Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

Violência contra jornalistas aumentou no mundo em 2018

Recrudesceu em 2018, por todo o mundo, a violência contra os jornalistas, com 80 mortos no exercício das suas funções, segundo o Relatório Anual dos Repórteres sem Fronteiras, já disponível na Internet. Este número inclui os profissionais, os "jornalistas-cidadãos" e colaboradores dos media; só entre os profissionais, o número de mortos contados é de 63 (15% acima dos 55 do ano anterior). Além disto, há 348 detidos e 60 sequestrados.

“As violências contra os jornalistas atingem este ano um nível inédito, com todos os mostradores no vermelho”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral dos RSF. “O ódio contra os jornalistas, proferido ou até mesmo reivindicado por dirigentes políticos, religiosos, ou por empresários sem escrúpulos, assume consequências dramáticas no terreno e traduz-se num aumento inquietante de violências contra os jornalistas.”

“Potenciados pelas redes sociais, que têm nisto pesada responsabilidade, estes sentimentos de ódio legitimam as violências e enfraquecem, cada dia mais um pouco, o jornalismo  - e, com ele, a democracia.”

Mais de metade dos jornalistas mortos no exercício da sua profissão foram “conscientemente visados e assassinados”, como o comentador saudita Jamal Khashoggi, morto no consulado do seu país em Istambul a 2 de Outubro, ou o jornalista eslovaco Jan Kuciak, morto a 21 de Fevereiro. 

Com quinze mortos, o Afeganistão foi, este ano, o pior país para o exercício do jornalismo, seguindo-se a Síria (com onze) e o México (com nove)  - este último considerado o país mais perigoso entre os que não se encontram em guerra. 

Outro facto notável nesta edição do Relatório Anual dos Repórteres sem Fronteiras é “a entrada dos Estados Unidos no grupo dos países mais mortíferos do mundo (seis mortos), depois do tiroteio sangrento contra a redacção do jornal Capitol Gazette”  - em Annapolis, no Maryland. 

O número de jornalistas detidos no mundo subiu para 348 (eram contabilizados 326 em 2017). Cinco países repartem entre a si a responsabilidade por mais de metade destas prisões: o Irão, a Arábia Saudita, o Egipto, a Turquia e a China. 

Em 2018, é este último a receber o título de “a maior prisão do mundo”, com 60 jornalistas encarcerados (três quartos deles não-profissionais). “Com o endurecimento da regulamentação sobre a Internet, estes jornalistas ficam detidos, em condições frequentemente desumanas, por motivo de um simpels post, uma nota informativa nas redes sociais, ou uma mensagem privada”  - lamentam os Repórteres sem Fronteiras. 

O número de reféns subiu para 60  - e 59 deles encontram-se no Médio Oriente, nomeadamente na Síria, Iraque e Iémen. Segundo o Relatório dos RSF, “apesar da derrota do Estado Islâmico no Iraque e do seu recuo na Síria, há pouca informação sobre a sorte destes raptados, à excepção do japonês Jumpei Yasuda, que recuperou a liberdade depois de três anos de cativeiro na Síria”. 

“Um jornalista ucraniano continua nas mãos das autoridades da auto-proclamada República Popular do Donetsk, que o acusam de ser um espião. Por fim, os RSF registam três novos casos de jornalistas desaparecidos este ano, dois na América e um na Rússia.” (...)

 

Mais informação em Le Monde. A apresentação e o Relatório Anual dos RSF

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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O caso da participação num programa matinal da TVI de um racista, já condenado e tendo cumprido pena de prisão, Mário Machado, suscitou polémica. Ainda bem, porque as questões em causa são importantes. Mas, como é costume, o debate rapidamente derivou para um confronto entre a esquerda indignada por se ter dado tempo de antena a um criminoso fascista e a direita defendendo a liberdade de expressão e a dualidade de...
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