Sábado, 25 de Maio, 2019
Estudo

A desinformação como matéria-prima de estudo europeu e global

Alertada pela crescente consciência do perigo da desinformação, a Comissão Europeia criou, em Janeiro de 2018, um grupo de peritos para estudar o problema e indicar medidas concretas que possam conter e contrariar a divulgação de fake news nos meios digitais.
O denominado HLEG – High Level Group of Experts redigiu e entregou, em Março, um primeiro relatório sobre esta matéria, alertando contra o risco de soluções simplistas e propondo, em cinco pontos, medidas mais preventivas do que regulatórias.

O Poynter Institute  - que fez parte desse grupo -  lembra que a União Europeia “é apenas um dos muitos órgãos governativos que têm procurado deter o fluxo da desinformação online nos últimos meses” e redige agora uma espécie de balanço global das medidas em curso na Europa e noutros países de todos os continentes.

É apresentada, no mapa do mundo, uma lista de 39 países cuja situação é descrita de modo sucinto, com indicação das soluções aí procuradas  -  de natureza mais legislativa ou repressiva, ou ainda em fase de debate, ou mais no sentido da literacia para o uso dos media.

O texto de apresentação, assinado por Daniel Funke, da International Fact-Checking Network, lembra que estes esforços “levantam questões sobre violação das garantias de liberdade de expressão” e são objecto de incerteza: 

“O obscurecimento da definição de fake news, cujo alcance relativo continua a ser estudado, embaraça a capacidade dos governos para conseguirem resultados efectivos.” 

É no “espírito desta confusão”, bem descrita noutro relatório do Conselho Europeu, sobre a desordem da informação, que o Instituto Poynter criou este guia prático sobre as tentativas já feitas no sentido de definir legislação de combate a esse fenómeno. 

“Embora nem todos os documentos legais aqui citados se refiram especificamente à desinformação, todos foram abrangidos neste debate mais vasto. Procurámos classificar intervenções de nautreza diferente do modo mais claro possível.” 

Visto que estão sempre a ser tomadas, em algum país, medidas sobre esta matéria, o Instituto Poynter previne que o texto irá sendo actualizado e convida os leitores a interagirem, por e-mail ou usando a função Google presente no final do mesmo, trazendo as suas próprias contribuições para este efeito. 

Portugal não é um dos 39 países constantes desta primeira recolha.

 

O texto aqui citado, com o mapa que identifica por um código de cores os diversos caminhos seguidos, em Poynter.org.

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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