null, 24 de Março, 2019
Media

Fotojornalistas holandeses contestam degradação do seu trabalho

O sindicato dos jornalistas holandeses NVG  - Nederlandse Vereniging van Journalisten, e a respectiva secção de fotojornalismo, NVF, anunciaram um processo de contestação que pode chegar à greve, contra a degradação das suas condições de trabalho e pela defesa dos seus direitos de autor.
Em documento enviado a seis mais destacadas empresas de media na Holanda, pedem a abertura imediata de negociações sobre estas matérias, ameaçando entrar em greve a partir de 25 de Janeiro, caso estas sejam infrutíferas.

A Federação Europeia de Jornalistas, que representa mais de 320 mil jornalistas de 44 países  - e à qual pertence a NVG -  declarou o seu apoio a este protesto.

Segundo o indicador holandês das tarifas praticadas pelo trabalho freelance, estas têm vindo a cair desde os 80 euros por imagem, em 2014, para uma média actual de 42 euros, chegando em alguns casos aos vinte ou quinze euros. 

As reivindicações do movimento são de um aumento de 14%, para compensar a inflação desde 2010, a equiparação das tarifas pelo trabalho digital às da foto impressa e o respeito pelos direitos de autor (copyright). 

“Esta acção mostra-nos o caminho a seguir para construir uma solidariedade concreta entre jornalistas do quadro e freelance”  - declarou o presidente da FEJ, Mogens Blicher Bjerregaard: 

“Apoiamos totalmente os fotojornalistas holandeses e a campanha do sindicato pelo melhoramento das condições de trabalho e pelo estabelecimento de confiança e respeito entre os profissionais e a opinião pública.” (...) 

Também Natasha Hirst, dirigente da secção de fotojornalismo do sindicato britânico National Union of Journalists, declara a sua solidariedade com os fotojornalistas holandeses e acrescenta: 

“Os fotógrafos no Reino Unido enfrentam ameaças semelhantes, à medida que as tarifas de pagamento decrescem, enquanto as violações do copyright e o uso de fotografia amadora não remunerada se tornam uma intrusão cada vez mais presente.” (...)

E segundo Rosa García López, secretária-geral do NVJ/NVF, “tarifas de quinze euros por imagens digitais são inaceitáveis; o fotojornalismo não é um hobby”.

 

Mais informação no site da Federação Europeia de Jornalistas

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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