Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Media

A paixão da reportagem está na descoberta da verdade

Um cartaz com a frase que vem na imagem é o ponto de partida do repórter brasileiro Carlos Wagner para uma reflexão sobre a natureza e vocação do jornalismo. Com três décadas de carreira no jornal Zero Hora, dedicou-se, ao sair, “a ajudar na formação de novos repórteres, fazendo palestras, discutindo com colegas em redacções pelo interior do Brasil e escrevendo sobre  jornalismo”:

“Por conta dessas conversas, eu precisei de me actualizar em tudo que se tem escrito, falado e pesquisado sobre a nossa profissão e o destino das empresas tradicionais de comunicação. Pelo que vi, eu acredito que nunca se tenham publicado tantos trabalhos académicos, pesquisas de marketing e livros sobre o futuro da reportagem.”

Dessa experiência, e do sentimento de que, no fim das conversas, saía sempre com a sensação de ter deixado de dizer o mais importante, recolheu o tema para esta crónica publicada no Observatório da Imprensa do Brasil, onde defende que o essencial é a paixão que o repórter precisa de ter para esclarecer o desconhecido:

“Sem ela, nós somos apenas um amontoado de técnicas de como fazer jornalismo. Mas é ela que nos torna diferentes.”

Essa paixão, como Carlos Wagner a entende, pode ser definida como a “insistência de descobrir a verdade”: 

“A história reservou ao repórter a tarefa de descobrir e explicar os factos relevantes ao quotidiano das pessoas. Isso significa que nós não somos intermediários entre a fonte e o leitor. Nós produzimos conhecimento novo com o nosso trabalho.” (...) 

“O repórter não nasce com a paixão por esclarecer o desconhecido. Ele a cultiva como se fosse uma planta rara, até ela crescer e começar a dar frutos.” 

“O cartaz ‘Toda a garrafa vazia está cheia de histórias’  me fez lembrar porque resolvi  ser repórter. Foi ali, na mesa do boteco,  escutando as conversas de grandes repórteres sobre as matérias em que vi a paixão pela busca da verdade na cara deles.” 

“Lembro, enquanto as garrafas ficavam vazias sobre a mesa, o som da conversa subia. No final da noite, todos falavam ao mesmo tempo, parecia uma briga. Foi durante uma gritaria dessas que ouvi uma frase, não lembro quem disse, mas nunca a esqueci: ‘publicamos o mais próximo da verdade que conseguimos chegar’.” 

O autor acrescenta que 2019 não vai ser um ano fácil para os jornalistas brasileiros, com despedimentos e fecho de jornais:

“Seja lá qual for o rumo que o governo do Bolsonaro tomar, o certo é que vamos ter sérios problemas de acesso a informações. Ele seguirá o modelo de Trump, de usar as redes sociais para falar.” 

Mas acrescenta que, “se os grandes noticiários não divulgarem as postagens feitas pelo Presidente da República nas redes sociais, elas não repercutem”. 

E como “nem Trump nem Bolsonaro vão postar nas redes sociais factos desfavoráveis às suas administrações”, essa parte continuará a ser função do jornalismo: 

“Portanto, o governo Bolsonaro é uma garrafa cheia na mesa de jornalistas em um boteco. Logo ela vai estar vazia e restará uma história para contar. É simples assim.”

 

O artigo citado, na íntegra, no Observatório da Imprensa 
Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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