Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Mundo

Campanha europeia da UE para vencer a iliteracia mediática

A Comissão Europeia está empenhada num esforço de “educação digital e literacia mediática” para combater a desinformação e dar aos cidadãos “ferramentas” para os tornar “críticos” perante a informação online, tendo em vista as próximas eleições europeias. Neste sentido, a Comissária para a Economia Digital, Mariya Gabriel, anunciou uma semana especial, com o contributo de fact-checkers, professores e jornalistas, a começar em 18 de Março, dois meses antes do acto eleitoral e com acções em todos os Estados-membros.

“As tecnologias estão a mudar, os nossos valores tradicionais mantêm-se, e é isso que nos une, a necessidade de preservar uma Europa baseada na equidade, sendo por isso crucial que os cidadãos consigam pensar pela sua própria cabeça”  - afirmou Mariya Gabriel.
A Comissão Europeia publicou também os relatórios já produzidos pelas empresas tecnológicas e plataformas digitais que assinaram o Código de Práticas contra a Desinformação, em Outubro do ano passado.

“Dar aos cidadãos ferramentas técnicas e digitais é crucial para os tornar críticos”, sublinhou Mariya Gabriel. Aludindo às eleições, a responsável reconheceu “os desafios enormes” da desinformação, mas disse esperar que as medidas que a Comissão Europeia está a tomar contribuam “para um amplo e livre debate que preserve os valores europeus”. (...) 

Foi ainda criado, no final do ano passado, um Plano de Acção Conjunto que contém medidas como a instituição de um sistema de alerta rápido para sinalizar campanhas de desinformação em tempo real, aumentando para isso o orçamento do Serviço Europeu de Acção Externa, de cerca de dois milhões para cinco milhões de euros. 

O plano prevê também um instrumento de autorregulação para combater a desinformação online: um código de conduta subscrito por grandes plataformas digitais, como Facebook, Google, Twitter e Mozilla, que se comprometeram a aplicá-lo. 

Na sua avaliação dos relatórios já apresentados pelas empresas tecnológicas referidas, bem como pelas associações comerciais do sector da publicidade, a Comissão conclui ter havido progressos, “especialmente na eliminação de contas falsas e na limitação da visibilidade dos sites que promovem a desinformação”  - mantendo que é preciso fazer mais para garantir a total transparência dos anúncios políticos, no início da campanha, para permitir o acesso aos dados das plataformas com objectivo de investigação, e para garantir uma cooperação adequada entre as plataformas e os Estados membros. 

“Olhando para o futuro e para as eleições europeias, é essencial incrementar os nossos esforços e garantir que as plataformas online não são usadas para disseminar desinformação”  -  vincou Mariya Gabriel, reconhecendo que “o risco de manipulação nunca foi tão alto”. 

 “Muitas medidas já estão em curso e muitas alterações estão a ser feitas na direcção certa, […] mas é preciso que todos os Estados-membros as adoptem”, afirmou. (...)

 

 

Mais informação no Observador  e na Asociación de la Prensa de Madrid

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Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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