Quarta-feira, 3 de Junho, 2020
Estudo

O jornalismo digital em 2019 entre as assinaturas e o mecenato...

Os modelos de assinatura e “pertença” aos meios de comunicação vão estar mais em foco no que respeita ao seu sustento económico, neste ano que começa. O jornalismo de qualidade vai precisar de mais investimento, enquanto o uso das redes sociais vai decair, tanto entre os próprios media como entre os utentes. São estas algumas das conclusões destacadas na apresentação do mais recente relatório do Instituto Reuters, intitulado “Tendências e Previsões sobre Jornalismo, Media e Tecnologia, para 2019”.

Mais de metade (52%) dos inquiridos admitem que as assinaturas e a “membrasia” [membership, no original] serão mais procuradas como fonte de receita, em 2019, em comparação com os 27% pela exposição de publicidade. Há também uma aceitação crescente de que determinadas formas de fornecimento de jornalismo de qualidade vão precisar de ser subsidiadas, com 29% esperando ver mais apoio de fundações e organizações não lucrativas, e 18% esperando que as plataformas tecnológicas contribuam mais.

Quanto a estas, são menos de metade (43%) os que hoje admitem, entre os media, que o Facebook é “importante” ou “extremamente importante”. E espera-se também que, entre os próprios consumidores, cresça o número dos que deixam as redes sociais, em parte por sentirem que se trata de “perder tempo online”.

Esta mais recente edição do Digital News Project do Reuters Institute for the Study of Journalism é baseada num inquérito junto de duas centenas de administradores, editores de topo e dirigentes de meios digitais, consultados em 29 países.

Nic Newman, o principal autor do relatório, afirma que 2019 “será o ano em que a regulação das plataformas vai começar a ‘morder’, no seguimento da crescente preocupação com a desinformação, a privacidade e o poder do mercado”: 

“Entretanto, a divulgação de conteúdos falsos, enganosos e extremistas vai continuar a fragilizar democracias por todo o mundo, com provável incidência em eleições polarizadas na Índia, na Indonésia e na Europa.” 

“O jornalismo vai continuar a ser ferido por abalos estruturais que já levaram a quebras significativas das receitas da publicidade. Os editores estão a voltar-se para as assinaturas, para fazerem a diferença, mas os limites deste caminho vão tornar-se visíveis em 2019. Tudo junto, estas tendências vão provavelmente conduzir à maior vaga de despedimentos no jornalismo desde há anos, enfraquecendo ainda mais a capacidade de chamar à responsabilidade políticos populistas e poderosos dirigentes económicos.” (...) 

Segundo Ben de Pear, editor do Channel4 News, no Reino Unido, “vai ser um ano crucial, em que as plataformas das redes sociais vão ter de provar que se preocupam com a verdade e com o financiamento de um jornalismo sério, ou então serem obrigadas a fazê-lo por medidas regulatórias”. 

Entre outras previsões destacadas neste relatório, afirma-se que vai haver mais interesse em indicadores de confiança para validarem as notícias, tais como news nutrition labels que possam ajudar os consumidores a decidirem o quê e em quem podem confiar. 

As grandes plataformas estão a tomar as suas próprias medidas contra a desinformação, mas esta está a deslocar-se para redes fechadas e grupos comunitários, tornando-se mais difícil de controlar. 

Um jornalismo mais reflexivo (slow news) emerge, com novas empresas de media como a Tortoise [Tartaruga], do Reino Unido, ou o jornal holandês De Correspondent expandindo-se para os Estados Unidos. “São vistos como um antídoto à actual fartura de um noticiário rápido, ligeiro e reactivo. Mas quantos irão aderir a ele  - e pagá-lo?” 

“O crescimento das paywalls está a afastar mais pessoas de um jornalismo de qualidade, e a tornar mais difícil a navegação na Internet. Vai aumentar, este ano, a irritação dos consumidores, conduzindo a uma combinação de maior afastamento das notícias e à adopção de software de bloqueio das paywalls.” (...)

 

 

A apresentação e o relatório do Reuters Institute, em PDF

Connosco
"NYT" em processo de mudança perante o novo perfil de audiência Ver galeria

Em 1851 nasceu o “New York Times”, um jornal que, desde cedo ,se assumiu como uma publicação de referência, na qual só havia espaço para as notícias e informação objectivas.

Segundo relembra o provedor do jornal, Gabriel Snyder, num artigo publicado na “Columbia Journalism Review”,  o “NYT” foi, assim, durante vários anos, um formador de opinião, que liderava, não seguia.

Qualquer pessoa minimamente relevante no espaço social lia o “NYT”, que, durante mais de um século, não teve de preocupar-se com a captação de audiências. Era um membro inquestionável da elite do poder norte-americano e nunca teve de explicar o porquê da sua importância.

Esta posição privilegiada permitia ao “Times” relatar sem ter que aprofundar uma opinião, sem se envolver em qualquer conflito.

Mas, reitera Snyder, os tempos mudaram e o jornal tem de reafirmar -se perante uma sociedade em mutação, onde se perpetua a polarização política. 

Projecto de jornalismo comunitário nasce em Detroit Ver galeria

Muito antes da pandemia de coronavírus, as redacções de jornalismo local e regional começaram “desmoronar-se”, devido a modelos de negócio obsoletos e a uma circulação pouco significativa.

De acordo com o instituto Poynter, um em cada cinco jornais, nos Estados Unidos, fechou, no decorrer da última década, e muitos dos que “sobreviveram” mantém-se, agora, na “sombra”, sem possibilidade de fazer reportagens assertivas ou entrevistas relevantes.

O jornalismo regional parece, contudo, estar a recuperar algum protagonismo, com muitos cidadãos a manifestarem o desejo de se informarem sobre a realidade das suas comunidades.

Perante este quadro, algumas associações têm-se aliado a jornalistas para fundar novas iniciativas comunitárias, com uma linha editorial compatível com a era digital.

Foi a partir de uma dessas parcerias que nasceu o “BridgeDetroit”, um projecto multiplataforma, dedicado a escrutinar, com transparência e objectividade, a realidade da cidade de Detroit, no Estado de Michigan.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas