Quarta-feira, 26 de Junho, 2019
Media

A receita certa para uma revista de êxito à italiana...

Que uma revista tenha dificuldades e tente a sua sorte numa versão online, depois de muitas perdas na edição impressa, parece “normal” e conforme às leis do mercado na era digital. Mas um site italiano de culinária está a passar este filme ao contrário: depois de doze anos de sucesso crescente, e apenas para adicionar mais uma fonte de recursos à empresa, passou a editar em 2017, a um euro por exemplar, uma revista mensal. Pois chegou quase imediatamente aos 650 milhares de exemplares mensais e vendeu dois milhões e meio só nesse primeiro ano.

No seu conjunto, Giallo Zafferano tornou-se um produto viável em todas as plataformas. No ano findo de 2018 atraíu catorze milhões de utentes mensais, com cerca de 1,6 milhões de internautas visitando o site todos os dias, para aprenderem a cozinhar a receita diária proposta. A marca é sustentada por uma multidão de seguidores nas redes sociais, eventos vários, receitas e produtos patrocinados, um programa televisivo, livros de receitas e agora esta nova revista mensal.

Daniela Cerrato, a responsável pelo marketing digital na Mondadori  - que detém a Giallo Zafferano -  explica que o lançamento da revista foi uma extensão natural, dada a enorme popularidade da marca. E o seu êxito financeiro pode ser atribuído ao facto de que, tanto o site como a revista, influenciam as escolhas dos consumidores, quando se trata de comprar produtos ou cozinhar as receitas apresentadas. 

“Quando cozinham com o apoio das nossas plataformas, confiam na informação sempre que sugerimos determinado produto para preparar correctamente a receita. E como ganhámos a confiança dos nossos consumidores, influenciamo-los a escolherem produtos específicos. Isto levou a Giallo Zafferano a criar conteúdo patrocinado.” (...) 

Mas no incício do processo, como explica adiante, tem de estar uma marca sólida e confiável, e esta começou assente num conceito simples: “propor às pessoas uma receita por dia, torná-la o mais fácil possível de cozinhar e divulgá-la com instruções passo a passo, para evitar enganos”. (...) 

“O site já tem guardadas mais de 4.500 receitas e acima de 900 vídeos online. Isto sustentou o lançamento da nova aplicação Giallo Zafferano, que foi descarregada seis milhões de vezes.” (...) 

O que significa que “as revistas impressas e os livros de receitas à venda nos quiosques não vão desaparecer tão cedo”  - conclui. (...)

 

A notícia aqui citada, na íntegra no site da FIPP

Connosco
"Metástases" da desinformação espalham-se pelo mundo Ver galeria

O alastrar da desinformação, potenciado pelas capacidades de contágio “viral” da revolução tecnológica, teve um impacto transformador sobre o jornalismo. Nos Estados Unidos, um dos primeiros factos surpreendentes com que os jornalistas tiveram de lidar, logo após a eleição de Donald Trump, foi a noção de que hackers russos, em “fábricas” de conteúdos, podiam semear desordem no eleitorado americano e desacreditar o jornalismo autêntico.

“Por vezes, os leitores encontravam notícias verdadeiras que Trump procurava desacreditar porque não gostava do modo como o faziam parecer;  outras vezes encontravam a deformação intencional da informação para distorcer a verdade;  em muitas ocasiões, o que encontravam era apenas completo absurdo.”  
E deixou de ser um problema local. As “metástases” da desinformação espalham-se pelo mundo e o jornalismo é arrastado para o caos:

“Vimos isso na Birmânia e no Brasil, no Sri Lanka e na Nova Zelândia, por vezes em campanhas orquestradas que trazem a dedada de agentes estatais, por vezes em manifestos individuais de mentes perturbadas. O resultado é sempre o mesmo: relatos falsos envenenam as plataformas que abrigam o verdadeiro jornalismo. Ninguém na Imprensa está a salvo de ver o seu trabalho, sério e diligente, exposto na enxurrada.”
A reflexão é de Kyle Pope, director da Columbia Journalism Review, em “Todo o jornalismo é global”.

O pesadelo dos jornalistas filipinos perseguidos pelo regime Ver galeria

A luta pela liberdade de Imprensa pode ser uma guerra de resistência entre os carcereiros e os candidatos a presos  - que são todos os jornalistas que tenham a coragem de o ser. Num dos mais recentes episódios em que foi detida, em Fevereiro de 2019, a jornalista filipina Maria Ressa, fundadora do site Rappler, comentou ironicamente à saída do tribunal:

“Esta é a sexta vez que pago fiança, e vou pagar mais do que criminosos condenados. Vou pagar mais do que Imelda Marcos.”

Como conta no artigo “Alvos de Duterte”, que aqui citamos, o Presidente das Filipinas, que “foi o primeiro político do meu país a usar as redes sociais para ganhar umas eleições, conduz uma campanha incansável de desinformação (trolling patriótico) para reduzir os críticos ao silêncio”:

“O seu governo vomita mentiras a tal velocidade que o público já não consegue saber o que é realidade. Mesmo os seus próprios membros ficam confusos.”

“Desde Junho de 2016, quando Rodrigo Duterte se tornou Presidente, houve cerca de 27 mil assassínios decorrentes da sua ‘guerra contra a droga’. Este número vem das Nações Unidas, mas não foi muito divulgado. A polícia mantém a sua própria contagem menor, pressionando os órgãos de informação a publicá-la.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
Agenda
02
Jul
The Children’s Media Conference
16:00 @ Sheffield,Reino Unido
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigeria