Segunda-feira, 30 de Novembro, 2020
Estudo

O jornalismo digital em 2019 entre as assinaturas e o mecenato...

Os modelos de assinatura e “pertença” aos meios de comunicação vão estar mais em foco no que respeita ao seu sustento económico, neste ano que começa. O jornalismo de qualidade vai precisar de mais investimento, enquanto o uso das redes sociais vai decair, tanto entre os próprios media como entre os utentes. São estas algumas das conclusões destacadas na apresentação do mais recente relatório do Instituto Reuters, intitulado “Tendências e Previsões sobre Jornalismo, Media e Tecnologia, para 2019”.

Mais de metade (52%) dos inquiridos admitem que as assinaturas e a “membrasia” [membership, no original] serão mais procuradas como fonte de receita, em 2019, em comparação com os 27% pela exposição de publicidade. Há também uma aceitação crescente de que determinadas formas de fornecimento de jornalismo de qualidade vão precisar de ser subsidiadas, com 29% esperando ver mais apoio de fundações e organizações não lucrativas, e 18% esperando que as plataformas tecnológicas contribuam mais.

Quanto a estas, são menos de metade (43%) os que hoje admitem, entre os media, que o Facebook é “importante” ou “extremamente importante”. E espera-se também que, entre os próprios consumidores, cresça o número dos que deixam as redes sociais, em parte por sentirem que se trata de “perder tempo online”.

Esta mais recente edição do Digital News Project do Reuters Institute for the Study of Journalism é baseada num inquérito junto de duas centenas de administradores, editores de topo e dirigentes de meios digitais, consultados em 29 países.

Nic Newman, o principal autor do relatório, afirma que 2019 “será o ano em que a regulação das plataformas vai começar a ‘morder’, no seguimento da crescente preocupação com a desinformação, a privacidade e o poder do mercado”: 

“Entretanto, a divulgação de conteúdos falsos, enganosos e extremistas vai continuar a fragilizar democracias por todo o mundo, com provável incidência em eleições polarizadas na Índia, na Indonésia e na Europa.” 

“O jornalismo vai continuar a ser ferido por abalos estruturais que já levaram a quebras significativas das receitas da publicidade. Os editores estão a voltar-se para as assinaturas, para fazerem a diferença, mas os limites deste caminho vão tornar-se visíveis em 2019. Tudo junto, estas tendências vão provavelmente conduzir à maior vaga de despedimentos no jornalismo desde há anos, enfraquecendo ainda mais a capacidade de chamar à responsabilidade políticos populistas e poderosos dirigentes económicos.” (...) 

Segundo Ben de Pear, editor do Channel4 News, no Reino Unido, “vai ser um ano crucial, em que as plataformas das redes sociais vão ter de provar que se preocupam com a verdade e com o financiamento de um jornalismo sério, ou então serem obrigadas a fazê-lo por medidas regulatórias”. 

Entre outras previsões destacadas neste relatório, afirma-se que vai haver mais interesse em indicadores de confiança para validarem as notícias, tais como news nutrition labels que possam ajudar os consumidores a decidirem o quê e em quem podem confiar. 

As grandes plataformas estão a tomar as suas próprias medidas contra a desinformação, mas esta está a deslocar-se para redes fechadas e grupos comunitários, tornando-se mais difícil de controlar. 

Um jornalismo mais reflexivo (slow news) emerge, com novas empresas de media como a Tortoise [Tartaruga], do Reino Unido, ou o jornal holandês De Correspondent expandindo-se para os Estados Unidos. “São vistos como um antídoto à actual fartura de um noticiário rápido, ligeiro e reactivo. Mas quantos irão aderir a ele  - e pagá-lo?” 

“O crescimento das paywalls está a afastar mais pessoas de um jornalismo de qualidade, e a tornar mais difícil a navegação na Internet. Vai aumentar, este ano, a irritação dos consumidores, conduzindo a uma combinação de maior afastamento das notícias e à adopção de software de bloqueio das paywalls.” (...)

 

 

A apresentação e o relatório do Reuters Institute, em PDF

Connosco
França e Reino Unido juntam-se para limitar o poder das tecnológicas Ver galeria

Alguns países europeus -- como é o caso da França e do Reino Unido -- estão a começar a limitar o poder exercido pelas empresas tecnológicas norte-americanas.

Em França, as autoridades francesas já começaram a cobrar um imposto sobre os serviços digitais às “gigantes” tecnológicas, noticiou o “Financial Times”. As empresas sujeitas “receberam a notificação de imposto referente a 2020”, confirmou uma fonte do governo, em comunicado.

Em declarações ao jornal “Público”, o Facebook afirmou que vai pagar os impostos exigidos por França. Segundo um porta-voz da empresa, a tecnológica norte-americana vai “[continuar] a incentivar um foco global por parte dos governos, para se chegar a uma reforma tributária nacional”.

Por outro lado, no Reino Unido está a ser criado um novo departamento para regular as plataformas “online”, com o objectivo de garantir a competição no sector tecnológico.

De acordo com o jornal “Guardian”, o Competitions and Markets Authority (CMA) ficará, assim, habilitado para aplicar um novo código de conduta às empresas, que deverão seguir um “comportamento aceitável”.

Regulador russo quer substituir redes sociais americanas Ver galeria

O regulador das comunicações russo, Roskomnadzor, propôs a criação de plataformas de vídeo nacionais para substituir o YouTube, devido à alegada “censura” praticada pelo “site” norte-americano.

A proposta foi apresentada depois de o regulador das comunicações russo ter acusado o YouTube de aplicar “um veto total” à criação de canais pela agência noticiosa ANNA News.

“Uma política específica de censura em relação aos meios russos é inaceitável e viola os princípios fundamentais de uma disseminação livre de informação e de acesso desimpedido à mesma”, considerou, em comunicado, o Roskomnadzor, citado pela agência EFE.

Esta não é a primeira vez que o regulador acusa as grandes multinacionais americanas de dificultarem o acesso dos “media” russos às suas plataformas.

Em Outubro, aquela entidade alegou que o Google, o Facebook e o Twitter “restringem o acesso a materiais de cerca de 20 meios de comunicação russos”, incluindo a agência estatal RIA Novosti.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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