Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

“Cartoons” de Plantu debatem coisas sérias...

O cartoonista francês Jean Plantureux, mais conhecido pelo seu nome artístico de Plantu, publicou em Novembro “10 bonnes raisons de ne pas se faire sauter”, um álbum que mistura o texto de uma entrevista que teve com o reitor da Grande Mesquita de Paris, Dalil Boubakeur, com os seus próprios desenhos sobre os muçulmanos. A ilustração da capa é, obviamente, uma alusão directa aos atentados suicidas com coletes de explosivos, mas isso não impediu  - como conta Plantu -  que o reitor a tenha achado divertida. O diálogo entre ambos tratou de todos os temas “quentes” desta actualidade em França.

Plantu, que é o presidente da associação Cartooning for Peace, tem promovido um esforço de pedagogia nos estabelecimentos escolares, cujos motivos e objectivos são desenvolvidos numa entrevista de quase uma hora no Press Club de France, que está disponível no respectivo site e pode ser aqui seguida.

Plantu foi nosso convidado em Outubro de 2016, para receber, ex-aequo com Eduardo Lourenço, o Prémio Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, promovido pelo Centro Nacional de Cultura (representante em Portugal da Europa Nostra), em parceria com o Clube Português de Imprensa.

"O livro agora publicado fornece pistas para evitar novos atentados por parte de jovens muçulmanos franceses. A educação, o desenvolvimento do espírito crítico, a criação artística, o amor do próximo e relações de fraternidade entre as comunidades, são os elementos-chave da sua reflexão." 

Segundo o Press Club de France e a France Inter, que aqui citamos, Plantu explica que “a sua equipa de cartoonistas de Imprensa Cartooning for Peace tinha mostrado no mundo, e nomeadamente no Mediterrâneo e em países adjacentes, um desenho que representava a dúvida. [Num deles] foi-lhes dito que o desenho estava muito bem, mas que não se podia divulgá-lo, porque ‘aqui, a dúvida é proibida’.” 

Mas o reitor Dalil Boubakeur, diante do mesmo desenho, riu-se e disse: 

“Quanto a mim, [sobre] Deus, digo francamente que nem sequer sei se é circular, redondo ou cúbico”. 

“Para Plantu, a nossa sociedade está à beira de catástrofes para as quais não estamos preparados, entre islamofobia e antissemitismo. A sua associação Cartooning for Peace procura fazer pedagogia nos colégios, liceus e prisões.” 

“Precisamos agora de ter em conta a derrapagem da nossa juventude, que não foi antes tida em conta. Mas para isso precisamos de fazer pedagogia e serviço social. Precisamos de ir às prisões, precisamos de escutar...”

 

Mais informação no Press Club de France  e na France Inter

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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