Quinta-feira, 21 de Novembro, 2019
Media

O renascimento do jornal em papel pode acontecer em 2019

É verdade que carregamos o peso de duas décadas de revolução digital, e os media impressos contam-se entre os mais atingidos pelas consequências da mudança tecnológica. Mas já chega de obituário. Há indícios crescentes de um renascimento dos jornais e revistas em papel, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa. Virão transformados, mesmo reinventados, e complementados pelo digital, mas estão a chegar. Bem-vindos à nova era da Imprensa pós-digital.

É este o tom da reflexão de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que compara os números: se nos mercados avançados as revistas perderam, nos últimos anos, 25% da sua circulação, estão agora a surgir, nos EUA, novos títulos em papel numa quantidade que supera a dos que fecharam; e alguns, como Tablet, Politico e Pitchfork Review, já eram publicações digitais de êxito quando fizeram o percurso contrário, aventurando-se a imprimir... Há 204 novas revistas impressas desde 2015, muitas delas lançadas o ano passado.

A tendência vinha sendo anunciada desde há algum tempo. A jornalista britânica Ruth Jamieson, autora de “Print is dead. Long live print”, afirma que há uma “nova simbiose entre uma revista impressa e as possibilidades que oferece a Net”. 

Segundo Miguel Ormaetxea, que aqui citamos, “a falta de ideias e de risco dos editores, e o seu desconhecimento da cultura digital, são em grande medida responsáveis pela queda dos produtos impressos”: 

“Muitos deles continuaram a operar com a mesma cultura tradicional. Faz sentido que os diários abram muitos dos seus títulos com temas que foram publicados na véspera de modo digital, em todas as espécies de suportes? Está a tornar-se evidente que os jornais diários têm de rever a sua abordagem. Muitos deles terão de ser reconvertidos em produtos de fim-de-semana, onde se publiquem análises e reportagens longas, que expliquem os motivos e os horizontes dos fenómenos que estão a acontecer, e não só o seu enunciado na forma de notícia.” (...) 

O autor refere-se depois a estudos neurológicos sobre as diferenças entre os modos de ler, nos ecrãs ou no papel, que sugerem maior superficialidade, e com menos memória do que se leu, no primeiro caso. 

Outro texto no mesmo site, de Miguel Ossorio Vega, trata também deste tema e afirma: 

“O mercado do papel impresso está vivo, e aqueles que estão a inovar nele sabem-no muito bem. Há quem se arrisque com as revistas de marca, por exemplo, uma área de negócio de um futuro onde tem lugar a impressão. Em parte porque continua a ser um suporte poderoso para obter receitas, e em parte porque o público continua a apreciar uma coisa que só o papel pode dar, apesar dos muitos benefícios do digital.” 

E cita o livro recente do jornalista australiano Stuart Howie, “The DIY Newsroom”, no qual, entre outras coisas, se afirma que “o digital chama a nossa atenção, mas o papel conquista-nos o respeito”. (...)

 

Os dois artigos citados, na íntegra, em Media-tics. Mais informação no nosso site

Connosco
O risco do jornalismo de dados produzir gráficos enganosos Ver galeria

As visualizações de dados podem ser enganosas. No seu novo livro, "How Charts Lie",Alberto Cairo, não poupa palavras para expor os perigos de visualizações de dados mal projectadas. 

O autor identifica cinco grandes categorias de desenhos de gráficos, que não são o que parecem à primeira vista, desde os que contêm dados insuficientes até aos que, deliberadamente, ocultam ou enganam o espectador. 

Os jornalistas podem proteger-se de serem "enganados" pelos gráficos, aceitando que são tão vulneráveis quanto o público em geral.

Cairo descreve os gráficos como argumentos feitos visualmente, que precisam de ser avaliados e verificados com o mesmo cuidado que qualquer outro dado ao qual recorremos para escrever uma história. 

O número crescente de ferramentas de visualização de dados gratuitas e de baixo custo, como Datawrapper e Flourish, tornaram as histórias baseadas em dados acessíveis, até mesmo às pequenas redacções.

"Pensamos no New York Times como o padrão ouro da visualização de dados, mas, na Flórida, o Tampa Bay Times tem apenas duas ou três pessoas a realizar esse tipo de trabalho e estão a fazer peças vencedoras do Pulitzer", explica o autor. 

O artigo de Corinne Podger, publicado no site do IJNet, analisa os riscos dos enganos do jornalismo de dados.

Jornalismo tecnológico requer soluções no mundo digital Ver galeria

A postura dos jornalistas em relação aos meios tecnológicos tem vindo a sofrer algumas alterações. 

Os jornalistas têm adoptado novamente uma atitude de “watchdog” em relação a Silicon Valley, tendo começado a produzir reportagens sobre negligência e outros problemas gerados por estas empresas. Começaram a debater questões sociais e técnicas, como o caso das campanhas de desinformação e os efeitos discriminatórios de algoritmos. 

Porém, é importante que os jornalistas não só ajudem a compreender os problemas tecnológicos, mas que identifiquem, também, as possíveis soluções e os efeitos positivos da tecnologia na sociedade. 

Os autores do texto, publicado no site Columbia Journalism Review, sugerem que seja adoptado um jornalismo de soluções como um movimento a seguir na cobertura de temas tecnológicos. Este género de jornalismo propõe realizar reportagens centradas nas respostas aos problemas sociais reportados, minimizando a ideia feita de que os jornalistas apenas estão presentes quando ocorrem escândalos. 

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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