Quarta-feira, 26 de Junho, 2019
Media

Fotojornalistas holandeses contestam degradação do seu trabalho

O sindicato dos jornalistas holandeses NVG  - Nederlandse Vereniging van Journalisten, e a respectiva secção de fotojornalismo, NVF, anunciaram um processo de contestação que pode chegar à greve, contra a degradação das suas condições de trabalho e pela defesa dos seus direitos de autor.
Em documento enviado a seis mais destacadas empresas de media na Holanda, pedem a abertura imediata de negociações sobre estas matérias, ameaçando entrar em greve a partir de 25 de Janeiro, caso estas sejam infrutíferas.

A Federação Europeia de Jornalistas, que representa mais de 320 mil jornalistas de 44 países  - e à qual pertence a NVG -  declarou o seu apoio a este protesto.

Segundo o indicador holandês das tarifas praticadas pelo trabalho freelance, estas têm vindo a cair desde os 80 euros por imagem, em 2014, para uma média actual de 42 euros, chegando em alguns casos aos vinte ou quinze euros. 

As reivindicações do movimento são de um aumento de 14%, para compensar a inflação desde 2010, a equiparação das tarifas pelo trabalho digital às da foto impressa e o respeito pelos direitos de autor (copyright). 

“Esta acção mostra-nos o caminho a seguir para construir uma solidariedade concreta entre jornalistas do quadro e freelance”  - declarou o presidente da FEJ, Mogens Blicher Bjerregaard: 

“Apoiamos totalmente os fotojornalistas holandeses e a campanha do sindicato pelo melhoramento das condições de trabalho e pelo estabelecimento de confiança e respeito entre os profissionais e a opinião pública.” (...) 

Também Natasha Hirst, dirigente da secção de fotojornalismo do sindicato britânico National Union of Journalists, declara a sua solidariedade com os fotojornalistas holandeses e acrescenta: 

“Os fotógrafos no Reino Unido enfrentam ameaças semelhantes, à medida que as tarifas de pagamento decrescem, enquanto as violações do copyright e o uso de fotografia amadora não remunerada se tornam uma intrusão cada vez mais presente.” (...)

E segundo Rosa García López, secretária-geral do NVJ/NVF, “tarifas de quinze euros por imagens digitais são inaceitáveis; o fotojornalismo não é um hobby”.

 

Mais informação no site da Federação Europeia de Jornalistas

Connosco
"Metástases" da desinformação espalham-se pelo mundo Ver galeria

O alastrar da desinformação, potenciado pelas capacidades de contágio “viral” da revolução tecnológica, teve um impacto transformador sobre o jornalismo. Nos Estados Unidos, um dos primeiros factos surpreendentes com que os jornalistas tiveram de lidar, logo após a eleição de Donald Trump, foi a noção de que hackers russos, em “fábricas” de conteúdos, podiam semear desordem no eleitorado americano e desacreditar o jornalismo autêntico.

“Por vezes, os leitores encontravam notícias verdadeiras que Trump procurava desacreditar porque não gostava do modo como o faziam parecer;  outras vezes encontravam a deformação intencional da informação para distorcer a verdade;  em muitas ocasiões, o que encontravam era apenas completo absurdo.”  
E deixou de ser um problema local. As “metástases” da desinformação espalham-se pelo mundo e o jornalismo é arrastado para o caos:

“Vimos isso na Birmânia e no Brasil, no Sri Lanka e na Nova Zelândia, por vezes em campanhas orquestradas que trazem a dedada de agentes estatais, por vezes em manifestos individuais de mentes perturbadas. O resultado é sempre o mesmo: relatos falsos envenenam as plataformas que abrigam o verdadeiro jornalismo. Ninguém na Imprensa está a salvo de ver o seu trabalho, sério e diligente, exposto na enxurrada.”
A reflexão é de Kyle Pope, director da Columbia Journalism Review, em “Todo o jornalismo é global”.

O pesadelo dos jornalistas filipinos perseguidos pelo regime Ver galeria

A luta pela liberdade de Imprensa pode ser uma guerra de resistência entre os carcereiros e os candidatos a presos  - que são todos os jornalistas que tenham a coragem de o ser. Num dos mais recentes episódios em que foi detida, em Fevereiro de 2019, a jornalista filipina Maria Ressa, fundadora do site Rappler, comentou ironicamente à saída do tribunal:

“Esta é a sexta vez que pago fiança, e vou pagar mais do que criminosos condenados. Vou pagar mais do que Imelda Marcos.”

Como conta no artigo “Alvos de Duterte”, que aqui citamos, o Presidente das Filipinas, que “foi o primeiro político do meu país a usar as redes sociais para ganhar umas eleições, conduz uma campanha incansável de desinformação (trolling patriótico) para reduzir os críticos ao silêncio”:

“O seu governo vomita mentiras a tal velocidade que o público já não consegue saber o que é realidade. Mesmo os seus próprios membros ficam confusos.”

“Desde Junho de 2016, quando Rodrigo Duterte se tornou Presidente, houve cerca de 27 mil assassínios decorrentes da sua ‘guerra contra a droga’. Este número vem das Nações Unidas, mas não foi muito divulgado. A polícia mantém a sua própria contagem menor, pressionando os órgãos de informação a publicá-la.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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