Quarta-feira, 26 de Junho, 2019
Media

Novo jornal "online" vocacionado para temas religiosos

Está disponível, desde 7 de Janeiro de 2019, o 7MARGENS, um novo jornal digital vocacionado para a informação sobre o fenómeno religioso “no sentido mais amplo do termo”, não se confinando às diversas confissões e crenças estabelecidas, mas procurando “dar conta das diferentes formas de busca espiritual que marcam o nosso tempo”. Será “orientado por critérios jornalísticos profissionais e independente de qualquer instituição, religiosa ou outra”.

Segundo o texto de despedida do blog Religionline, do jornalista António Marujo, a partir de agora “o que fazíamos no Religionline passa a estar em www.setemargens.com”. O novo diário digital é propriedade de uma Associação Cultural Sem Fins Lucrativos, a Porta 18, e “aspira a ser financiado exclusivamente pelos seus leitores / apoiantes, mas recorre também a donativos institucionais que publicita regularmente, de modo a assegurar total transparência com aqueles que o visitam”.

“Tem como referências mais próximas o trabalho de três décadas desenvolvido pelo seu director, António Marujo [que foi durante muitos anos redactor do Público nesta área da informação religiosa], e a informação oferecida desde 2002 pelo blog Religionline, um dos primeiros em Portugal, iniciado por Manuel Pinto. Na equipa estão ainda Jorge Wemans, Eduardo Jorge Madureira e Maria Wilton.”

O texto de apresentação do 7MARGENS, intitulado “Ao que vimos”, afirma que “Portugal conheceu nas últimas duas décadas um retrocesso evidente na cobertura do fenómeno religioso e as próprias confissões religiosas parecem aceitar isso, como se só pudesse haver a escolha entre uma informação proselitista e o silêncio. A vida pública e a cultura saem empobrecidos com esta situação. 7MARGENS propõe-se ser aí uma resposta”. (...)

Afirma ainda o propósito de “trazer para esta plataforma os dramas, as injustiças, as experiências inovadoras, os testemunhos e os debates de todos os agentes e a todos os níveis”: 

“Todos os que estão à margem na economia (os trabalhadores e os mais pobres), na política (os cidadãos), na cultura (os debates e as propostas), nas instituições religiosas (os crentes) e nos média (as religiões e a busca espiritual) queremos trazer para 7MARGENS. Atentos à realidade nacional e internacional, nomeadamente nos países onde se fala o português.” (...) 

O texto apela também à participação no financiamento do projecto, que “precisa do trabalho de voluntários e precisa da partilha económica para fazer face às despesas. Aqui vai estar um desafio: saber se queremos, de facto, dar vida a um projeto jornalístico profissional e de qualidade no terreno das religiões e das espiritualidades, no nosso país”. 

O referido texto de despedida, no Religionline, termina com o mesmo apelo, afirmando que o novo jornal iniciou uma campanha de recolha de fundos, para a qual indica o NIB da conta disponível, segundo o princípio de que “o jornalismo é essencial numa democracia e só pode subsistir na medida em que os seus utilizadores o suportem, também economicamente”. (...)

 

Mais informação no Observador,  no Religionline e em www.setemargens.com.

Connosco
"Metástases" da desinformação espalham-se pelo mundo Ver galeria

O alastrar da desinformação, potenciado pelas capacidades de contágio “viral” da revolução tecnológica, teve um impacto transformador sobre o jornalismo. Nos Estados Unidos, um dos primeiros factos surpreendentes com que os jornalistas tiveram de lidar, logo após a eleição de Donald Trump, foi a noção de que hackers russos, em “fábricas” de conteúdos, podiam semear desordem no eleitorado americano e desacreditar o jornalismo autêntico.

“Por vezes, os leitores encontravam notícias verdadeiras que Trump procurava desacreditar porque não gostava do modo como o faziam parecer;  outras vezes encontravam a deformação intencional da informação para distorcer a verdade;  em muitas ocasiões, o que encontravam era apenas completo absurdo.”  
E deixou de ser um problema local. As “metástases” da desinformação espalham-se pelo mundo e o jornalismo é arrastado para o caos:

“Vimos isso na Birmânia e no Brasil, no Sri Lanka e na Nova Zelândia, por vezes em campanhas orquestradas que trazem a dedada de agentes estatais, por vezes em manifestos individuais de mentes perturbadas. O resultado é sempre o mesmo: relatos falsos envenenam as plataformas que abrigam o verdadeiro jornalismo. Ninguém na Imprensa está a salvo de ver o seu trabalho, sério e diligente, exposto na enxurrada.”
A reflexão é de Kyle Pope, director da Columbia Journalism Review, em “Todo o jornalismo é global”.

O pesadelo dos jornalistas filipinos perseguidos pelo regime Ver galeria

A luta pela liberdade de Imprensa pode ser uma guerra de resistência entre os carcereiros e os candidatos a presos  - que são todos os jornalistas que tenham a coragem de o ser. Num dos mais recentes episódios em que foi detida, em Fevereiro de 2019, a jornalista filipina Maria Ressa, fundadora do site Rappler, comentou ironicamente à saída do tribunal:

“Esta é a sexta vez que pago fiança, e vou pagar mais do que criminosos condenados. Vou pagar mais do que Imelda Marcos.”

Como conta no artigo “Alvos de Duterte”, que aqui citamos, o Presidente das Filipinas, que “foi o primeiro político do meu país a usar as redes sociais para ganhar umas eleições, conduz uma campanha incansável de desinformação (trolling patriótico) para reduzir os críticos ao silêncio”:

“O seu governo vomita mentiras a tal velocidade que o público já não consegue saber o que é realidade. Mesmo os seus próprios membros ficam confusos.”

“Desde Junho de 2016, quando Rodrigo Duterte se tornou Presidente, houve cerca de 27 mil assassínios decorrentes da sua ‘guerra contra a droga’. Este número vem das Nações Unidas, mas não foi muito divulgado. A polícia mantém a sua própria contagem menor, pressionando os órgãos de informação a publicá-la.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
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09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
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09:00 @ Lagos, Nigeria