Quarta-feira, 26 de Junho, 2019
Media

“Cartoons” de Plantu debatem coisas sérias...

O cartoonista francês Jean Plantureux, mais conhecido pelo seu nome artístico de Plantu, publicou em Novembro “10 bonnes raisons de ne pas se faire sauter”, um álbum que mistura o texto de uma entrevista que teve com o reitor da Grande Mesquita de Paris, Dalil Boubakeur, com os seus próprios desenhos sobre os muçulmanos. A ilustração da capa é, obviamente, uma alusão directa aos atentados suicidas com coletes de explosivos, mas isso não impediu  - como conta Plantu -  que o reitor a tenha achado divertida. O diálogo entre ambos tratou de todos os temas “quentes” desta actualidade em França.

Plantu, que é o presidente da associação Cartooning for Peace, tem promovido um esforço de pedagogia nos estabelecimentos escolares, cujos motivos e objectivos são desenvolvidos numa entrevista de quase uma hora no Press Club de France, que está disponível no respectivo site e pode ser aqui seguida.

Plantu foi nosso convidado em Outubro de 2016, para receber, ex-aequo com Eduardo Lourenço, o Prémio Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, promovido pelo Centro Nacional de Cultura (representante em Portugal da Europa Nostra), em parceria com o Clube Português de Imprensa.

"O livro agora publicado fornece pistas para evitar novos atentados por parte de jovens muçulmanos franceses. A educação, o desenvolvimento do espírito crítico, a criação artística, o amor do próximo e relações de fraternidade entre as comunidades, são os elementos-chave da sua reflexão." 

Segundo o Press Club de France e a France Inter, que aqui citamos, Plantu explica que “a sua equipa de cartoonistas de Imprensa Cartooning for Peace tinha mostrado no mundo, e nomeadamente no Mediterrâneo e em países adjacentes, um desenho que representava a dúvida. [Num deles] foi-lhes dito que o desenho estava muito bem, mas que não se podia divulgá-lo, porque ‘aqui, a dúvida é proibida’.” 

Mas o reitor Dalil Boubakeur, diante do mesmo desenho, riu-se e disse: 

“Quanto a mim, [sobre] Deus, digo francamente que nem sequer sei se é circular, redondo ou cúbico”. 

“Para Plantu, a nossa sociedade está à beira de catástrofes para as quais não estamos preparados, entre islamofobia e antissemitismo. A sua associação Cartooning for Peace procura fazer pedagogia nos colégios, liceus e prisões.” 

“Precisamos agora de ter em conta a derrapagem da nossa juventude, que não foi antes tida em conta. Mas para isso precisamos de fazer pedagogia e serviço social. Precisamos de ir às prisões, precisamos de escutar...”

 

Mais informação no Press Club de France  e na France Inter

Connosco
"Metástases" da desinformação espalham-se pelo mundo Ver galeria

O alastrar da desinformação, potenciado pelas capacidades de contágio “viral” da revolução tecnológica, teve um impacto transformador sobre o jornalismo. Nos Estados Unidos, um dos primeiros factos surpreendentes com que os jornalistas tiveram de lidar, logo após a eleição de Donald Trump, foi a noção de que hackers russos, em “fábricas” de conteúdos, podiam semear desordem no eleitorado americano e desacreditar o jornalismo autêntico.

“Por vezes, os leitores encontravam notícias verdadeiras que Trump procurava desacreditar porque não gostava do modo como o faziam parecer;  outras vezes encontravam a deformação intencional da informação para distorcer a verdade;  em muitas ocasiões, o que encontravam era apenas completo absurdo.”  
E deixou de ser um problema local. As “metástases” da desinformação espalham-se pelo mundo e o jornalismo é arrastado para o caos:

“Vimos isso na Birmânia e no Brasil, no Sri Lanka e na Nova Zelândia, por vezes em campanhas orquestradas que trazem a dedada de agentes estatais, por vezes em manifestos individuais de mentes perturbadas. O resultado é sempre o mesmo: relatos falsos envenenam as plataformas que abrigam o verdadeiro jornalismo. Ninguém na Imprensa está a salvo de ver o seu trabalho, sério e diligente, exposto na enxurrada.”
A reflexão é de Kyle Pope, director da Columbia Journalism Review, em “Todo o jornalismo é global”.

O pesadelo dos jornalistas filipinos perseguidos pelo regime Ver galeria

A luta pela liberdade de Imprensa pode ser uma guerra de resistência entre os carcereiros e os candidatos a presos  - que são todos os jornalistas que tenham a coragem de o ser. Num dos mais recentes episódios em que foi detida, em Fevereiro de 2019, a jornalista filipina Maria Ressa, fundadora do site Rappler, comentou ironicamente à saída do tribunal:

“Esta é a sexta vez que pago fiança, e vou pagar mais do que criminosos condenados. Vou pagar mais do que Imelda Marcos.”

Como conta no artigo “Alvos de Duterte”, que aqui citamos, o Presidente das Filipinas, que “foi o primeiro político do meu país a usar as redes sociais para ganhar umas eleições, conduz uma campanha incansável de desinformação (trolling patriótico) para reduzir os críticos ao silêncio”:

“O seu governo vomita mentiras a tal velocidade que o público já não consegue saber o que é realidade. Mesmo os seus próprios membros ficam confusos.”

“Desde Junho de 2016, quando Rodrigo Duterte se tornou Presidente, houve cerca de 27 mil assassínios decorrentes da sua ‘guerra contra a droga’. Este número vem das Nações Unidas, mas não foi muito divulgado. A polícia mantém a sua própria contagem menor, pressionando os órgãos de informação a publicá-la.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
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02
Jul
The Children’s Media Conference
16:00 @ Sheffield,Reino Unido
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigeria