Quarta-feira, 19 de Junho, 2019
Mundo

O grande drama da Internet é promover o "idiota da aldeia"

Antes do advento do espaço virtual, os “anti-intelectuais” estavam dispersos, não tinham noção da sua força e até se sentiam envergonhados. Mas tudo mudou com a Internet. Como afirmou Umberto Eco, “as redes sociais concederam o direito à palavra a uma ‘legião de imbecis’ que antes falavam apenas ‘num bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a colectividade”. Desse modo, conclui Eco, o grande drama da Internet é que ela pomoveu o “idiota da aldeia” a portador da verdade.

A reflexão é de Francisco Fernandes Ladeira, docente no IFES – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, publicada no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O autor começa por referir determinados conceitos ultrapassados pelo conhecimento científico, mas recuperados por grupos que se mostram activos nas redes sociais: 

“Não por acaso, ideias absolutamente esdrúxulas como a chamada ‘Terra Plana’ tem ganhado um número cada vez maior de adeptos. Para os ‘terraplanistas’, o nosso planeta não é esférico, mas plano, com o formato de um disco circular. De acordo com essa ‘teoria’, não existe gravidade, o Polo Norte está localizado no centro do planeta e as estrelas estão ‘presas’ ao céu. Sendo assim, basta um mouse e um computador pessoal para que qualquer indivíduo possa ‘refutar’ teorias científicas corroboradas há séculos por importantes pensadores como Copérnico, Newton, Einstein.” (...) 

“No terreno pedagógico, os ‘anti-intelectuais’ (que nunca pisaram em uma sala de aula, excepto, é claro, como alunos) querem extirpar Paulo Freire das escolas, porém acreditam que as instituições de ensino brasileiras não respeitam os valores tradicionais da família, pois são responsáveis por promover a ‘ideologia de género’, o ‘cientificismo’ e a ‘doutrinação comunista’. No tocante à história do Brasil, a moda entre os ‘anti-intelectuais’ é ser ‘politicamente incorreto’ e negar acontecimentos como o massacre de indígenas durante o período colonial, a escravidão de negros e o golpe militar de 1964.” (...) 

Tendo citado alguns outros exemplos, o autor conclui: 

“Certa vez, Nélson Rodrigues disse que os idiotas tomariam conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos. Pois bem, os idiotas podem (ainda) não ter dominado o mundo, mas, certamente, estão dominando as redes sociais.”

 

 

O artigo aqui citado, na íntegra no Observatório da Imprensa

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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