Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Opinião

O panorama dos media

por Manuel Falcão

Se olharmos para o top dos programas mais vistos na televisão generalista em 2018 vemos um claro domínio das transmissões desportivas, seguidas a grande distância pelos reality shows e, ainda mais para trás, pelas telenovelas. No entanto as transmissões televisivas produzem apenas picos de audiência e contribuem relativamente pouco para as médias e para planos continuados.

O dilema das televisões generalistas está na dificuldade em obter audiências – ratings -  que sejam interessantes para os anunciantes de forma regular,  quando segmentos importantes dos consumidores, sobretudo os mais jovens e activos, vão subalternizando os canais generalistas e consomem mais streaming e mais cabo.

Se eles não estão nos canais generalistas e muitas vezes também já não estão  no cabo, onde podem ser impactados com publicidade se os canais premium de streaming estão fechados a anúncios?

 

Esta questão condiciona tudo e é determinante para que uma parte cada vez maior dos orçamentos publicitários das marcas vá fugindo para fora da televisão, sobretudo se a medição de audiências ficar envolvida em polémica e aparentar ser pouco credível.

 

À medida que os problemas de medição de audiência da televisão tradicional se avolumarem o perigo aumenta – sobretudo quando conjugado com movimentos de aumento de preço da publicidade por parte dos principais operadores.

 

Por isso a tendência do aumento da procura dos outdoors, a estabilidade da rádio e as novas alternativas e soluções permanentemente introduzidas no digital são relevantes.

 

Há ainda um factor adicional: cada vez mais investimento é canalizado para acções especiais – conferências, eventos, festivais, etc. Este é outro sector que cresce e ao qual muitos publishers já estão a dar importância, e que escapam às formas tradicionais de medição de audiência.

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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