Sábado, 17 de Agosto, 2019
Óbito

Morreu Zé Manel um notável cartunista de Imprensa

Dias depois de completar 75 anos, faleceu o cartunista Zé Manel, um dos mais versáteis desenhadores, como gostava de ser tratado,   formado na Escola de Artes Decorativas António Arroio, da qual falava sempre com um agudo sentido de pertença.

O artista Zé Manel – José Manuel Domingues Alves Mendes, de seu nome completo, nascido em Lisboa a 22 de Janeiro de 1944 - , discreto como poucos, deixa uma obra multifacetada, repartida por  uma invulgar galeria de cartoons políticos, publicados , sobretudo, no Diário de Noticias (que chegaram, a ser expostos no Palácio Galveias, numa mostra comemorativa dos 120º aniversário do jornal)  inúmeros trabalhos de ilustração infanto-juvenil  e de banda desenhada, que sempre o seduziu.

Dedicou-se igualmente ao desenho satírico, colaborando em várias revistas, e à ilustração de livro escolar.

Uma das suas facetas mais cultivadas foi ainda o vitralismo, com obra trabalhada para numerosas  igrejas , em que  deu largas ao seu talento criativo e a uma componente mística  que o acompanhava.

Teve em “Macau a tinta da China “ um dos mais importantes livros-album que deu à estampa , resultado de uma divagação por aquele antigo território de administração portuguesa a Oriente, e que hoje é uma obra rara de encontrar , mesmo em alfarrabista.

Zé Manel , filho de outro  grande ilustrador  António Alves Mendes (Méco), participou em várias exposições, individuais e colectivas,  embora avesso a  vender os seus trabalhos, que gostava de cativar para si ou partilhar com família e amigos.

Embora reservado por feitio, Zé Manel fazia parte,  com gosto,  de  tertúlias,  onde pontificavam artistas e intelectuais, mas sem nunca lhe apetecer  o palco e as luzes, nem ceder à tentação do deslumbramento, mesmo no auge da sua brilhante carreira. 






Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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