Sábado, 24 de Julho, 2021
Estudo

O jornalismo digital em 2019 entre as assinaturas e o mecenato...

Os modelos de assinatura e “pertença” aos meios de comunicação vão estar mais em foco no que respeita ao seu sustento económico, neste ano que começa. O jornalismo de qualidade vai precisar de mais investimento, enquanto o uso das redes sociais vai decair, tanto entre os próprios media como entre os utentes. São estas algumas das conclusões destacadas na apresentação do mais recente relatório do Instituto Reuters, intitulado “Tendências e Previsões sobre Jornalismo, Media e Tecnologia, para 2019”.

Mais de metade (52%) dos inquiridos admitem que as assinaturas e a “membrasia” [membership, no original] serão mais procuradas como fonte de receita, em 2019, em comparação com os 27% pela exposição de publicidade. Há também uma aceitação crescente de que determinadas formas de fornecimento de jornalismo de qualidade vão precisar de ser subsidiadas, com 29% esperando ver mais apoio de fundações e organizações não lucrativas, e 18% esperando que as plataformas tecnológicas contribuam mais.

Quanto a estas, são menos de metade (43%) os que hoje admitem, entre os media, que o Facebook é “importante” ou “extremamente importante”. E espera-se também que, entre os próprios consumidores, cresça o número dos que deixam as redes sociais, em parte por sentirem que se trata de “perder tempo online”.

Esta mais recente edição do Digital News Project do Reuters Institute for the Study of Journalism é baseada num inquérito junto de duas centenas de administradores, editores de topo e dirigentes de meios digitais, consultados em 29 países.

Nic Newman, o principal autor do relatório, afirma que 2019 “será o ano em que a regulação das plataformas vai começar a ‘morder’, no seguimento da crescente preocupação com a desinformação, a privacidade e o poder do mercado”: 

“Entretanto, a divulgação de conteúdos falsos, enganosos e extremistas vai continuar a fragilizar democracias por todo o mundo, com provável incidência em eleições polarizadas na Índia, na Indonésia e na Europa.” 

“O jornalismo vai continuar a ser ferido por abalos estruturais que já levaram a quebras significativas das receitas da publicidade. Os editores estão a voltar-se para as assinaturas, para fazerem a diferença, mas os limites deste caminho vão tornar-se visíveis em 2019. Tudo junto, estas tendências vão provavelmente conduzir à maior vaga de despedimentos no jornalismo desde há anos, enfraquecendo ainda mais a capacidade de chamar à responsabilidade políticos populistas e poderosos dirigentes económicos.” (...) 

Segundo Ben de Pear, editor do Channel4 News, no Reino Unido, “vai ser um ano crucial, em que as plataformas das redes sociais vão ter de provar que se preocupam com a verdade e com o financiamento de um jornalismo sério, ou então serem obrigadas a fazê-lo por medidas regulatórias”. 

Entre outras previsões destacadas neste relatório, afirma-se que vai haver mais interesse em indicadores de confiança para validarem as notícias, tais como news nutrition labels que possam ajudar os consumidores a decidirem o quê e em quem podem confiar. 

As grandes plataformas estão a tomar as suas próprias medidas contra a desinformação, mas esta está a deslocar-se para redes fechadas e grupos comunitários, tornando-se mais difícil de controlar. 

Um jornalismo mais reflexivo (slow news) emerge, com novas empresas de media como a Tortoise [Tartaruga], do Reino Unido, ou o jornal holandês De Correspondent expandindo-se para os Estados Unidos. “São vistos como um antídoto à actual fartura de um noticiário rápido, ligeiro e reactivo. Mas quantos irão aderir a ele  - e pagá-lo?” 

“O crescimento das paywalls está a afastar mais pessoas de um jornalismo de qualidade, e a tornar mais difícil a navegação na Internet. Vai aumentar, este ano, a irritação dos consumidores, conduzindo a uma combinação de maior afastamento das notícias e à adopção de software de bloqueio das paywalls.” (...)

 

 

A apresentação e o relatório do Reuters Institute, em PDF

Connosco
Rússia intensifica restrições ao jornalismo independente Ver galeria

As autoridades russas classificaram o “site” de jornalismo independente “Proekt” como “indesejável”, banindo a actividade da plataforma a nível nacional, e atribuindo aos seus colaboradores o estatuto de “agentes estrangeiros”, denunciou o Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ).

Desta forma, quaisquer relações comerciais ou pessoais com o “site” passaram a ser consideradas ilegais.

“Ao banirem o ‘Proekt” e ao adicionarem novos nomes à lista de ‘agentes estrangeiros’, as autoridades russas parecem querer silenciar as últimas vozes independentes do país”, afirmou Gulzona Said, coordenadora do CPJ, acrescentando que “as intenções do governo deveriam ser revistas, de forma a proteger a liberdade de imprensa”.

Recentemente, foram introduzidas emendas ao código criminal russo, que prevêm penas de prisão, até quatro anos, para os jornalistas que colaborem com “media” indesejados, ou de até seis anos, para os profissionais que forem considerados culpados de “organizar essas actividades”.

Da mesma forma, os jornalistas ou “media” classificados como “agentes estrangeiros” podem enfrentar diversas restrições a nível financeiro.

De acordo com Mikhail Rubin, antigo editor-executivo da publicação, estas medidas são, provavelmente, uma resposta às investigações realizadas pelo título sobre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o seu círculo mais próximo.

Conflito inacabado entre tecnológicas, falta de transparência e direitos autorais dos "media" Ver galeria

Há cerca de 12 anos, Rupert Murdoch entrou num conflito directo com a Google, com o objectivo de fazer com que a empresa norte-americana pagasse pelos conteúdos noticiosos que agregava nas suas plataformas, recordou Nemesio Rodríguez num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com Rodríguez, esta “cruzada” durou até ao presente ano, quando o governo australiano implementou uma nova lei, que obriga as empresas tecnológicas a dividirem as receitas com as empresas de “media”, consoante os artigos partilhados nas suas plataformas agregadoras de notícias.

Em primeira instância, isto veio agravar a animosidade entre o governo e as tecnológicas: o Facebook, por exemplo, bloqueou o acesso dos utilizadores australianos a todos os conteúdos noticiosos da plataforma.

Contudo, perante as crescentes críticas da comunidade internacional, o Facebook e a Google cederam, anunciando um investimento de mil milhões de dólares em projectos de jornalismo.

Além disso, a Google revelou que iria apostar no licenciamento de conteúdos noticiosos internacionais, estabelecendo acordos privados com empresas de “media”, que passariam a partilhar os seus artigos na Google News Showcase.

Conforme recordou o autor, esta nova proposta atraiu diversos editores, já que a iniciativa parecia uma opção viável para solucionar os problemas financeiros dos jornais “online”.

Entre os signatários estava o grupo alemão “Spiegel”, cujo CEO, Stefan Ottliz, não escondeu a satisfação com o novo acordo: “Com o Google News Showcase e a nova integração de conteúdo editorial, a Google mostra que quer apoiar o jornalismo de qualidade”.

No entanto, o entusiasmo não foi partilhado pelo Conselho de Editores Europeus, que criticou a falta de transparência do novo projecto da Google.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
Há sinais que não enganam, ou que só enganam quem queira deixar-se enganar.Enquanto o Parlamento “chumbou” a tentativa de revogar o polémico artigo 6º da Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital, apontado como tendencialmente censório, anuncia-se, de mansinho, uma possível revisão da Lei de Imprensa, com o pretexto de estar a celebrar-se o bicentenário do primeiro documento publicado com esse objectivo. Para...
O acordo de Macau rasgado pela China
Francisco Sarsfield Cabral
Sem alterar qualquer nova lei, em Macau, como em Hong-Kong, a China não respeita os acordos que assinou. O Governo português nem sequer protesta. Razão tem o presidente J. Biden para endurecer o relacionamento com a China e o seu regime de ditadura absoluta do partido comunista chinês.  Na passada terça-feira o jornal “Público” dedicou quatro páginas à atual situação em Macau. Dois jornalistas (Hugo Pinto e...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Agenda
26
Jul
"Webinar" sobre primeira Lei de Imprensa em Portugal
10:00 @ "Webinar" da Associação Portuguesa de Imprensa
23
Ago
28
Set
World News Media Congress
09:00 @ Taipei, Taiwan
13
Out