null, 24 de Março, 2019
Media

Novo jornal "online" vocacionado para temas religiosos

Está disponível, desde 7 de Janeiro de 2019, o 7MARGENS, um novo jornal digital vocacionado para a informação sobre o fenómeno religioso “no sentido mais amplo do termo”, não se confinando às diversas confissões e crenças estabelecidas, mas procurando “dar conta das diferentes formas de busca espiritual que marcam o nosso tempo”. Será “orientado por critérios jornalísticos profissionais e independente de qualquer instituição, religiosa ou outra”.

Segundo o texto de despedida do blog Religionline, do jornalista António Marujo, a partir de agora “o que fazíamos no Religionline passa a estar em www.setemargens.com”. O novo diário digital é propriedade de uma Associação Cultural Sem Fins Lucrativos, a Porta 18, e “aspira a ser financiado exclusivamente pelos seus leitores / apoiantes, mas recorre também a donativos institucionais que publicita regularmente, de modo a assegurar total transparência com aqueles que o visitam”.

“Tem como referências mais próximas o trabalho de três décadas desenvolvido pelo seu director, António Marujo [que foi durante muitos anos redactor do Público nesta área da informação religiosa], e a informação oferecida desde 2002 pelo blog Religionline, um dos primeiros em Portugal, iniciado por Manuel Pinto. Na equipa estão ainda Jorge Wemans, Eduardo Jorge Madureira e Maria Wilton.”

O texto de apresentação do 7MARGENS, intitulado “Ao que vimos”, afirma que “Portugal conheceu nas últimas duas décadas um retrocesso evidente na cobertura do fenómeno religioso e as próprias confissões religiosas parecem aceitar isso, como se só pudesse haver a escolha entre uma informação proselitista e o silêncio. A vida pública e a cultura saem empobrecidos com esta situação. 7MARGENS propõe-se ser aí uma resposta”. (...)

Afirma ainda o propósito de “trazer para esta plataforma os dramas, as injustiças, as experiências inovadoras, os testemunhos e os debates de todos os agentes e a todos os níveis”: 

“Todos os que estão à margem na economia (os trabalhadores e os mais pobres), na política (os cidadãos), na cultura (os debates e as propostas), nas instituições religiosas (os crentes) e nos média (as religiões e a busca espiritual) queremos trazer para 7MARGENS. Atentos à realidade nacional e internacional, nomeadamente nos países onde se fala o português.” (...) 

O texto apela também à participação no financiamento do projecto, que “precisa do trabalho de voluntários e precisa da partilha económica para fazer face às despesas. Aqui vai estar um desafio: saber se queremos, de facto, dar vida a um projeto jornalístico profissional e de qualidade no terreno das religiões e das espiritualidades, no nosso país”. 

O referido texto de despedida, no Religionline, termina com o mesmo apelo, afirmando que o novo jornal iniciou uma campanha de recolha de fundos, para a qual indica o NIB da conta disponível, segundo o princípio de que “o jornalismo é essencial numa democracia e só pode subsistir na medida em que os seus utilizadores o suportem, também economicamente”. (...)

 

Mais informação no Observador,  no Religionline e em www.setemargens.com.

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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