Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Media

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O autor recorda que há quatro anos, “no mesmo dia do atentado contra Charlie Hebdo, uma espécie de escritor maldito francês, pois não se enquadra em nenhuma categoria ou escola político-literária, Michel Houellebecq, havia lançado como provocação um livro que já falava desse retorno ao obscurantismo religioso imposto a todos os franceses de uma maneira dócil mas firme”.

Refere-se a “Submissão”, um livro de ficção que imagina o cenário eleitoral em que os franceses elegem, “com o apoio dos socialistas, um presidente muçulmano para escapar do extremismo nacionalista de direita de Marine Le Pen”. (...)

 

Rui Martins acrescenta, mais adiante: 

“Sem querer ser Cassandra com suas más profecias, isso logo vai acontecer. Porque mais dia menos dia, os muçulmanos terão o apoio do clero católico e dos evangélicos exportados pelos americanos que, mal conseguiram decidir o resultado das eleições brasileiras, já querem influir no currículo das escolas, acabar com o ensino do darwinismo e evolução das espécies para impor o criacionismo de Adão e Eva. Além de rejeitarem o ensino da sexualidade nas escolas.” (...) 

“Tanto para Riss, o director da publicação, como para Gérard Biard, redactor-chefe, tudo vai se tornando blasfematório, enquanto a sociedade francesa vai se tornando anti-Iluminista, recua a liberdade de expressão e aumenta a intolerância.” (...) 

“Gérard Biard cita o peso da ameaça ideológica sobre a sociedade francesa que visa o universalismo, o espírito científico e tudo quanto permite a emancipação individual e coletiva. Guardadas as proporções e as diferenças entre evangelismo e islamismo, percebemos que desses três itens, pelo menos dois são também abominados por alguns membros religiosos do governo Bolsonaro — o universalismo e o espírito científico.”

 

 

O artigo aqui citado, na íntegra no Observatório da Imprensa

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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