null, 24 de Março, 2019
Jantares-debate

António Martins da Cruz no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?”

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Aos 26 anos iniciou a sua carreira diplomática, tendo começado por trabalhar no Departamento de Organismos Económicos Internacionais. Dois anos depois, foi destacado para Moçambique, ainda antes da independência desta antiga colónia portuguesa, para organizar a instalação da Embaixada e dos Consulados Gerais de Portugal.

Acabou por permanecer em Moçambique depois da independência do país mas, entre 1976 e 1979, esteve destacado na Embaixada Portuguesa no Cairo, no Egipto. Findo este período de três anos, passou a ser o representante de Portugal junto das Nações Unidas em Genebra, na Suíça, função que desempenhou durante cinco anos.


Em 1984,  Martins da Cruz regressou a Portugal para ser director do Departamento de Integração Europeia do Ministério dos Negócios Estrangeiros. No ano seguinte, tornou-se assessor diplomático do então primeiro-ministro Cavaco Silva.

Ocupou o cargo até 1995, tendo tido oportunidade de conhecer personalidades da política internacional como Ronald Reagan, Mikhail Gorbachev, Margaret Thatcher ou Deng Xiaoping.

Martins da Cruz foi também embaixador de Portugal junto da NATO, em Bruxelas. Em Maio desse ano, tomou posse como embaixador em Espanha, cargo que viria a acumular com o de embaixador não residente em Andorra.

 

Manteve-se em funções até 2002, quando foi convidado a integrar o XV Governo Constitucional, liderado pelo social-democrata Durão Barroso. De Abril desse ano a Outubro do ano seguinte, esteve à frente do Ministério dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas.

Desligou-se recentemente do PSD, em ruptura aberta. Numa carta dirigida à direcção do partido foi frontal  como é seu timbre, escrevendo estar "farto de aturar pacóvios", por não se rever na "prática política, na orientação nem no discurso exclusivo" da direcção de Rui Rio.

É com este desassombro que Martins da Cruz aceitou participar no actual  ciclo de jantares-debate   “Portugal: que País vai a votos?”. Uma oportunidade a não perder.

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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