobre este gosto presente pelos zombies, “as histórias dos mortos-vivos, que nem se vão nos deixando em paz e nem voltam mesmo à vida como um milagre que poderia trazer esperanças de renovação”.

Neste tipo de leitura  - como acrescenta -  “o passado acaba sendo um ideal mais interessante e feliz do que o futuro”:

“E aí vemos diversos agendamentos, inclusive como pauta do Jornalismo e da sociedade de forma geral. O período da ditadura militar brasileira passa a ser idolatrado, defendido e desejado, quase festejado. (...)  Até as décadas que antecedem e sucedem a Segunda Guerra Mundial entraram na disputa, têm sido citadas, defendidas, atacadas, recontadas para serem usadas como narrativas de um mundo ideal, ou ideal para ser repelido.” (...)

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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