null, 21 de Julho, 2019
Media

O renascimento do jornal em papel pode acontecer em 2019

É verdade que carregamos o peso de duas décadas de revolução digital, e os media impressos contam-se entre os mais atingidos pelas consequências da mudança tecnológica. Mas já chega de obituário. Há indícios crescentes de um renascimento dos jornais e revistas em papel, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa. Virão transformados, mesmo reinventados, e complementados pelo digital, mas estão a chegar. Bem-vindos à nova era da Imprensa pós-digital.

É este o tom da reflexão de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que compara os números: se nos mercados avançados as revistas perderam, nos últimos anos, 25% da sua circulação, estão agora a surgir, nos EUA, novos títulos em papel numa quantidade que supera a dos que fecharam; e alguns, como Tablet, Politico e Pitchfork Review, já eram publicações digitais de êxito quando fizeram o percurso contrário, aventurando-se a imprimir... Há 204 novas revistas impressas desde 2015, muitas delas lançadas o ano passado.

A tendência vinha sendo anunciada desde há algum tempo. A jornalista britânica Ruth Jamieson, autora de “Print is dead. Long live print”, afirma que há uma “nova simbiose entre uma revista impressa e as possibilidades que oferece a Net”. 

Segundo Miguel Ormaetxea, que aqui citamos, “a falta de ideias e de risco dos editores, e o seu desconhecimento da cultura digital, são em grande medida responsáveis pela queda dos produtos impressos”: 

“Muitos deles continuaram a operar com a mesma cultura tradicional. Faz sentido que os diários abram muitos dos seus títulos com temas que foram publicados na véspera de modo digital, em todas as espécies de suportes? Está a tornar-se evidente que os jornais diários têm de rever a sua abordagem. Muitos deles terão de ser reconvertidos em produtos de fim-de-semana, onde se publiquem análises e reportagens longas, que expliquem os motivos e os horizontes dos fenómenos que estão a acontecer, e não só o seu enunciado na forma de notícia.” (...) 

O autor refere-se depois a estudos neurológicos sobre as diferenças entre os modos de ler, nos ecrãs ou no papel, que sugerem maior superficialidade, e com menos memória do que se leu, no primeiro caso. 

Outro texto no mesmo site, de Miguel Ossorio Vega, trata também deste tema e afirma: 

“O mercado do papel impresso está vivo, e aqueles que estão a inovar nele sabem-no muito bem. Há quem se arrisque com as revistas de marca, por exemplo, uma área de negócio de um futuro onde tem lugar a impressão. Em parte porque continua a ser um suporte poderoso para obter receitas, e em parte porque o público continua a apreciar uma coisa que só o papel pode dar, apesar dos muitos benefícios do digital.” 

E cita o livro recente do jornalista australiano Stuart Howie, “The DIY Newsroom”, no qual, entre outras coisas, se afirma que “o digital chama a nossa atenção, mas o papel conquista-nos o respeito”. (...)

 

Os dois artigos citados, na íntegra, em Media-tics. Mais informação no nosso site

Connosco
A formação académica do jornalismo profisional em debate Ver galeria

A FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, que reune mais de 19 mil associados, declarou em Junho de 2019 que vai deixar de admitir nesta qualidade jornalistas que não estejam habilitados com um título académico de jornalismo, mesmo que estejam exercendo a profissão. O seu presidente, Nemesio Rodriguez, disse a eldiario.es  que o objectivo era “valorizar o título de jornalista e resolver o problema da intrusão”.

Uma consequência inesperada, entre várias críticas chegadas, foi a desvinculação, da sua pertença à FAPE, decidida pela AECC – Asociación Española de Comunicación Científica, cujos profissionais, especializados na comunicação científica, detêm maioritariamente outras licenciaturas. O seu presidente, Antonio Calvo, declarou que não fazia sentido “continuar a pertencer a uma associação onde não podem entrar metade dos nossos sócios”.

Este episódio reacendeu um debate que se alarga à própria vocação das associações de jornalistas. Sobre ambas as questões, e outras relacionadas, a  Red Ética da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano  organizou um tweet-debate marcado para 18 de Julho, de cujas conclusões daremos conta quando forem publicadas.

Apelo de investigadores contra "fake news" em divulgação científica Ver galeria

Será que a ciência é “distorcida” pelos media, por incapacidade de fazerem uma divulgação rigorosa, ou por qualquer outro motivo?
É para responder a este problema que o colectivo denominado NoFakeScience, composto por duas dezenas de cientistas e especialistas na divulgação de ciência, redigiu e publica no diário francês L’Opinion um texto que apela a um “trabalho de mãos dadas” entre jornalistas e cientistas. Juntaram-se a eles outros 230 grandes nomes da investigação, de todo o mundo, perfazendo assim um total de 250 signatários deste apelo.

“Nesta hora em que a desconfiança nos media e nas instituições chega ao extremo, apelamos a um questionamento profundo de toda a cadeia de informação, para que os temas de natureza científica possam ser restituídos a todos sem deformação sensacionalista nem ideológica, e para que a confiança possa ser, a longo prazo, restaurada entre os cientistas, os meios de comunicação e os cidadãos”  -  afirma o primeiro parágrafo do texto.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Um relatório recente sobre os princípios de actuação mais frequentes dos maiores publishers digitais dá algumas indicações que vale a pena ter em conta. O estudo “Digital Publishers Report”, divulgado pelo site Digiday, analisa as práticas de uma centena de editores e destaca alguns factores que, na sua opinião, permitem obter os melhores resultados. O estudo estima que as receitas provenientes de conteúdo digital...
E lá se foi mais um daqueles Artistas geniais que tornam a existência humana mais suportável… Guillermo Mordillo era um daqueles raríssimos autores que não precisam de palavras para nos revelarem os aspectos mais evidentes, e também os mais escondidos, das nossas vidas – os alegres, os menos alegres, os cómicos, os ridículos, até os trágicos -- com um traço redondo, que dava aos seus bonecos uma vivacidade...
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
Agenda
01
Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
04
Set
Infocomm China
09:00 @ Chengdu, Sichuan Province, China