Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

O renascimento do jornal em papel pode acontecer em 2019

É verdade que carregamos o peso de duas décadas de revolução digital, e os media impressos contam-se entre os mais atingidos pelas consequências da mudança tecnológica. Mas já chega de obituário. Há indícios crescentes de um renascimento dos jornais e revistas em papel, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa. Virão transformados, mesmo reinventados, e complementados pelo digital, mas estão a chegar. Bem-vindos à nova era da Imprensa pós-digital.

É este o tom da reflexão de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que compara os números: se nos mercados avançados as revistas perderam, nos últimos anos, 25% da sua circulação, estão agora a surgir, nos EUA, novos títulos em papel numa quantidade que supera a dos que fecharam; e alguns, como Tablet, Politico e Pitchfork Review, já eram publicações digitais de êxito quando fizeram o percurso contrário, aventurando-se a imprimir... Há 204 novas revistas impressas desde 2015, muitas delas lançadas o ano passado.

A tendência vinha sendo anunciada desde há algum tempo. A jornalista britânica Ruth Jamieson, autora de “Print is dead. Long live print”, afirma que há uma “nova simbiose entre uma revista impressa e as possibilidades que oferece a Net”. 

Segundo Miguel Ormaetxea, que aqui citamos, “a falta de ideias e de risco dos editores, e o seu desconhecimento da cultura digital, são em grande medida responsáveis pela queda dos produtos impressos”: 

“Muitos deles continuaram a operar com a mesma cultura tradicional. Faz sentido que os diários abram muitos dos seus títulos com temas que foram publicados na véspera de modo digital, em todas as espécies de suportes? Está a tornar-se evidente que os jornais diários têm de rever a sua abordagem. Muitos deles terão de ser reconvertidos em produtos de fim-de-semana, onde se publiquem análises e reportagens longas, que expliquem os motivos e os horizontes dos fenómenos que estão a acontecer, e não só o seu enunciado na forma de notícia.” (...) 

O autor refere-se depois a estudos neurológicos sobre as diferenças entre os modos de ler, nos ecrãs ou no papel, que sugerem maior superficialidade, e com menos memória do que se leu, no primeiro caso. 

Outro texto no mesmo site, de Miguel Ossorio Vega, trata também deste tema e afirma: 

“O mercado do papel impresso está vivo, e aqueles que estão a inovar nele sabem-no muito bem. Há quem se arrisque com as revistas de marca, por exemplo, uma área de negócio de um futuro onde tem lugar a impressão. Em parte porque continua a ser um suporte poderoso para obter receitas, e em parte porque o público continua a apreciar uma coisa que só o papel pode dar, apesar dos muitos benefícios do digital.” 

E cita o livro recente do jornalista australiano Stuart Howie, “The DIY Newsroom”, no qual, entre outras coisas, se afirma que “o digital chama a nossa atenção, mas o papel conquista-nos o respeito”. (...)

 

Os dois artigos citados, na íntegra, em Media-tics. Mais informação no nosso site

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
Sobre a liberdade de expressão em Portugal
Francisco Sarsfield Cabral
O caso da participação num programa matinal da TVI de um racista, já condenado e tendo cumprido pena de prisão, Mário Machado, suscitou polémica. Ainda bem, porque as questões em causa são importantes. Mas, como é costume, o debate rapidamente derivou para um confronto entre a esquerda indignada por se ter dado tempo de antena a um criminoso fascista e a direita defendendo a liberdade de expressão e a dualidade de...
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