Quinta-feira, 21 de Novembro, 2019
Estudo

A desinformação como matéria-prima de estudo europeu e global

Alertada pela crescente consciência do perigo da desinformação, a Comissão Europeia criou, em Janeiro de 2018, um grupo de peritos para estudar o problema e indicar medidas concretas que possam conter e contrariar a divulgação de fake news nos meios digitais.
O denominado HLEG – High Level Group of Experts redigiu e entregou, em Março, um primeiro relatório sobre esta matéria, alertando contra o risco de soluções simplistas e propondo, em cinco pontos, medidas mais preventivas do que regulatórias.

O Poynter Institute  - que fez parte desse grupo -  lembra que a União Europeia “é apenas um dos muitos órgãos governativos que têm procurado deter o fluxo da desinformação online nos últimos meses” e redige agora uma espécie de balanço global das medidas em curso na Europa e noutros países de todos os continentes.

É apresentada, no mapa do mundo, uma lista de 39 países cuja situação é descrita de modo sucinto, com indicação das soluções aí procuradas  -  de natureza mais legislativa ou repressiva, ou ainda em fase de debate, ou mais no sentido da literacia para o uso dos media.

O texto de apresentação, assinado por Daniel Funke, da International Fact-Checking Network, lembra que estes esforços “levantam questões sobre violação das garantias de liberdade de expressão” e são objecto de incerteza: 

“O obscurecimento da definição de fake news, cujo alcance relativo continua a ser estudado, embaraça a capacidade dos governos para conseguirem resultados efectivos.” 

É no “espírito desta confusão”, bem descrita noutro relatório do Conselho Europeu, sobre a desordem da informação, que o Instituto Poynter criou este guia prático sobre as tentativas já feitas no sentido de definir legislação de combate a esse fenómeno. 

“Embora nem todos os documentos legais aqui citados se refiram especificamente à desinformação, todos foram abrangidos neste debate mais vasto. Procurámos classificar intervenções de nautreza diferente do modo mais claro possível.” 

Visto que estão sempre a ser tomadas, em algum país, medidas sobre esta matéria, o Instituto Poynter previne que o texto irá sendo actualizado e convida os leitores a interagirem, por e-mail ou usando a função Google presente no final do mesmo, trazendo as suas próprias contribuições para este efeito. 

Portugal não é um dos 39 países constantes desta primeira recolha.

 

O texto aqui citado, com o mapa que identifica por um código de cores os diversos caminhos seguidos, em Poynter.org.

Connosco
O risco do jornalismo de dados produzir gráficos enganosos Ver galeria

As visualizações de dados podem ser enganosas. No seu novo livro, "How Charts Lie",Alberto Cairo, não poupa palavras para expor os perigos de visualizações de dados mal projectadas. 

O autor identifica cinco grandes categorias de desenhos de gráficos, que não são o que parecem à primeira vista, desde os que contêm dados insuficientes até aos que, deliberadamente, ocultam ou enganam o espectador. 

Os jornalistas podem proteger-se de serem "enganados" pelos gráficos, aceitando que são tão vulneráveis quanto o público em geral.

Cairo descreve os gráficos como argumentos feitos visualmente, que precisam de ser avaliados e verificados com o mesmo cuidado que qualquer outro dado ao qual recorremos para escrever uma história. 

O número crescente de ferramentas de visualização de dados gratuitas e de baixo custo, como Datawrapper e Flourish, tornaram as histórias baseadas em dados acessíveis, até mesmo às pequenas redacções.

"Pensamos no New York Times como o padrão ouro da visualização de dados, mas, na Flórida, o Tampa Bay Times tem apenas duas ou três pessoas a realizar esse tipo de trabalho e estão a fazer peças vencedoras do Pulitzer", explica o autor. 

O artigo de Corinne Podger, publicado no site do IJNet, analisa os riscos dos enganos do jornalismo de dados.

Jornalismo tecnológico requer soluções no mundo digital Ver galeria

A postura dos jornalistas em relação aos meios tecnológicos tem vindo a sofrer algumas alterações. 

Os jornalistas têm adoptado novamente uma atitude de “watchdog” em relação a Silicon Valley, tendo começado a produzir reportagens sobre negligência e outros problemas gerados por estas empresas. Começaram a debater questões sociais e técnicas, como o caso das campanhas de desinformação e os efeitos discriminatórios de algoritmos. 

Porém, é importante que os jornalistas não só ajudem a compreender os problemas tecnológicos, mas que identifiquem, também, as possíveis soluções e os efeitos positivos da tecnologia na sociedade. 

Os autores do texto, publicado no site Columbia Journalism Review, sugerem que seja adoptado um jornalismo de soluções como um movimento a seguir na cobertura de temas tecnológicos. Este género de jornalismo propõe realizar reportagens centradas nas respostas aos problemas sociais reportados, minimizando a ideia feita de que os jornalistas apenas estão presentes quando ocorrem escândalos. 

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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