Terça-feira, 29 de Setembro, 2020
Media

Como um "ciberataque" sobre os Media pode paralisar a Informação

Todos começamos o dia vendo se temos mensagens ou chamadas não atendidas e, ao abrir o computador, consultamos a caixa de entrada do nosso correio electrónico. Procuramos notícias de interesse imediato, que podem ser sobre o tempo que faz ou o trânsito que não anda. E se um dia não encontrássemos rádio, nem televisão nem jornais online nos nossos aparelhos?

No último fim-de-semana de Dezembro findo, um ataque informático bloqueou o acesso dos ficheiros destinados às impressoras de Los Angeles Times and Tribune Publishing, atrasando também as edições de sábado de vários outros jornais, incluindo The New York Times e The Wall Street Journal. Não foi descoberta a origem. Crê-se que a motivação seria económica  - “sequestrar” os jornais deste modo e exigir resgate -  e proveniente de fora dos Estados Unidos.

É deste episódio que parte o jornalista Miguel Ossorio Vega para fazer uma reflexão sobre as alternativas que nos restam, caso ele se repita junto de nós. Se acontecesse connosco, íamos procurar informação aonde? E podemos tomar medidas preventivas?

“Mas os diários afectados não receberam nenhuma indicação a este respeito, o que leva a pensar que os atacantes queriam simplesmente boicotar o seu normal funcionamento  -  por outras palavras: a publicação de notícias. Uma nova forma de censura com que não contávamos, e que daria asas às fake news, já por si preocupantemente poderosas, que têm nas redes sociais o seu caldo de cultura.” 

“Num mundo que acordasse sem notícias, é possível que a primeira alternativa fosse a do Twitter e Facebook, que provavelmente continuariam sem problemas, podendo cuspir qualquer tipo de informação que os atacantes desejassem. Com via livre para evitarem ser refutados.” 

O autor acrescenta a este cenário as consequências do acesso pago nas edições online dos jornais, que tem o seu motivo mas também leva muitas pessoas, que se habituaram a ler notícias de graça, a procurá-las noutro sítio... 

“Onde? Nas redes sociais, onde espertos de todas as qualidades irão seguramente buscar o pedaço de bolo que fica do lado de fora do muro [paywall]. Se o que contam é verdade ou mentira, não interessa, já que durante duas décadas tivémos um buffet grátis ao alcance de todos e... bastará dar uma vista de olhos ao mundo para saber o que se passa.” 

“Vistas as coisas deste modo, seria irrelevante que os meios de comunicação sofressem um ataque maciço e coordenado que os deixasse fora de jogo durante vários dias, já que, mesmo com eles no tabuleiro de jogo, muitas pessoas acreditaram em coisas que cheiram a mentira à distância de quilómetros.” 

E Miguel Ángel Ossorio Vega conclui: 

“O outro lado desta notícia é que, se ainda não estamos a matar-nos uns aos outros, talvez seja, provavelmente, porque ainda há uma percentagem de população que consulta todos os dias media verdadeiros e tem uma opinião informada sobre aquilo que realmente acontece no mundo, procedendo de modo consequente.” 

“Devemos proteger os media com alguma coisa mais do que anti-vírus, se não queremos obrigar até mesmo os cidadãos mas responsáveis a irem refugiar-se no esgoto enquanto abranda a tempestade de um ciber-ataque.”

 

O artigo aqui citado, na íntegra em Media-tics 

Connosco
Directora de Informação da BBC contra os "rufias das redes sociais" Ver galeria

A directora de Informação da BBC, Fran Unsworth, considera que os operadores públicos devem resistir à pressão exercida pelos grupos de interesse e noticiar de acordo com os seus próprios valores.

Durante a conferência anual da BBC, no Prix Italia, Unsworth considerou, ainda, que os serviços de informação têm a obrigação de ser plurais, já que os “revolucionários” não representam a voz de todos os cidadãos.

Dito isto, a directora de Informação deu o exemplo do “New York Times”, que pressionou a demissão da editora de opinião Bari Weiss, por esta não corresponder às expectativas dos utilizadores das redes sociais, lamentando o sucedida. 

“No meio do turbilhão, temos de continuar a pensar claramente. Temos de falar uns com os outros e não ceder à pressão dos ‘rufias das redes sociais’... Em última análise, são os editores que editam - não os grupos de interesse". Caso contrário, reiterou Unsworth, a democracia pode estar em risco.


“Media” franceses publicam carta de apoio ao “Charlie Hebdo” Ver galeria

Cerca de uma centena de “media” franceses publicaram uma carta aberta de apoio à revista “Charlie Hebdo”, em resposta a um apelo do director da publicação, Riss. Aliás, as antigas instalações da revista voltaram a testemunhar a violência: em 25 de Setembro, quatro pessoas ficaram feridas, naquele local, noutro ataque desta vez com arma branca.
O suspeito, um jovem paquistanês de 18 anos, que confessou a autoria do crime, confirmou que visava o "Charlie Hebdo", por este ter procedido à republicação dos "cartoons" sobre Maomé.

Em declarações à agência noticiosa France-Presse, Riss afirmou que a revista satírica francesa tinha sido, efectivamente,“mais uma vez ameaçada por organizações terroristas”, em pleno julgamento dos atentados de Janeiro de 2015, visando, igualmente, “todos os meios de comunicação e, mesmo, o Presidente”.

“Achámos necessário sugerir aos ‘media’ que pensassem na resposta colectiva que merecia ser dada a esta situação”, explicou.

Na carta aberta, intitulada “Juntos, vamos defender a liberdade”, os órgãos de comunicação social apelaram, então,  à defesa da imprensa.  “Hoje, em 2020, alguns de vós estão a receber ameaças de morte nas redes sociais quando expõem opiniões. Os meios de comunicação social são, abertamente, visados por organizações terroristas internacionais. Os Estados exercem pressões sobre os jornalistas franceses [considerados] ‘culpados’ de publicarem artigos críticos”, pode ler-se no documento.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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A perspectiva feminina em falta sobre a Covid-19
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O que são os dados tendenciosos e como corrigi-los
13:00 @ Sessões "online" Reuters Institute
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Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
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