null, 27 de Setembro, 2020
Media

O papel e o digital podem unir-se com vantagem do leitor

Citando a frase famosa atribuída a Mark Twain, os boatos sobre a morte dos jornais em papel foram muito exagerados. É verdade que as publicações digitais cresceram muitíssimo nos últimos anos, mas 58% dos assinantes ainda se descrevem como sendo em primeiro lugar leitores do impresso, e 60% a 80% das receitas dos media ainda vêm das edições impressas. Também é certo que os assinantes print-first são mais velhos, mas isso não significa que entre os mais jovens não haja quem esteja disposto a pagar pelo impresso.

A reflexão é de Ana Lobb, da plataforma MPP Global, que acrescenta: "Os editores estão, de modo inteligente, a assumir uma abordagem centrada nos utentes, para conquistarem novos assinantes e aprofundarem a sua relação com os que existem. Muitos tiram proveito dos dados que já têm e descobrem que não têm de escolher entre o impresso e o digital."

A solução pode passar por uma combinação dos meios: "Se um assinante quer uma assinatura digital do seu diário, mas ainda gosta do jornal em papel aos domingos, isso é fácil de tratar."

Segundo a autora do texto que citamos, “a importância do impresso não devia ser subestimada ou negligenciada”: 

“O perfil dos assinantes varia muitíssimo, mesmo na mesma publicação, e todos procuram experiências diferentes, na base daquilo que são, onde estão e que aparelhos usam ao longo do dia. Com mais informação do que alguma vez tiveram a respeito das audiências, e do modo como são consumidores dos media, os editores deviam considerar todas as opções para manterem os seus assinantes envolvidos com ofertas personalizadas.” (...) 

“Não é surpresa que os assinantes print-first e os que preferem o digital têm modos diferentes de se relacionarem com os conteúdos, e têm diferentes expectativas. Muitos dos primeiros são mais velhos e, de modo geral, fizeram assinatura para vários anos. Mas estes também se envolvem no digital, e até partilham conteúdos mais vezes do que os assinantes do digital.”

“Dito isto, os do digital-first ainda têm interesse no impresso. É por este motivo que vários editores digitais introduziram, nos últimos anos, revistas impressas, e alguns editores recentes introduziram novas publicações print-first, em pequenas quantidades. Até o Facebook lançou uma revista impressa intitulada Grow.” (...) 

A autora recorda alguns exemplos recentes de sucesso, ligados a grandes títulos bem conhecidos:  a assinatura de uma publicação impressa para crianças, por The New York Times; a síntese semanal, impressa, em The Guardian, pensada para poupar a sobrecarga do papel diário, mantendo “a satisfação e facilidade da leitura de um jornal em papel”; ou a mistura do Financial Times, que junta a oferta do impresso e do digital por um preço baixo. 

E outros editores propõem outras misturas, em que os assinantes podem escolher os vídeos, podcasts e conteúdos especiais, por exemplo de desporto ou de artes, para criarem a assinatura que lhes convém. 

A editora Amedia, na Noruega, é o exemplo de quem compreendeu a importância do impresso para a sua audiência de leitores locais:

“Nós fizémos uma proposta de valor: se quer o jornal entregue à sua porta todas as manhãs, pode tê-lo. Se não quiser, não é obrigado. Cada assinante do impresso é também do digital, portanto adquire esse valor e tem acesso a todos os canais digitais que usamos, porque simplificámos radicalmente a avaliação de custo dos nossos produtos e os preços que oferecemos.” (...)

 

O artigo aqui citado, na íntegra na FIPPInternational Federation of the Periodical Press

Connosco
“Media” franceses publicam carta de apoio ao “Charlie Hebdo” Ver galeria

Cerca de uma centena de “media” franceses publicaram uma carta aberta de apoio à revista “Charlie Hebdo”, em resposta a um apelo do director da publicação, Riss. Aliás, as antigas instalações da revista voltaram a testemunhar a violência: em 25 de Setembro, quatro pessoas ficaram feridas, naquele local, noutro ataque desta vez com arma branca.

Em declarações à agência de notícias France-Presse, Riss afirmou que a revista satírica francesa tinha sido “mais uma vez ameaçada por organizações terroristas”, em pleno julgamento dos atentados de Janeiro de 2015, visando, igualmente, “todos os meios de comunicação e, mesmo, o Presidente”.

“Achámos necessário sugerir aos ‘media’ que pensassem na resposta colectiva que merecia ser dada a esta situação”, explicou.

Na carta aberta, intitulada “Juntos, vamos defender a liberdade”, os órgãos de comunicação social apelaram, então,  à defesa da imprensa.  “Hoje, em 2020, alguns de vós estão a receber ameaças de morte nas redes sociais quando expõem opiniões. Os meios de comunicação social são, abertamente, visados por organizações terroristas internacionais. Os Estados exercem pressões sobre os jornalistas franceses [considerados] ‘culpados’ de publicarem artigos críticos”, pode ler-se no documento.


Liberdade de imprensa em Hong Kong continua a deteriorar-se Ver galeria

As autoridades de Hong Kong estão a apertar  as restrições à liberdade de imprensa, tendo anunciado que vão deixar de aceitar determinadas acreditações jornalísticas.

Assim, só serão aceites acreditações fornecidas por organizações noticiosas registadas no sistema de informação governamental. Desta forma, as centenas de  jornalistas membros daHong Kong Journalists Association (HKJA) e da Hong Kong Press Photographers Association (HKPPA) não poderão comparecer a conferências de imprensa. 

Entretanto, a  HKJA, a HKPPA, e cinco outros sindicatos, exigiram que a nova política fosse retirada. "A emenda permite às autoridades decidirem quem é considerado repórter, o que altera, fundamentalmente, o sistema existente em Hong Kong.  (...) Isto condicionará, gravemente, a liberdade de imprensa, conduzindo a cidade a um regime autoritário".

Numa carta remetida ao Hong Kong Foreign Correspondents Club , um superintendente da polícia, Kwok Ka-chuen,  tentou justificar a aplicação da emenda, afirmando que as manifestações da região semi-autónoma "atraem, frequentemente centenas de repórteres, que participam em protestos, e que agridem a polícia”.  "Isto sobrecarrega a aplicação da lei”.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Agenda
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo