Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

... e as perspectivas contraditórias para os Media em 2019

Depois de uma década de crise económica que fustigou de modo especialmente duro os meios de comunicação, o ponto em que se encontram é de perda de credibilidade, de exposição à concorrência de novos actores digitais e a uma disrupção tecnológica que “fulminou os modelos de negócio tradicionais, sem dar em troca uma alternativa viável e sustentável”.

Há, no entanto, motivos de esperança neste novo ano, segundo James Hewes, director executivo da FIPP – Federação Internacional da Imprensa Periódica. Por exemplo entre as revistas, que estão a ganhar uma espécie de “segunda vida”, como produtos para “saborear tranquilamente”; ou na opção pelas assinaturas, que podem ter êxito mesmo nos media digitais.

Em qualquer caso, “os consumidores estão cada vez mais conscientes do valor do jornalismo e estão dispostos a pagar por ele”, mas exigindo à partida que lhes seja apresentado “conteúdo de alta qualidade e único”.

O ponto de partida é que, como reflecte Miguel Ossorio Vega em Media-tics, “tudo o que podia correr mal, correu mal”. Agora, mesmo que o ritmo da queda das receitas recolhidas pelos meios impressos esteja a abrandar, ela vai continuar  - o que aumenta a pressão sobre os custos, levando os editores a mudanças de estratégia e de estrutura. 

Um dos efeitos, segundo James Hewes, é a “consolidação” entre marcas, que significa a morte de uns títulos para que outros tenham espaço. 

Segundo conta, começou em Janeiro de 2017, quando a Hubert Burda anunciou a compra da Immediate Media, e agora “está sempre a acontecer”: 

“Todas as semanas há uma nova aquisição. E vai continuar. O abrandamento na indústria, que temos vindo a experimentar nestes últimos 20 anos, conduziu a um abalo de expulsão” [shake-out, no original]. (...) 

“Em quase todos os mercados do mundo existem sectores editoriais independentes e prósperos, frequentemente centrados no papel, que surgem das brechas deixadas pela morte de títulos mais antigos”  -  acrescenta James Hewes. 

A sobrevivência dos media dependerá sempre da sua capacidade de gerarem receitas, e a aposta já não é tanto na publicidade como nos conteúdos pagos. 

“O que os editores esqueceram é que sempre foram bons a vender assinaturas”, tendo agora pensado, por alguma razão desconhecida, que não podiam fazê-lo na era digital. (...) 

Outro ponto necessário é tratar com inteligência as estratégias multi-plataforma: 

“O erro de muitos editores foi o de criar um conjunto de conteúdos e distribuí-lo por todas as plataformas. Mas isto não funciona, porque cada plataforma vem com o seu próprio conjunto de requisitos únicos, e os conteúdos devem ser criados dentro desse espaço.” (...) 

Outro problema ainda foi o de desvalorizar o talento em proveito de soluções de baixo custo: 

“O mercado de trabalho está cada vez mais competitivo, especialmente para os jovens com talento digital”  - diz Hewes. “Se queres que a tua empresa tenha êxito, tens de criar a cultura correcta e empregar o melhor talento.” (...)

 

Mais informação em Media-tics  e no site da FIPP - Fédération Internationale de la Presse Périodique (título original em francês)

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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