Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Estudo

A desinformação como matéria-prima de estudo europeu e global

Alertada pela crescente consciência do perigo da desinformação, a Comissão Europeia criou, em Janeiro de 2018, um grupo de peritos para estudar o problema e indicar medidas concretas que possam conter e contrariar a divulgação de fake news nos meios digitais.
O denominado HLEG – High Level Group of Experts redigiu e entregou, em Março, um primeiro relatório sobre esta matéria, alertando contra o risco de soluções simplistas e propondo, em cinco pontos, medidas mais preventivas do que regulatórias.

O Poynter Institute  - que fez parte desse grupo -  lembra que a União Europeia “é apenas um dos muitos órgãos governativos que têm procurado deter o fluxo da desinformação online nos últimos meses” e redige agora uma espécie de balanço global das medidas em curso na Europa e noutros países de todos os continentes.

É apresentada, no mapa do mundo, uma lista de 39 países cuja situação é descrita de modo sucinto, com indicação das soluções aí procuradas  -  de natureza mais legislativa ou repressiva, ou ainda em fase de debate, ou mais no sentido da literacia para o uso dos media.

O texto de apresentação, assinado por Daniel Funke, da International Fact-Checking Network, lembra que estes esforços “levantam questões sobre violação das garantias de liberdade de expressão” e são objecto de incerteza: 

“O obscurecimento da definição de fake news, cujo alcance relativo continua a ser estudado, embaraça a capacidade dos governos para conseguirem resultados efectivos.” 

É no “espírito desta confusão”, bem descrita noutro relatório do Conselho Europeu, sobre a desordem da informação, que o Instituto Poynter criou este guia prático sobre as tentativas já feitas no sentido de definir legislação de combate a esse fenómeno. 

“Embora nem todos os documentos legais aqui citados se refiram especificamente à desinformação, todos foram abrangidos neste debate mais vasto. Procurámos classificar intervenções de nautreza diferente do modo mais claro possível.” 

Visto que estão sempre a ser tomadas, em algum país, medidas sobre esta matéria, o Instituto Poynter previne que o texto irá sendo actualizado e convida os leitores a interagirem, por e-mail ou usando a função Google presente no final do mesmo, trazendo as suas próprias contribuições para este efeito. 

Portugal não é um dos 39 países constantes desta primeira recolha.

 

O texto aqui citado, com o mapa que identifica por um código de cores os diversos caminhos seguidos, em Poynter.org.

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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