Quarta-feira, 26 de Junho, 2019
Media

Violência contra jornalistas aumentou no mundo em 2018

Recrudesceu em 2018, por todo o mundo, a violência contra os jornalistas, com 80 mortos no exercício das suas funções, segundo o Relatório Anual dos Repórteres sem Fronteiras, já disponível na Internet. Este número inclui os profissionais, os "jornalistas-cidadãos" e colaboradores dos media; só entre os profissionais, o número de mortos contados é de 63 (15% acima dos 55 do ano anterior). Além disto, há 348 detidos e 60 sequestrados.

“As violências contra os jornalistas atingem este ano um nível inédito, com todos os mostradores no vermelho”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral dos RSF. “O ódio contra os jornalistas, proferido ou até mesmo reivindicado por dirigentes políticos, religiosos, ou por empresários sem escrúpulos, assume consequências dramáticas no terreno e traduz-se num aumento inquietante de violências contra os jornalistas.”

“Potenciados pelas redes sociais, que têm nisto pesada responsabilidade, estes sentimentos de ódio legitimam as violências e enfraquecem, cada dia mais um pouco, o jornalismo  - e, com ele, a democracia.”

Mais de metade dos jornalistas mortos no exercício da sua profissão foram “conscientemente visados e assassinados”, como o comentador saudita Jamal Khashoggi, morto no consulado do seu país em Istambul a 2 de Outubro, ou o jornalista eslovaco Jan Kuciak, morto a 21 de Fevereiro. 

Com quinze mortos, o Afeganistão foi, este ano, o pior país para o exercício do jornalismo, seguindo-se a Síria (com onze) e o México (com nove)  - este último considerado o país mais perigoso entre os que não se encontram em guerra. 

Outro facto notável nesta edição do Relatório Anual dos Repórteres sem Fronteiras é “a entrada dos Estados Unidos no grupo dos países mais mortíferos do mundo (seis mortos), depois do tiroteio sangrento contra a redacção do jornal Capitol Gazette”  - em Annapolis, no Maryland. 

O número de jornalistas detidos no mundo subiu para 348 (eram contabilizados 326 em 2017). Cinco países repartem entre a si a responsabilidade por mais de metade destas prisões: o Irão, a Arábia Saudita, o Egipto, a Turquia e a China. 

Em 2018, é este último a receber o título de “a maior prisão do mundo”, com 60 jornalistas encarcerados (três quartos deles não-profissionais). “Com o endurecimento da regulamentação sobre a Internet, estes jornalistas ficam detidos, em condições frequentemente desumanas, por motivo de um simpels post, uma nota informativa nas redes sociais, ou uma mensagem privada”  - lamentam os Repórteres sem Fronteiras. 

O número de reféns subiu para 60  - e 59 deles encontram-se no Médio Oriente, nomeadamente na Síria, Iraque e Iémen. Segundo o Relatório dos RSF, “apesar da derrota do Estado Islâmico no Iraque e do seu recuo na Síria, há pouca informação sobre a sorte destes raptados, à excepção do japonês Jumpei Yasuda, que recuperou a liberdade depois de três anos de cativeiro na Síria”. 

“Um jornalista ucraniano continua nas mãos das autoridades da auto-proclamada República Popular do Donetsk, que o acusam de ser um espião. Por fim, os RSF registam três novos casos de jornalistas desaparecidos este ano, dois na América e um na Rússia.” (...)

 

Mais informação em Le Monde. A apresentação e o Relatório Anual dos RSF

Connosco
"Metástases" da desinformação espalham-se pelo mundo Ver galeria

O alastrar da desinformação, potenciado pelas capacidades de contágio “viral” da revolução tecnológica, teve um impacto transformador sobre o jornalismo. Nos Estados Unidos, um dos primeiros factos surpreendentes com que os jornalistas tiveram de lidar, logo após a eleição de Donald Trump, foi a noção de que hackers russos, em “fábricas” de conteúdos, podiam semear desordem no eleitorado americano e desacreditar o jornalismo autêntico.

“Por vezes, os leitores encontravam notícias verdadeiras que Trump procurava desacreditar porque não gostava do modo como o faziam parecer;  outras vezes encontravam a deformação intencional da informação para distorcer a verdade;  em muitas ocasiões, o que encontravam era apenas completo absurdo.”  
E deixou de ser um problema local. As “metástases” da desinformação espalham-se pelo mundo e o jornalismo é arrastado para o caos:

“Vimos isso na Birmânia e no Brasil, no Sri Lanka e na Nova Zelândia, por vezes em campanhas orquestradas que trazem a dedada de agentes estatais, por vezes em manifestos individuais de mentes perturbadas. O resultado é sempre o mesmo: relatos falsos envenenam as plataformas que abrigam o verdadeiro jornalismo. Ninguém na Imprensa está a salvo de ver o seu trabalho, sério e diligente, exposto na enxurrada.”
A reflexão é de Kyle Pope, director da Columbia Journalism Review, em “Todo o jornalismo é global”.

O pesadelo dos jornalistas filipinos perseguidos pelo regime Ver galeria

A luta pela liberdade de Imprensa pode ser uma guerra de resistência entre os carcereiros e os candidatos a presos  - que são todos os jornalistas que tenham a coragem de o ser. Num dos mais recentes episódios em que foi detida, em Fevereiro de 2019, a jornalista filipina Maria Ressa, fundadora do site Rappler, comentou ironicamente à saída do tribunal:

“Esta é a sexta vez que pago fiança, e vou pagar mais do que criminosos condenados. Vou pagar mais do que Imelda Marcos.”

Como conta no artigo “Alvos de Duterte”, que aqui citamos, o Presidente das Filipinas, que “foi o primeiro político do meu país a usar as redes sociais para ganhar umas eleições, conduz uma campanha incansável de desinformação (trolling patriótico) para reduzir os críticos ao silêncio”:

“O seu governo vomita mentiras a tal velocidade que o público já não consegue saber o que é realidade. Mesmo os seus próprios membros ficam confusos.”

“Desde Junho de 2016, quando Rodrigo Duterte se tornou Presidente, houve cerca de 27 mil assassínios decorrentes da sua ‘guerra contra a droga’. Este número vem das Nações Unidas, mas não foi muito divulgado. A polícia mantém a sua própria contagem menor, pressionando os órgãos de informação a publicá-la.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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