Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

Revista “Forbes” reforçou a redacção... com um “robot”

A Forbes já tem em fase experimental, nos Estados Unidos e na Europa, uma ferramenta que propõe aos redactores um rascunho do que podem fazer a seguir. O robot-jornalista tem nome, chama-se Bertie  - em homenagem a Bertie Charles Forbes, o fundador da revista -  e ainda não está em condições de substituir nenhum jornalista de carne e osso. Por enquanto, limita-se a reunir, a partir dos algoritmos e da inteligência artificial (que se alimentam dos dados de audiência de determinados temas, bem como do comportamento dos leitores), os elementos que podem proporcionar o tal artigo de grande leitura...

Porque a intenção, no fundo, é essa: “optimizar os processos de trabalho e aumentar a produtividade”  - o que significa, para os críticos, substituir meios humanos por máquinas “para poupar custos e maximizar benefícios”.

Segundo Miguel Ossorio Vega, que aqui citamos de Media-tics, “pode acontecer que ambas as visões estejam certas e até mesmo consigam conviver numa primeira fase. Depois se verá.”

Esta “robotização” do jornalismo está em curso e já funciona em várias agências de notícias, como a Reuters e a France-Presse, bem como em jornais como The Washington Post. Nas suas formas já adoptadas, “redige” de facto, articulando dados noticiosos sempre em actualização  - e obedecendo a programas determinados pela editoria humana dos meios onde foi instalada -  notícias simples. Dir-se-ia que é um processo mais “mecânico”. 

Aparentemente, o que está agora a ser experimentado na Forbes vai mais longe. Os 2.500 colaboradores da revista, que servem de “cobaias” ao lançamento do Bertie, recebem sugestões de trabalho e material de apoio. 

Segundo Le Figaro, que aqui citamos, é do seguinte modo que um destes colaboradores encontrou uma proposta de tema a tratar, sobre as últimas notícias da Tesla: 

“Para o ajudar, colocou ao seu dispor uma selecção de artigos, já publicados pela Forbes ou por outros meios, sobre o tema, bem como imagens seleccionadas automaticamente para o ilustrarem. Mas a inteligência artificial forneceu-lhe ainda um rascunho. O texto é impublicável nesta fase, mas constitui um bom ponto de partida para ele se lançar à escrita sem perder muito tempo.” (...) 

“Como já fizera o Huffington Post, o recurso a colaboradores externos é usado, há muito tempo, como forma de produzir rapidamente, de forma maciça e muitas vezes por baixo custo, centenas de artigos por dia.” (...) 

“A Forbes depende muito deste sistema, que está na origem de mais de metade dos artigos publicados todos os dias. Em troca, o site garante aos seus colaboradores, a partir de Fevereiro, um mínimo garantido de 250 dólares por mês. Quanto mais os internautas lerem os seus artigos, se demorarem neles e ficarem envolvidos, mais aumenta a remuneração.” 

Como afirma Randall Lane, editor da Forbes, “em 2017, mais de cem colaboradores ganharam mais de dez mil dólares, e cinco deles ultrapassaram os 200 mil dólares”. (...)

 

 

Mais informação em Media-tics  e Le Figaro

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


ver mais >
Opinião
Sobre a liberdade de expressão em Portugal
Francisco Sarsfield Cabral
O caso da participação num programa matinal da TVI de um racista, já condenado e tendo cumprido pena de prisão, Mário Machado, suscitou polémica. Ainda bem, porque as questões em causa são importantes. Mas, como é costume, o debate rapidamente derivou para um confronto entre a esquerda indignada por se ter dado tempo de antena a um criminoso fascista e a direita defendendo a liberdade de expressão e a dualidade de...
O panorama dos media
Manuel Falcão
Se olharmos para o top dos programas mais vistos na televisão generalista em 2018 vemos um claro domínio das transmissões desportivas, seguidas a grande distância pelos reality shows e, ainda mais para trás, pelas telenovelas. No entanto as transmissões televisivas produzem apenas picos de audiência e contribuem relativamente pouco para as médias e para planos continuados. O dilema das televisões generalistas está na...
Informar ou depender…
Dinis de Abreu
O título deste texto corresponde a um livro publicado nos anos 70 por Francisco Balsemão, numa altura em que já se ‘contavam espingardas’ para pôr termo ao Estado Novo, como veio a acontecer com o derrube de Marcello Caetano, em 25 de Abril de 74.  A obra foi polémica à época e justamente considerada um ‘grito de alma’, assinada por quem começara a sua vida profissional num jornal controlado pela família...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...