Quarta-feira, 26 de Junho, 2019
Media

Revista “Forbes” reforçou a redacção... com um “robot”

A Forbes já tem em fase experimental, nos Estados Unidos e na Europa, uma ferramenta que propõe aos redactores um rascunho do que podem fazer a seguir. O robot-jornalista tem nome, chama-se Bertie  - em homenagem a Bertie Charles Forbes, o fundador da revista -  e ainda não está em condições de substituir nenhum jornalista de carne e osso. Por enquanto, limita-se a reunir, a partir dos algoritmos e da inteligência artificial (que se alimentam dos dados de audiência de determinados temas, bem como do comportamento dos leitores), os elementos que podem proporcionar o tal artigo de grande leitura...

Porque a intenção, no fundo, é essa: “optimizar os processos de trabalho e aumentar a produtividade”  - o que significa, para os críticos, substituir meios humanos por máquinas “para poupar custos e maximizar benefícios”.

Segundo Miguel Ossorio Vega, que aqui citamos de Media-tics, “pode acontecer que ambas as visões estejam certas e até mesmo consigam conviver numa primeira fase. Depois se verá.”

Esta “robotização” do jornalismo está em curso e já funciona em várias agências de notícias, como a Reuters e a France-Presse, bem como em jornais como The Washington Post. Nas suas formas já adoptadas, “redige” de facto, articulando dados noticiosos sempre em actualização  - e obedecendo a programas determinados pela editoria humana dos meios onde foi instalada -  notícias simples. Dir-se-ia que é um processo mais “mecânico”. 

Aparentemente, o que está agora a ser experimentado na Forbes vai mais longe. Os 2.500 colaboradores da revista, que servem de “cobaias” ao lançamento do Bertie, recebem sugestões de trabalho e material de apoio. 

Segundo Le Figaro, que aqui citamos, é do seguinte modo que um destes colaboradores encontrou uma proposta de tema a tratar, sobre as últimas notícias da Tesla: 

“Para o ajudar, colocou ao seu dispor uma selecção de artigos, já publicados pela Forbes ou por outros meios, sobre o tema, bem como imagens seleccionadas automaticamente para o ilustrarem. Mas a inteligência artificial forneceu-lhe ainda um rascunho. O texto é impublicável nesta fase, mas constitui um bom ponto de partida para ele se lançar à escrita sem perder muito tempo.” (...) 

“Como já fizera o Huffington Post, o recurso a colaboradores externos é usado, há muito tempo, como forma de produzir rapidamente, de forma maciça e muitas vezes por baixo custo, centenas de artigos por dia.” (...) 

“A Forbes depende muito deste sistema, que está na origem de mais de metade dos artigos publicados todos os dias. Em troca, o site garante aos seus colaboradores, a partir de Fevereiro, um mínimo garantido de 250 dólares por mês. Quanto mais os internautas lerem os seus artigos, se demorarem neles e ficarem envolvidos, mais aumenta a remuneração.” 

Como afirma Randall Lane, editor da Forbes, “em 2017, mais de cem colaboradores ganharam mais de dez mil dólares, e cinco deles ultrapassaram os 200 mil dólares”. (...)

 

 

Mais informação em Media-tics  e Le Figaro

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"Metástases" da desinformação espalham-se pelo mundo Ver galeria

O alastrar da desinformação, potenciado pelas capacidades de contágio “viral” da revolução tecnológica, teve um impacto transformador sobre o jornalismo. Nos Estados Unidos, um dos primeiros factos surpreendentes com que os jornalistas tiveram de lidar, logo após a eleição de Donald Trump, foi a noção de que hackers russos, em “fábricas” de conteúdos, podiam semear desordem no eleitorado americano e desacreditar o jornalismo autêntico.

“Por vezes, os leitores encontravam notícias verdadeiras que Trump procurava desacreditar porque não gostava do modo como o faziam parecer;  outras vezes encontravam a deformação intencional da informação para distorcer a verdade;  em muitas ocasiões, o que encontravam era apenas completo absurdo.”  
E deixou de ser um problema local. As “metástases” da desinformação espalham-se pelo mundo e o jornalismo é arrastado para o caos:

“Vimos isso na Birmânia e no Brasil, no Sri Lanka e na Nova Zelândia, por vezes em campanhas orquestradas que trazem a dedada de agentes estatais, por vezes em manifestos individuais de mentes perturbadas. O resultado é sempre o mesmo: relatos falsos envenenam as plataformas que abrigam o verdadeiro jornalismo. Ninguém na Imprensa está a salvo de ver o seu trabalho, sério e diligente, exposto na enxurrada.”
A reflexão é de Kyle Pope, director da Columbia Journalism Review, em “Todo o jornalismo é global”.

O pesadelo dos jornalistas filipinos perseguidos pelo regime Ver galeria

A luta pela liberdade de Imprensa pode ser uma guerra de resistência entre os carcereiros e os candidatos a presos  - que são todos os jornalistas que tenham a coragem de o ser. Num dos mais recentes episódios em que foi detida, em Fevereiro de 2019, a jornalista filipina Maria Ressa, fundadora do site Rappler, comentou ironicamente à saída do tribunal:

“Esta é a sexta vez que pago fiança, e vou pagar mais do que criminosos condenados. Vou pagar mais do que Imelda Marcos.”

Como conta no artigo “Alvos de Duterte”, que aqui citamos, o Presidente das Filipinas, que “foi o primeiro político do meu país a usar as redes sociais para ganhar umas eleições, conduz uma campanha incansável de desinformação (trolling patriótico) para reduzir os críticos ao silêncio”:

“O seu governo vomita mentiras a tal velocidade que o público já não consegue saber o que é realidade. Mesmo os seus próprios membros ficam confusos.”

“Desde Junho de 2016, quando Rodrigo Duterte se tornou Presidente, houve cerca de 27 mil assassínios decorrentes da sua ‘guerra contra a droga’. Este número vem das Nações Unidas, mas não foi muito divulgado. A polícia mantém a sua própria contagem menor, pressionando os órgãos de informação a publicá-la.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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The Children’s Media Conference
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21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigeria