Quinta-feira, 9 de Abril, 2020
Media

Como um "ciberataque" sobre os Media pode paralisar a Informação

Todos começamos o dia vendo se temos mensagens ou chamadas não atendidas e, ao abrir o computador, consultamos a caixa de entrada do nosso correio electrónico. Procuramos notícias de interesse imediato, que podem ser sobre o tempo que faz ou o trânsito que não anda. E se um dia não encontrássemos rádio, nem televisão nem jornais online nos nossos aparelhos?

No último fim-de-semana de Dezembro findo, um ataque informático bloqueou o acesso dos ficheiros destinados às impressoras de Los Angeles Times and Tribune Publishing, atrasando também as edições de sábado de vários outros jornais, incluindo The New York Times e The Wall Street Journal. Não foi descoberta a origem. Crê-se que a motivação seria económica  - “sequestrar” os jornais deste modo e exigir resgate -  e proveniente de fora dos Estados Unidos.

É deste episódio que parte o jornalista Miguel Ossorio Vega para fazer uma reflexão sobre as alternativas que nos restam, caso ele se repita junto de nós. Se acontecesse connosco, íamos procurar informação aonde? E podemos tomar medidas preventivas?

“Mas os diários afectados não receberam nenhuma indicação a este respeito, o que leva a pensar que os atacantes queriam simplesmente boicotar o seu normal funcionamento  -  por outras palavras: a publicação de notícias. Uma nova forma de censura com que não contávamos, e que daria asas às fake news, já por si preocupantemente poderosas, que têm nas redes sociais o seu caldo de cultura.” 

“Num mundo que acordasse sem notícias, é possível que a primeira alternativa fosse a do Twitter e Facebook, que provavelmente continuariam sem problemas, podendo cuspir qualquer tipo de informação que os atacantes desejassem. Com via livre para evitarem ser refutados.” 

O autor acrescenta a este cenário as consequências do acesso pago nas edições online dos jornais, que tem o seu motivo mas também leva muitas pessoas, que se habituaram a ler notícias de graça, a procurá-las noutro sítio... 

“Onde? Nas redes sociais, onde espertos de todas as qualidades irão seguramente buscar o pedaço de bolo que fica do lado de fora do muro [paywall]. Se o que contam é verdade ou mentira, não interessa, já que durante duas décadas tivémos um buffet grátis ao alcance de todos e... bastará dar uma vista de olhos ao mundo para saber o que se passa.” 

“Vistas as coisas deste modo, seria irrelevante que os meios de comunicação sofressem um ataque maciço e coordenado que os deixasse fora de jogo durante vários dias, já que, mesmo com eles no tabuleiro de jogo, muitas pessoas acreditaram em coisas que cheiram a mentira à distância de quilómetros.” 

E Miguel Ángel Ossorio Vega conclui: 

“O outro lado desta notícia é que, se ainda não estamos a matar-nos uns aos outros, talvez seja, provavelmente, porque ainda há uma percentagem de população que consulta todos os dias media verdadeiros e tem uma opinião informada sobre aquilo que realmente acontece no mundo, procedendo de modo consequente.” 

“Devemos proteger os media com alguma coisa mais do que anti-vírus, se não queremos obrigar até mesmo os cidadãos mas responsáveis a irem refugiar-se no esgoto enquanto abranda a tempestade de um ciber-ataque.”

 

O artigo aqui citado, na íntegra em Media-tics 

Connosco
Editores descontentes com projecto de apoio aos jornais "à medida das televisões" Ver galeria

Na sequência de apelos de várias empresas mediáticas, o Governo está, finalmente, a preparar um conjunto de medidas de apoio aos “media”, gravemente afectados pela crise instalada no país, na sequência da pandemia de Covid-19. 

Tudo indica, contudo, que o pacote destinado a compensar a quebra de receitas de circulação e publicidade não irá ao encontro das necessidades dos editores de jornais e revistas nem, tão pouco, de quem as distribui.

Isto porque as medidas que o Governo está a preparar terão como base a quebra de receitas da publicidade, omitindo, porém, o valor perdido com a diminuição abrupta na circulação, problema que não afecta as televisões.
"O pacote, como está neste momento, é feito à medida das televisões, porque não tem em conta os jornais e revistas, os meios mais prejudicados com a crise de saúde e económica que estamos a viver", explicou Afonso Camões, administrador do Grupo Global Media. "Sem imprensa escrita, é ,em primeira e última análise, o direito à informação, o Estado de direito e a Democracia que ficam em causa".

Perseguição à imprensa gera divisão ideológica no Brasil Ver galeria

Apesar dos esforços dos “media” para alcançar um consenso perante a pandemia do coronavírus, o discurso do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, tem contribuído para a polarização ideológica dos cidadãos, referiu Francisco Fernandes Ladeira, num artigo publicado no Observatório da Imprensa.

Isto porque, segundo Ladeira, Bolsonaro tem contrariado as directivas da imprensa para a contenção do coronavírus, apontadas pela OMS e pelo próprio ministério da Saúde brasileiro, acusando os “media” de disseminarem o pânico, deliberadamente, e sem fundamento.
Até meados do mês de Março, com a divulgação dos primeiros casos de covid-19 no Brasil, havia um relativo consenso entre a população sobre a quarentena transversal ser a melhor alternativa para evitar a rápida propagação do coronavírus.
Porém, devido aos discursos “inflamados” do Presidente os “media” têm sido descredibilizados. Essas premissas incentivaram, mesmo, aviolência sob jornalistas, que têm encontrado cada vez mais obstáculos ao exercício da profissão.

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


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15
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Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun