Quarta-feira, 23 de Outubro, 2019
Mundo

Campanha europeia da UE para vencer a iliteracia mediática

A Comissão Europeia está empenhada num esforço de “educação digital e literacia mediática” para combater a desinformação e dar aos cidadãos “ferramentas” para os tornar “críticos” perante a informação online, tendo em vista as próximas eleições europeias. Neste sentido, a Comissária para a Economia Digital, Mariya Gabriel, anunciou uma semana especial, com o contributo de fact-checkers, professores e jornalistas, a começar em 18 de Março, dois meses antes do acto eleitoral e com acções em todos os Estados-membros.

“As tecnologias estão a mudar, os nossos valores tradicionais mantêm-se, e é isso que nos une, a necessidade de preservar uma Europa baseada na equidade, sendo por isso crucial que os cidadãos consigam pensar pela sua própria cabeça”  - afirmou Mariya Gabriel.
A Comissão Europeia publicou também os relatórios já produzidos pelas empresas tecnológicas e plataformas digitais que assinaram o Código de Práticas contra a Desinformação, em Outubro do ano passado.

“Dar aos cidadãos ferramentas técnicas e digitais é crucial para os tornar críticos”, sublinhou Mariya Gabriel. Aludindo às eleições, a responsável reconheceu “os desafios enormes” da desinformação, mas disse esperar que as medidas que a Comissão Europeia está a tomar contribuam “para um amplo e livre debate que preserve os valores europeus”. (...) 

Foi ainda criado, no final do ano passado, um Plano de Acção Conjunto que contém medidas como a instituição de um sistema de alerta rápido para sinalizar campanhas de desinformação em tempo real, aumentando para isso o orçamento do Serviço Europeu de Acção Externa, de cerca de dois milhões para cinco milhões de euros. 

O plano prevê também um instrumento de autorregulação para combater a desinformação online: um código de conduta subscrito por grandes plataformas digitais, como Facebook, Google, Twitter e Mozilla, que se comprometeram a aplicá-lo. 

Na sua avaliação dos relatórios já apresentados pelas empresas tecnológicas referidas, bem como pelas associações comerciais do sector da publicidade, a Comissão conclui ter havido progressos, “especialmente na eliminação de contas falsas e na limitação da visibilidade dos sites que promovem a desinformação”  - mantendo que é preciso fazer mais para garantir a total transparência dos anúncios políticos, no início da campanha, para permitir o acesso aos dados das plataformas com objectivo de investigação, e para garantir uma cooperação adequada entre as plataformas e os Estados membros. 

“Olhando para o futuro e para as eleições europeias, é essencial incrementar os nossos esforços e garantir que as plataformas online não são usadas para disseminar desinformação”  -  vincou Mariya Gabriel, reconhecendo que “o risco de manipulação nunca foi tão alto”. 

 “Muitas medidas já estão em curso e muitas alterações estão a ser feitas na direcção certa, […] mas é preciso que todos os Estados-membros as adoptem”, afirmou. (...)

 

 

Mais informação no Observador  e na Asociación de la Prensa de Madrid

Connosco
Jornalistas deverão estar prevenidos para identificar e corrigir notícias falsas... Ver galeria

Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

É importante reconhecer que as fake news existem, que estamos expostos a essas falsas informações, mas, se quisermos combatê-las, é indispensável procurar a sua origem, a sua forma de disseminação e analisar as consequências sociais e políticas.

É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

Suspensão de acordo do “Brexit” dividiu a imprensa britânica Ver galeria

Suspensa a aprovação do acordo no Parlamento britânico até que haja a regulamentação apropriada, a imprensa londrina apresentou-se dividida em relação ao Brexit.

Por um lado, a esperança de evitar um “não acordo” e uma saída abrupta, por outro a exaltação em relação à votação. 

Os media ingleses evidenciaram posições antagónicas em relação aos últimos acontecimentos e isso foi claro pela forma como abordaram a situação. 

Enquanto que o Sunday Express assumiu uma postura pró-Brexit e foi mais hostil com os deputados, acusando-os de atrasarem o processo, o Independent preferiu focar-se nas ruas, onde perto de um milhão de cidadãos se manifestaram para exigir que lhes seja dada a palavra final. Por sua vez, o Observer realçou a derrota do primeiro ministro, que se viu forçado a suspender a aprovação do acordo.

Le Monde publicou, entretanto, um texto no qual é feita uma análise dos media britânicos neste contexto.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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