Quarta-feira, 26 de Junho, 2019
Jantares-debate

António Martins da Cruz no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?”

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Aos 26 anos iniciou a sua carreira diplomática, tendo começado por trabalhar no Departamento de Organismos Económicos Internacionais. Dois anos depois, foi destacado para Moçambique, ainda antes da independência desta antiga colónia portuguesa, para organizar a instalação da Embaixada e dos Consulados Gerais de Portugal.

Acabou por permanecer em Moçambique depois da independência do país mas, entre 1976 e 1979, esteve destacado na Embaixada Portuguesa no Cairo, no Egipto. Findo este período de três anos, passou a ser o representante de Portugal junto das Nações Unidas em Genebra, na Suíça, função que desempenhou durante cinco anos.


Em 1984,  Martins da Cruz regressou a Portugal para ser director do Departamento de Integração Europeia do Ministério dos Negócios Estrangeiros. No ano seguinte, tornou-se assessor diplomático do então primeiro-ministro Cavaco Silva.

Ocupou o cargo até 1995, tendo tido oportunidade de conhecer personalidades da política internacional como Ronald Reagan, Mikhail Gorbachev, Margaret Thatcher ou Deng Xiaoping.

Martins da Cruz foi também embaixador de Portugal junto da NATO, em Bruxelas. Em Maio desse ano, tomou posse como embaixador em Espanha, cargo que viria a acumular com o de embaixador não residente em Andorra.

 

Manteve-se em funções até 2002, quando foi convidado a integrar o XV Governo Constitucional, liderado pelo social-democrata Durão Barroso. De Abril desse ano a Outubro do ano seguinte, esteve à frente do Ministério dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas.

Desligou-se recentemente do PSD, em ruptura aberta. Numa carta dirigida à direcção do partido foi frontal  como é seu timbre, escrevendo estar "farto de aturar pacóvios", por não se rever na "prática política, na orientação nem no discurso exclusivo" da direcção de Rui Rio.

É com este desassombro que Martins da Cruz aceitou participar no actual  ciclo de jantares-debate   “Portugal: que País vai a votos?”. Uma oportunidade a não perder.

Connosco
"Metástases" da desinformação espalham-se pelo mundo Ver galeria

O alastrar da desinformação, potenciado pelas capacidades de contágio “viral” da revolução tecnológica, teve um impacto transformador sobre o jornalismo. Nos Estados Unidos, um dos primeiros factos surpreendentes com que os jornalistas tiveram de lidar, logo após a eleição de Donald Trump, foi a noção de que hackers russos, em “fábricas” de conteúdos, podiam semear desordem no eleitorado americano e desacreditar o jornalismo autêntico.

“Por vezes, os leitores encontravam notícias verdadeiras que Trump procurava desacreditar porque não gostava do modo como o faziam parecer;  outras vezes encontravam a deformação intencional da informação para distorcer a verdade;  em muitas ocasiões, o que encontravam era apenas completo absurdo.”  
E deixou de ser um problema local. As “metástases” da desinformação espalham-se pelo mundo e o jornalismo é arrastado para o caos:

“Vimos isso na Birmânia e no Brasil, no Sri Lanka e na Nova Zelândia, por vezes em campanhas orquestradas que trazem a dedada de agentes estatais, por vezes em manifestos individuais de mentes perturbadas. O resultado é sempre o mesmo: relatos falsos envenenam as plataformas que abrigam o verdadeiro jornalismo. Ninguém na Imprensa está a salvo de ver o seu trabalho, sério e diligente, exposto na enxurrada.”
A reflexão é de Kyle Pope, director da Columbia Journalism Review, em “Todo o jornalismo é global”.

O pesadelo dos jornalistas filipinos perseguidos pelo regime Ver galeria

A luta pela liberdade de Imprensa pode ser uma guerra de resistência entre os carcereiros e os candidatos a presos  - que são todos os jornalistas que tenham a coragem de o ser. Num dos mais recentes episódios em que foi detida, em Fevereiro de 2019, a jornalista filipina Maria Ressa, fundadora do site Rappler, comentou ironicamente à saída do tribunal:

“Esta é a sexta vez que pago fiança, e vou pagar mais do que criminosos condenados. Vou pagar mais do que Imelda Marcos.”

Como conta no artigo “Alvos de Duterte”, que aqui citamos, o Presidente das Filipinas, que “foi o primeiro político do meu país a usar as redes sociais para ganhar umas eleições, conduz uma campanha incansável de desinformação (trolling patriótico) para reduzir os críticos ao silêncio”:

“O seu governo vomita mentiras a tal velocidade que o público já não consegue saber o que é realidade. Mesmo os seus próprios membros ficam confusos.”

“Desde Junho de 2016, quando Rodrigo Duterte se tornou Presidente, houve cerca de 27 mil assassínios decorrentes da sua ‘guerra contra a droga’. Este número vem das Nações Unidas, mas não foi muito divulgado. A polícia mantém a sua própria contagem menor, pressionando os órgãos de informação a publicá-la.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
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