Quarta-feira, 3 de Junho, 2020
Media

O renascimento do jornal em papel pode acontecer em 2019

É verdade que carregamos o peso de duas décadas de revolução digital, e os media impressos contam-se entre os mais atingidos pelas consequências da mudança tecnológica. Mas já chega de obituário. Há indícios crescentes de um renascimento dos jornais e revistas em papel, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa. Virão transformados, mesmo reinventados, e complementados pelo digital, mas estão a chegar. Bem-vindos à nova era da Imprensa pós-digital.

É este o tom da reflexão de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que compara os números: se nos mercados avançados as revistas perderam, nos últimos anos, 25% da sua circulação, estão agora a surgir, nos EUA, novos títulos em papel numa quantidade que supera a dos que fecharam; e alguns, como Tablet, Politico e Pitchfork Review, já eram publicações digitais de êxito quando fizeram o percurso contrário, aventurando-se a imprimir... Há 204 novas revistas impressas desde 2015, muitas delas lançadas o ano passado.

A tendência vinha sendo anunciada desde há algum tempo. A jornalista britânica Ruth Jamieson, autora de “Print is dead. Long live print”, afirma que há uma “nova simbiose entre uma revista impressa e as possibilidades que oferece a Net”. 

Segundo Miguel Ormaetxea, que aqui citamos, “a falta de ideias e de risco dos editores, e o seu desconhecimento da cultura digital, são em grande medida responsáveis pela queda dos produtos impressos”: 

“Muitos deles continuaram a operar com a mesma cultura tradicional. Faz sentido que os diários abram muitos dos seus títulos com temas que foram publicados na véspera de modo digital, em todas as espécies de suportes? Está a tornar-se evidente que os jornais diários têm de rever a sua abordagem. Muitos deles terão de ser reconvertidos em produtos de fim-de-semana, onde se publiquem análises e reportagens longas, que expliquem os motivos e os horizontes dos fenómenos que estão a acontecer, e não só o seu enunciado na forma de notícia.” (...) 

O autor refere-se depois a estudos neurológicos sobre as diferenças entre os modos de ler, nos ecrãs ou no papel, que sugerem maior superficialidade, e com menos memória do que se leu, no primeiro caso. 

Outro texto no mesmo site, de Miguel Ossorio Vega, trata também deste tema e afirma: 

“O mercado do papel impresso está vivo, e aqueles que estão a inovar nele sabem-no muito bem. Há quem se arrisque com as revistas de marca, por exemplo, uma área de negócio de um futuro onde tem lugar a impressão. Em parte porque continua a ser um suporte poderoso para obter receitas, e em parte porque o público continua a apreciar uma coisa que só o papel pode dar, apesar dos muitos benefícios do digital.” 

E cita o livro recente do jornalista australiano Stuart Howie, “The DIY Newsroom”, no qual, entre outras coisas, se afirma que “o digital chama a nossa atenção, mas o papel conquista-nos o respeito”. (...)

 

Os dois artigos citados, na íntegra, em Media-tics. Mais informação no nosso site

Connosco
"NYT" em processo de mudança perante o novo perfil de audiência Ver galeria

Em 1851 nasceu o “New York Times”, um jornal que, desde cedo ,se assumiu como uma publicação de referência, na qual só havia espaço para as notícias e informação objectivas.

Segundo relembra o provedor do jornal, Gabriel Snyder, num artigo publicado na “Columbia Journalism Review”,  o “NYT” foi, assim, durante vários anos, um formador de opinião, que liderava, não seguia.

Qualquer pessoa minimamente relevante no espaço social lia o “NYT”, que, durante mais de um século, não teve de preocupar-se com a captação de audiências. Era um membro inquestionável da elite do poder norte-americano e nunca teve de explicar o porquê da sua importância.

Esta posição privilegiada permitia ao “Times” relatar sem ter que aprofundar uma opinião, sem se envolver em qualquer conflito.

Mas, reitera Snyder, os tempos mudaram e o jornal tem de reafirmar -se perante uma sociedade em mutação, onde se perpetua a polarização política. 

Projecto de jornalismo comunitário nasce em Detroit Ver galeria

Muito antes da pandemia de coronavírus, as redacções de jornalismo local e regional começaram “desmoronar-se”, devido a modelos de negócio obsoletos e a uma circulação pouco significativa.

De acordo com o instituto Poynter, um em cada cinco jornais, nos Estados Unidos, fechou, no decorrer da última década, e muitos dos que “sobreviveram” mantém-se, agora, na “sombra”, sem possibilidade de fazer reportagens assertivas ou entrevistas relevantes.

O jornalismo regional parece, contudo, estar a recuperar algum protagonismo, com muitos cidadãos a manifestarem o desejo de se informarem sobre a realidade das suas comunidades.

Perante este quadro, algumas associações têm-se aliado a jornalistas para fundar novas iniciativas comunitárias, com uma linha editorial compatível com a era digital.

Foi a partir de uma dessas parcerias que nasceu o “BridgeDetroit”, um projecto multiplataforma, dedicado a escrutinar, com transparência e objectividade, a realidade da cidade de Detroit, no Estado de Michigan.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas