Sexta-feira, 21 de Fevereiro, 2020
Mundo

Campanha europeia da UE para vencer a iliteracia mediática

A Comissão Europeia está empenhada num esforço de “educação digital e literacia mediática” para combater a desinformação e dar aos cidadãos “ferramentas” para os tornar “críticos” perante a informação online, tendo em vista as próximas eleições europeias. Neste sentido, a Comissária para a Economia Digital, Mariya Gabriel, anunciou uma semana especial, com o contributo de fact-checkers, professores e jornalistas, a começar em 18 de Março, dois meses antes do acto eleitoral e com acções em todos os Estados-membros.

“As tecnologias estão a mudar, os nossos valores tradicionais mantêm-se, e é isso que nos une, a necessidade de preservar uma Europa baseada na equidade, sendo por isso crucial que os cidadãos consigam pensar pela sua própria cabeça”  - afirmou Mariya Gabriel.
A Comissão Europeia publicou também os relatórios já produzidos pelas empresas tecnológicas e plataformas digitais que assinaram o Código de Práticas contra a Desinformação, em Outubro do ano passado.

“Dar aos cidadãos ferramentas técnicas e digitais é crucial para os tornar críticos”, sublinhou Mariya Gabriel. Aludindo às eleições, a responsável reconheceu “os desafios enormes” da desinformação, mas disse esperar que as medidas que a Comissão Europeia está a tomar contribuam “para um amplo e livre debate que preserve os valores europeus”. (...) 

Foi ainda criado, no final do ano passado, um Plano de Acção Conjunto que contém medidas como a instituição de um sistema de alerta rápido para sinalizar campanhas de desinformação em tempo real, aumentando para isso o orçamento do Serviço Europeu de Acção Externa, de cerca de dois milhões para cinco milhões de euros. 

O plano prevê também um instrumento de autorregulação para combater a desinformação online: um código de conduta subscrito por grandes plataformas digitais, como Facebook, Google, Twitter e Mozilla, que se comprometeram a aplicá-lo. 

Na sua avaliação dos relatórios já apresentados pelas empresas tecnológicas referidas, bem como pelas associações comerciais do sector da publicidade, a Comissão conclui ter havido progressos, “especialmente na eliminação de contas falsas e na limitação da visibilidade dos sites que promovem a desinformação”  - mantendo que é preciso fazer mais para garantir a total transparência dos anúncios políticos, no início da campanha, para permitir o acesso aos dados das plataformas com objectivo de investigação, e para garantir uma cooperação adequada entre as plataformas e os Estados membros. 

“Olhando para o futuro e para as eleições europeias, é essencial incrementar os nossos esforços e garantir que as plataformas online não são usadas para disseminar desinformação”  -  vincou Mariya Gabriel, reconhecendo que “o risco de manipulação nunca foi tão alto”. 

 “Muitas medidas já estão em curso e muitas alterações estão a ser feitas na direcção certa, […] mas é preciso que todos os Estados-membros as adoptem”, afirmou. (...)

 

 

Mais informação no Observador  e na Asociación de la Prensa de Madrid

Connosco
Literacia mediática como ferramenta contra desinformação Ver galeria

Para além da infecção provocada pelo novo coronavírus, identificado na China, estamos, agora, a assistir à disseminação indiscriminada de notícias falsas sobre o tema, conforme refere Ricardo Torres, num artigo publicado na revista “objETHOS”.

De acordo com Torres, o volume e a nocividade das informações propagadas através dos “media” digitais, são o reflexo de formatos comunicacionais imersos num “ecossistema” que favorece a desinformação.

Em temas sensíveis, como a saúde, os riscos da disseminação maciça de informações falsas são ampliados e podem, mesmo, conduzir ao caos social e a um estado de pânico generalizado. 

A OMS tem tentado evitar situações de pânico e insegurança, fortalecendo a posição científica, desmistificando rumores e esclarecendo dúvidas. No entanto, o cenário difuso e hiperbólico, fortalecido pelo sensacionalismo, torna a missão informativa confusa e complexa.

A era digital veio complicar a narrativa jornalística Ver galeria

A era digital e a revolução tecnológica vieram alterar o panorama do jornalismo. Se, anteriormente, os jornalistas apenas tinham de  preocupar-se com o conteúdo produzido na redacção onde trabalhavam, hoje, terão de manter-se competitivos com outras plataformas, e escrever com base nos artigos de outros jornais.

Muitos jornalistas, da chamada “velha guarda”, ainda não  conseguiram adaptar-se à nova realidade, e continuam a depender de uma cultura profissional baseada num jornalismo linear e sequencial, o que impede, por vezes, a tão desejada diversidade dos formatos de apresentação informativa.

O jornalista Carlos Castilho, especializado em “media” digitais, escreveu um artigo para o “Observatório da Imprensa”, no qual reflecte sobre a urgência de adaptação aos novos modelos. 

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

ver mais >
Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...