Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

Jornalista alemão premiado falsificava histórias na "Der Spiegel"

Um dos mais famosos jornalistas da revista alemã Der Spiegel foi obrigado a reconhecer que tinha falsificado, metodicamente, várias reportagens ali publicadas, sendo demitido. Claas Relotius, de 33 anos, recebera em Berlim, no princípio de Dezembro, o Prémio da Melhor Reportagem do Ano por um trabalho sobre a guerra na Síria. Num extenso artigo, é agora a própria Spiegel que afirma que “todas as fontes” aí citadas são “duvidosas”, acrescentando:

“Muitas coisas são puramente imaginadas, inventadas, enganosas. Citações, locais, cenas, mesmo personagens de carne e osso. Fake!”

A revista declara que este caso é “um dos momentos mais difíceis dos seus 70 anos de história” e um choque para o conjunto dos trabalhadores da revista, fundada em 1947 e “considerada, durante muito tempo, o templo do jornalismo de investigação na Alemanha”.

Como admite a Der Spiegel, pelo menos catorze das seis dezenas de textos publicados por Claas Relotius desde 2011 seriam “parcialmente falsificados”.

Segundo Le Monde, que aqui citamos, “para explicar a necessidade de embelezar os seus textos, a fim de os tornar mais apetecíveis, Claas Relotius teria invocado o medo do fracasso”: 

“A pressão que impunha sobre mim próprio, para não me autorizar a falhar, ia crescendo à medida que tinha mais êxito”  - terá confessado à hierarquia da revista, acrescentando: “Estou doente e preciso de ajuda.” 

Apresentando um pedido de desculpas aos seus leitores, Der Spiegel anuncou a constituição de uma “comissão de três jornalistas experientes”, dois da redacção e outro do exterior, para fazer um inquérito sobre as falsificações cometidas e “propor uma melhoria dos procedimentos de autenticação no seio da redacção”. 

A preocupação alastra a outros grandes títulos alemães, porque, antes de ser integrado na redacção da Spiegel, Claas Relotius tinha trabalhado para outros jornais, como o Süddeutsche Zeitung, o Frankfurter Allgemeine Zeitung, Die Welt e Die Zeit.

 

Mais informação em Le MondeL’Express  e no Diário de Notícias

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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