Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Opinião

O problema do umbigo

por Manuel Falcão

O fim da Quadratura do Círculo é o fim de uma época e o sinal de uma mudança. A SIC Notícias já não é líder no cabo, os intervenientes do programa acomodaram-se, deixou de haver valor acrescentado. Em termos de audiência, foram caindo - passar dos 50 mil espectadores já era raro e a média do último trimestre de 2018 foi 43.500, o share de audiência do programa esteve abaixo do share médio anual do canal. Em resumo, perdia fiéis e não trazia ninguém de novo à congregação. O programa não tinha debate político, tinha afirmação de egos e era megafone de grupos de interesse dos partidos de onde eram originários os comentadores. 

Servia de suave anestesia para que as boas consciências tivessem a ilusão de que havia debate político. Tornou-se mais monótono que um debate na Assembleia da República, o que, deve dizer-se, é um feito difícil. Na realidade, tratava-se de uma conversa previsível entre dinossauros políticos previsíveis que acabaram por se fechar na quadratura do círculo que queriam contestar. Agora há quem se lamente, que chore o fim deste clube de amigos. O painel da Quadratura do Círculo teve o pecado capital de olhar para o país e a paisagem política através dos respectivos umbigos. Tornou-se fastidioso.

 

Os ouvintes do rádio

Segundo a Marktest, o auto-rádio é o principal suporte de escuta de emissões de rádio, com 6 milhões e 199 mil utilizadores, o que representa 72,4% das pessoas, o rádio portátil é o segundo suporte com mais utilizadores com 16%, e o telemóvel o terceiro, com 15,7% num total de um milhão e 345 mil ouvintes. Se olharmos para a idade, os mais jovens são os que apresentam maior percentagem de audição de rádio pelo telemóvel, que quase duplica os valores médios: entre os 15 e os 24 anos, 88,4% ouve rádio pelo auto-rádio, 6,4% no rádio portátil e 27,9% no telemóvel. Ainda segundo o Bareme Radio da Marktest, 81,8% dos residentes no Continente ouviu rádio pelo menos uma vez por semana e 57,8% fê-lo na véspera. Numa análise por regiões, é possível ver que são os residentes no Grande Porto os que apresentam maior consumo deste meio, com 59,2%. Pelo contrário, no Interior Norte observam-se as taxas mais baixas, de 51,4%.

 

(texto publicado originalmente no “Jornal de Negócios”)

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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