Segunda-feira, 19 de Agosto, 2019
Mundo

Campanha europeia da UE para vencer a iliteracia mediática

A Comissão Europeia está empenhada num esforço de “educação digital e literacia mediática” para combater a desinformação e dar aos cidadãos “ferramentas” para os tornar “críticos” perante a informação online, tendo em vista as próximas eleições europeias. Neste sentido, a Comissária para a Economia Digital, Mariya Gabriel, anunciou uma semana especial, com o contributo de fact-checkers, professores e jornalistas, a começar em 18 de Março, dois meses antes do acto eleitoral e com acções em todos os Estados-membros.

“As tecnologias estão a mudar, os nossos valores tradicionais mantêm-se, e é isso que nos une, a necessidade de preservar uma Europa baseada na equidade, sendo por isso crucial que os cidadãos consigam pensar pela sua própria cabeça”  - afirmou Mariya Gabriel.
A Comissão Europeia publicou também os relatórios já produzidos pelas empresas tecnológicas e plataformas digitais que assinaram o Código de Práticas contra a Desinformação, em Outubro do ano passado.

“Dar aos cidadãos ferramentas técnicas e digitais é crucial para os tornar críticos”, sublinhou Mariya Gabriel. Aludindo às eleições, a responsável reconheceu “os desafios enormes” da desinformação, mas disse esperar que as medidas que a Comissão Europeia está a tomar contribuam “para um amplo e livre debate que preserve os valores europeus”. (...) 

Foi ainda criado, no final do ano passado, um Plano de Acção Conjunto que contém medidas como a instituição de um sistema de alerta rápido para sinalizar campanhas de desinformação em tempo real, aumentando para isso o orçamento do Serviço Europeu de Acção Externa, de cerca de dois milhões para cinco milhões de euros. 

O plano prevê também um instrumento de autorregulação para combater a desinformação online: um código de conduta subscrito por grandes plataformas digitais, como Facebook, Google, Twitter e Mozilla, que se comprometeram a aplicá-lo. 

Na sua avaliação dos relatórios já apresentados pelas empresas tecnológicas referidas, bem como pelas associações comerciais do sector da publicidade, a Comissão conclui ter havido progressos, “especialmente na eliminação de contas falsas e na limitação da visibilidade dos sites que promovem a desinformação”  - mantendo que é preciso fazer mais para garantir a total transparência dos anúncios políticos, no início da campanha, para permitir o acesso aos dados das plataformas com objectivo de investigação, e para garantir uma cooperação adequada entre as plataformas e os Estados membros. 

“Olhando para o futuro e para as eleições europeias, é essencial incrementar os nossos esforços e garantir que as plataformas online não são usadas para disseminar desinformação”  -  vincou Mariya Gabriel, reconhecendo que “o risco de manipulação nunca foi tão alto”. 

 “Muitas medidas já estão em curso e muitas alterações estão a ser feitas na direcção certa, […] mas é preciso que todos os Estados-membros as adoptem”, afirmou. (...)

 

 

Mais informação no Observador  e na Asociación de la Prensa de Madrid

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História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

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É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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