Sexta-feira, 21 de Fevereiro, 2020
Media

Como um "ciberataque" sobre os Media pode paralisar a Informação

Todos começamos o dia vendo se temos mensagens ou chamadas não atendidas e, ao abrir o computador, consultamos a caixa de entrada do nosso correio electrónico. Procuramos notícias de interesse imediato, que podem ser sobre o tempo que faz ou o trânsito que não anda. E se um dia não encontrássemos rádio, nem televisão nem jornais online nos nossos aparelhos?

No último fim-de-semana de Dezembro findo, um ataque informático bloqueou o acesso dos ficheiros destinados às impressoras de Los Angeles Times and Tribune Publishing, atrasando também as edições de sábado de vários outros jornais, incluindo The New York Times e The Wall Street Journal. Não foi descoberta a origem. Crê-se que a motivação seria económica  - “sequestrar” os jornais deste modo e exigir resgate -  e proveniente de fora dos Estados Unidos.

É deste episódio que parte o jornalista Miguel Ossorio Vega para fazer uma reflexão sobre as alternativas que nos restam, caso ele se repita junto de nós. Se acontecesse connosco, íamos procurar informação aonde? E podemos tomar medidas preventivas?

“Mas os diários afectados não receberam nenhuma indicação a este respeito, o que leva a pensar que os atacantes queriam simplesmente boicotar o seu normal funcionamento  -  por outras palavras: a publicação de notícias. Uma nova forma de censura com que não contávamos, e que daria asas às fake news, já por si preocupantemente poderosas, que têm nas redes sociais o seu caldo de cultura.” 

“Num mundo que acordasse sem notícias, é possível que a primeira alternativa fosse a do Twitter e Facebook, que provavelmente continuariam sem problemas, podendo cuspir qualquer tipo de informação que os atacantes desejassem. Com via livre para evitarem ser refutados.” 

O autor acrescenta a este cenário as consequências do acesso pago nas edições online dos jornais, que tem o seu motivo mas também leva muitas pessoas, que se habituaram a ler notícias de graça, a procurá-las noutro sítio... 

“Onde? Nas redes sociais, onde espertos de todas as qualidades irão seguramente buscar o pedaço de bolo que fica do lado de fora do muro [paywall]. Se o que contam é verdade ou mentira, não interessa, já que durante duas décadas tivémos um buffet grátis ao alcance de todos e... bastará dar uma vista de olhos ao mundo para saber o que se passa.” 

“Vistas as coisas deste modo, seria irrelevante que os meios de comunicação sofressem um ataque maciço e coordenado que os deixasse fora de jogo durante vários dias, já que, mesmo com eles no tabuleiro de jogo, muitas pessoas acreditaram em coisas que cheiram a mentira à distância de quilómetros.” 

E Miguel Ángel Ossorio Vega conclui: 

“O outro lado desta notícia é que, se ainda não estamos a matar-nos uns aos outros, talvez seja, provavelmente, porque ainda há uma percentagem de população que consulta todos os dias media verdadeiros e tem uma opinião informada sobre aquilo que realmente acontece no mundo, procedendo de modo consequente.” 

“Devemos proteger os media com alguma coisa mais do que anti-vírus, se não queremos obrigar até mesmo os cidadãos mas responsáveis a irem refugiar-se no esgoto enquanto abranda a tempestade de um ciber-ataque.”

 

O artigo aqui citado, na íntegra em Media-tics 

Connosco
Literacia mediática como ferramenta contra desinformação Ver galeria

Para além da infecção provocada pelo novo coronavírus, identificado na China, estamos, agora, a assistir à disseminação indiscriminada de notícias falsas sobre o tema, conforme refere Ricardo Torres, num artigo publicado na revista “objETHOS”.

De acordo com Torres, o volume e a nocividade das informações propagadas através dos “media” digitais, são o reflexo de formatos comunicacionais imersos num “ecossistema” que favorece a desinformação.

Em temas sensíveis, como a saúde, os riscos da disseminação maciça de informações falsas são ampliados e podem, mesmo, conduzir ao caos social e a um estado de pânico generalizado. 

A OMS tem tentado evitar situações de pânico e insegurança, fortalecendo a posição científica, desmistificando rumores e esclarecendo dúvidas. No entanto, o cenário difuso e hiperbólico, fortalecido pelo sensacionalismo, torna a missão informativa confusa e complexa.

A era digital veio complicar a narrativa jornalística Ver galeria

A era digital e a revolução tecnológica vieram alterar o panorama do jornalismo. Se, anteriormente, os jornalistas apenas tinham de  preocupar-se com o conteúdo produzido na redacção onde trabalhavam, hoje, terão de manter-se competitivos com outras plataformas, e escrever com base nos artigos de outros jornais.

Muitos jornalistas, da chamada “velha guarda”, ainda não  conseguiram adaptar-se à nova realidade, e continuam a depender de uma cultura profissional baseada num jornalismo linear e sequencial, o que impede, por vezes, a tão desejada diversidade dos formatos de apresentação informativa.

O jornalista Carlos Castilho, especializado em “media” digitais, escreveu um artigo para o “Observatório da Imprensa”, no qual reflecte sobre a urgência de adaptação aos novos modelos. 

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...