Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
O Clube

Os desafios de um Ano Novo

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.

A rádio, embora não esteja blindada à crise,  sofreu por enquanto um desgaste menor quando comparada com as performances dos  outros meios.

Esta realidade não passa sem consequências para o associativismo jornalístico , representado em Portugal por escassas organizações , que sobrevivem na base de uma certa “carolice” e de uma teimosia que tem servido para vencer não poucas adversidades. 

Criado  em 1980, o  CPI – Clube Português de Imprensa contou entre os seus membros fundadores com  jornalistas tão prestigiados e respeitados  como   Norberto Lopes e Raul Rego,  entre vários outros que já nos deixaram.

Lançou os Prémios de Jornalismo, cobrindo diferentes modalidades, em termos inéditos,   e promoveu várias fóruns de reflexão que se prolongaram até aos nossos dias.

Em 2019, prosseguiremos mais um ciclo de jantares-debate – “Portugal: que país vai a votos?” - , em parceria com o CNC- Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário. Continuaremos, também, a integrar o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, com o CNC e a Europa Nostra. E atribuiremos, novamente, os Prémios de Jornalismo e de Ensaio da Lusofonia, em parceria com o Jornal A Tribuna de Macau. 

A par destas actividades,  relevantes para o Clube, este site , lançado em Novembro de 2017, manterá o mesmo espírito independente de análise e tratamento informativo de tudo o que acharmos  útil ao debate sério das delicadas questões que hoje se colocam aos media e ao jornalismo.

É um desafio que nunca se esgota, e onde  as dificuldades aguçam o engenho.   

 

A Direcção

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Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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