null, 24 de Março, 2019
Media

“Cartoons” de Plantu debatem coisas sérias...

O cartoonista francês Jean Plantureux, mais conhecido pelo seu nome artístico de Plantu, publicou em Novembro “10 bonnes raisons de ne pas se faire sauter”, um álbum que mistura o texto de uma entrevista que teve com o reitor da Grande Mesquita de Paris, Dalil Boubakeur, com os seus próprios desenhos sobre os muçulmanos. A ilustração da capa é, obviamente, uma alusão directa aos atentados suicidas com coletes de explosivos, mas isso não impediu  - como conta Plantu -  que o reitor a tenha achado divertida. O diálogo entre ambos tratou de todos os temas “quentes” desta actualidade em França.

Plantu, que é o presidente da associação Cartooning for Peace, tem promovido um esforço de pedagogia nos estabelecimentos escolares, cujos motivos e objectivos são desenvolvidos numa entrevista de quase uma hora no Press Club de France, que está disponível no respectivo site e pode ser aqui seguida.

Plantu foi nosso convidado em Outubro de 2016, para receber, ex-aequo com Eduardo Lourenço, o Prémio Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, promovido pelo Centro Nacional de Cultura (representante em Portugal da Europa Nostra), em parceria com o Clube Português de Imprensa.

"O livro agora publicado fornece pistas para evitar novos atentados por parte de jovens muçulmanos franceses. A educação, o desenvolvimento do espírito crítico, a criação artística, o amor do próximo e relações de fraternidade entre as comunidades, são os elementos-chave da sua reflexão." 

Segundo o Press Club de France e a France Inter, que aqui citamos, Plantu explica que “a sua equipa de cartoonistas de Imprensa Cartooning for Peace tinha mostrado no mundo, e nomeadamente no Mediterrâneo e em países adjacentes, um desenho que representava a dúvida. [Num deles] foi-lhes dito que o desenho estava muito bem, mas que não se podia divulgá-lo, porque ‘aqui, a dúvida é proibida’.” 

Mas o reitor Dalil Boubakeur, diante do mesmo desenho, riu-se e disse: 

“Quanto a mim, [sobre] Deus, digo francamente que nem sequer sei se é circular, redondo ou cúbico”. 

“Para Plantu, a nossa sociedade está à beira de catástrofes para as quais não estamos preparados, entre islamofobia e antissemitismo. A sua associação Cartooning for Peace procura fazer pedagogia nos colégios, liceus e prisões.” 

“Precisamos agora de ter em conta a derrapagem da nossa juventude, que não foi antes tida em conta. Mas para isso precisamos de fazer pedagogia e serviço social. Precisamos de ir às prisões, precisamos de escutar...”

 

Mais informação no Press Club de France  e na France Inter

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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