Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Opinião

O problema do umbigo

por Manuel Falcão

O fim da Quadratura do Círculo é o fim de uma época e o sinal de uma mudança. A SIC Notícias já não é líder no cabo, os intervenientes do programa acomodaram-se, deixou de haver valor acrescentado. Em termos de audiência, foram caindo - passar dos 50 mil espectadores já era raro e a média do último trimestre de 2018 foi 43.500, o share de audiência do programa esteve abaixo do share médio anual do canal. Em resumo, perdia fiéis e não trazia ninguém de novo à congregação. O programa não tinha debate político, tinha afirmação de egos e era megafone de grupos de interesse dos partidos de onde eram originários os comentadores. 

Servia de suave anestesia para que as boas consciências tivessem a ilusão de que havia debate político. Tornou-se mais monótono que um debate na Assembleia da República, o que, deve dizer-se, é um feito difícil. Na realidade, tratava-se de uma conversa previsível entre dinossauros políticos previsíveis que acabaram por se fechar na quadratura do círculo que queriam contestar. Agora há quem se lamente, que chore o fim deste clube de amigos. O painel da Quadratura do Círculo teve o pecado capital de olhar para o país e a paisagem política através dos respectivos umbigos. Tornou-se fastidioso.

 

Os ouvintes do rádio

Segundo a Marktest, o auto-rádio é o principal suporte de escuta de emissões de rádio, com 6 milhões e 199 mil utilizadores, o que representa 72,4% das pessoas, o rádio portátil é o segundo suporte com mais utilizadores com 16%, e o telemóvel o terceiro, com 15,7% num total de um milhão e 345 mil ouvintes. Se olharmos para a idade, os mais jovens são os que apresentam maior percentagem de audição de rádio pelo telemóvel, que quase duplica os valores médios: entre os 15 e os 24 anos, 88,4% ouve rádio pelo auto-rádio, 6,4% no rádio portátil e 27,9% no telemóvel. Ainda segundo o Bareme Radio da Marktest, 81,8% dos residentes no Continente ouviu rádio pelo menos uma vez por semana e 57,8% fê-lo na véspera. Numa análise por regiões, é possível ver que são os residentes no Grande Porto os que apresentam maior consumo deste meio, com 59,2%. Pelo contrário, no Interior Norte observam-se as taxas mais baixas, de 51,4%.

 

(texto publicado originalmente no “Jornal de Negócios”)

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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